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  A vida vai passando, mas as marcas formam caminhos de fé por onde todos podem passar com segurança.
 
Li certa vez : "Quem semeia amizade, colhe felicidade. Quem semeia fé colhe certeza. Quem semeia carinho colhe gratidão. Quem semeia verdade colhe confiança. Quem planta a vida colhe milagres". Esta semeadura atravessa gerações e deixa poderosos ensinamentos que invadem a vida das pessoas.
 
Esta é a vida de nosso colaborador que deixa em cada edição do jornal "Liberdade de Expressão" "Os mais Belos Pensamentos de todos os Tempos". Ele traz dentro de sua história, que completou 90 anos de feliz existência, no dia 06de fevereiro, mãos carregadas de cultura, de amizade, honestidade e um amor que se tornou um projeto infinito dedicado à nossa Terra. Quando ele fala sobre Miracema seus olhos brilham, sua voz fica embargada e as lágrimas rolam formando um manancial de felicidade ao dizer: "Sou miracemense, vivo e sou capaz de morrer para que a verdade e a liberdade façam parte integrante de sua história da qual faço parte com muita honra"!
  
Conhecer, conviver, conversar com Joffre Geraldo Salim é penetrar na natureza poética que existe em seus profundos versos editados dentro de suas emoções. Elas transbordam em suas sábias palavras, nascidas de suas experiências pessoais, unidas à simplicidade e ternura.
 
A virtude central de sua vida é a amizade que faz explodir sua importante presença junto às famílias miracemenses. Sua maturidade espiritual leva-o a caminhos verdadeiros sempre direcionados por Deus. Por este motivo vive a confiante alegria nesta sua corajosa caminhada durante os 90 anos de existência sempre voltados para a sua tradicional família, para a comunidade e os seus inúmeros amigos.
 
O "Liberdade de Expressão" retirou de cada texto nele editado uma pétala para formar a mais expressiva Rosa cultural e oferecê-la ao senhor Joffre Geraldo Salim, na certeza de que um dia o mesmo faremos pelo seu glorioso centenário. Até lá, Sr Joffre, sempre juntos estaremos, unidos pelo mesmo ideal que é conservar eternamente a amizade de todos os que escrevem em nosso apreciado Jornal.

                                                                 EDITORIAL

        

  Novamente a força da presença de Deus, indispensável em cada pessoa, vem confirmar que ela existe para revelar o compromisso que cada um tem de viver - o amor ao nosso próximo. Nisto consiste em envolver, em reavivar a riqueza da presença d’Ele escondida dentro de nós. A nossa total entrega é centralizada em nossas forças que se multiplicam para ultrapassar todas as barreiras - nossos infinitos limites.
  Uma das frases mais bonitas que escutei como mãe, um mês ao seu lado, foi dita pelo meu filho internado dessa vez. Enquanto eu alisava suas costas ele disse: - A mão da senhora , mãe, é melhor do que todos os remédios que eu estou tomando. Olhei para minhas mãos calejadas, naquele momento elas se haviam transformado em macias esponjas, roçando suas costas cansadas de ficar sobre um leito do hospital. Olhei novamente para elas sentindo que nas dobras das rugas geradas pelo tempo, estavam escondidas as forças que me mantinham de pé, olhos arregalados, mesmo sem dormir que me transformavam na gigante presença maternal. Minhas mãos se tornavam poderosas pela fé, pois ficavam posicionadas em constantes e fervorosas orações. Minhas mãos, embora cansadas, lá se encontravam para participar de atividades simples que ele estava impedido de fazer como partir o pão, passar a manteiga, arrumar uma xícara de leite bem docinho, arrumar sua toalha, sabonete, sua roupa para um banho refrescante, animador, um momento de total renovação.
  Cada vez mais sinto e insisto que devemos continuar sendo presenças na vida de todos os que fazem parte de nossas vidas. Deus é vida quando esparramamos a nossa presença.

           

         Memória e alguém que deixa uma lembrança de si, quando ausente ou
         após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
         fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

INFÂNCIA

Na solidão do campo, as lembranças adormecidas no cotidiano existencial das metrópoles voltam a lugares longínquos no tempo e no espaço, onde reencontramos pessoas que partiram, mas não se afastaram do nosso viver.
Com os olhos fitos nas montanhas emolduradas pelo verde das plantações, as imagens vão se sucedendo no pensamento, sem uma sequência lógica como nos trailers exibidos nos cinemas para anunciar os filmes que brevemente entrarão em cartaz .
Sem permanecer por muito tempo no visual da mente, aparece a imagem da minha Avó na "Marselhesa," a beira do fogão à lenha. Em seguida, surge na varanda da casa da Rua Direita a minha mãe sentada junto à máquina de costura em conversa com suas auxiliares, Nenzinha e Joana D'Arc. Logo, a idéia fugitiva me leva para o casebre sem assoalho da D. Leontina, lavadeira e mãe do Luís, o "Barrigudo" meu amigo de infância. Sem intervalo, já estou subindo o "Morro da Poeira"na tropa do"Bilu"em direção à inexpugnável cabana  que construímos no meio da mata, que hoje não mais existe. A "cabana" era protegida por armadilhas copiadas dos filmes de Robin Hood e dos seriados que assistíamos no Cinema Sete, cujos ingressos  nos eram gratuitamente assegurados pelo "Buru", na troca da ajuda em levar as tabuletas por ele pintadas para anunciar os filmes em cartaz.
Finalmente, o pensamento se fixa na Alfaiataria do Cleto, na Rua Matoso Maia, residência da família Nascimento, onde também trabalhava o "Botina". Depois, já adulto, retornava à Miracema e ao passar pela alfaiataria era de pronto recepcionado por D. Suíça com a frase: "Ce'ca  lá Dandão , não é aí não po'ca'ia ". Lembrava a mãe do Cleto e do Bilu uma engraçada passagem  em que eu e o meu irmão Janjão perseguíamos um leitão que fugira do quintal da nossa casa e corria pela margem do Ribeirão. Estava a boa Senhora no alto da sua casa, na outra margem do Ribeirão, de onde assistiu a cena e ouviu aquela criança, que mal sabia pronunciar aquelas palavras, gritar desesperadamente para o irmão mais velho, sentindo que o porco escapava do seu alcance: "Ce'ca lá Dandão , não é aí não po'ca'ia ".
Uma cena hilariante, transformada em comovente lembrança da minha meninice, era repetida afetuosamente por D. Suíça, sempre que passava pela alfaiataria do Cleto. A carinhosa saudação não só me enchia de alegria, como traduzia o laço indissolúvel da minha infância com a família da saudosa e amável Senhora.

          Jofre, pelo que representa na história de Miracema, você não se pertence e nem à sua família. Você é um patrimônio da nossa cidade a ser permanentemente preservado. Longo e saudável viver .

                                                                                 José Geraldo Antonio

                           

 

 

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