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Você partiu desse mundo, filho, mas suas inspirações e sua voz tão doces, continuam viajando nas melodias deixadas, admiradas, continuadas, eternizadas em nós. Assim, Wilder, você permanecerá nos momentos de quem teve o privilégio de viver no seu tempo a sua contagiante alegria. Durante o velório, coincidência ou não, dezenas de andorinhas sobrevoaram a capela durante vários minutos, como se estivessem despedindo daquele de quem haviam recebido, outrora, uma sincera homenagem musical. Elas continuarão formando caminhos até onde puderem, fabricando saudades na vida de todos que o conheceram. Os seus companheiros que o levaram para repousar em sua última morada, fizeram todo o percurso cantando suas músicas, conforme um dia você me pediu. A emoção tomou conta de todos. Uma sensação mística envolveu os que participavam do cortejo, quando o seu filho Lucas, com os seus acordes no violão, acompanhava o amigo de seu pai há longos anos – Rodrigo Freitas, cantando a música: Voa andorinha, até a capela da cidadezinha onde eu nasci... Miracemenses foram os seus sonhos, o seu primeiro amor, as Escolas onde ele estudou, os seus professores, seus amigos e sua família que muito amou e foi amado plenamente. Além de suas composições, ele foi imortalizado pela Academia Miracemense de Letras. Uma emocionante e profunda homenagem foi prestada, na Igreja Matriz, pela Dra Ana Lúcia Lima da Costa, Vice-Presidente dessa Entidade. Seus filhos: Lucas e sua filha Ana Clara, Gabriel, Miguel e Jhulia Hana continuarão como fonte imorredoura a história da vida do papai e do vovô Wilder. De dentro de seu violão, emanada de suas inúmeras e belíssimas inspirações, uma rosa germinou e de dentro dela suas poesias musicadas ou não. Nesta Edição, ela é colocada em seu silêncio, que em nossa saudade continua sendo transformado em suas canções. |
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Não me esqueço de orar.
Quanto mais eu sofro, mais eu oro. A oração é o caminho que me leva a Deus sem questionar, sem blasfemar, sem perguntar o porquê dos acontecimentos. Apenas sinto a presença infinita das mãos de Deus sobre a minha alma. Percebo que delas emanam a coragem, a força o amparo que necessito para continuar minha missão. Sei que existe alguém que muito precisa de mim: dos meus olhos para guiá-lo de minhas palavras para fortificá-lo, de minhas mãos para ampará-lo. Não posso desanimar, embora eu me sinta um farrapo tecido pela dor. Como cristã, eu tenho a certeza de que a perda que sofremos não foi culpa de Deus, mas consequência da degeneração do próprio organismo, das doenças que fazem parte de cada ser humano. Sofrer, nós sofremos, dor angustiante nós sentimos, saudades continuam formando os caminhos por onde sempre iremos passar. Não esqueceremos jamais o que cada um representou em nossas vidas. Um contagiava alegria, puxou o pai. O outro externava os seus sentimentos em suas músicas, em seus versos, em sua maneira brilhante de executar os acordes em seu violão mágico. Esse herdou de mim o lado que sentia e via o belo ou o lado angustiante dos fatos que os cercava. Cada um era um, mas os dois eram nossos filhos gerados e nascidos do amor de pai e mãe que tudo fizeram para conservá-los em seus convívios.
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Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)
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TRISTEZA
(Lembrando Wilder Alvim)
"Ficou um vazio, é sua partida
Ausência sentida, doída na alma... (Da sua canção Amor sem juízo)
A existência inflige aos nossos espíritos dor e sofrimento que nos levam a questionar o próprio sentido da vida. Por quê e para quê existimos? As mágoas sentidas e a impotência para conjurar um mal duradouro nos conscientizam das nossas limitações e da transitoriedade do nosso viver. Mas, do outro lado da face negra da vida, vê-se a alegria dos momentos felizes por que passamos. Sonhamos com sua perenidade e nos iludimos com a superação da morte. É o amor a vencer as adversidades, levando-nos a cantar com o poeta: "É a vida, é bonita E é bonita!". A tristeza infinda, que vem da dor pela perda irreversível de quem se amou, somente é vencida na lembrança feliz que fica na memória de quem ama. Poderíamos responder às indagações formuladas, sem originalidade e sem ser definitivo. Existimos, porque amamos e, se vivemos para amar, somente quem sofreu é capaz de amar. Gonzaguinha afirmou ser bonita a vida na pureza da resposta da criança. Vinicius de Moraes cantou a tristeza de amar:
"Bom dia Tristeza,... ...Me dê o seu ombro que é para eu chora Chorar de tristeza Tristeza de amar"
Wilder sofreu. Por isso, foi capaz de amar. Agora, na lembrança feliz vive em nossa memória.
José Geraldo Antonio |
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