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LARIM
Larim tem procedência rural e jamais abandonou seu berço, seu torrão natal, sua gente, às vezes distante, mas sempre presente. Tem conhecimento de tudo que o cerca. Emite, sem medo, sua opinião sobre tudo ou quase tudo. Com uma passagem de súbito pelos bancos da escola, impressiona pelo número de informações que ele traz consigo. Guarda bem tudo que vê, tudo que escuta e vai em frente. Quem dele se aproxima, acaba por atribuir-lhe um estagio genial, dialogando, ele informa e se informa. Sendo um ponto convergente de informação flutuante, o diálogo com Larim torna-se necessário a quem passa, chega ou deseja ficar, e todos acabam contribuindo para o desenvolvimento do seu já impressionante arquivo. A cada dia, Larim se torna mais perto da idolatria. Aquele que o encontra, passa logo atribuir -lhe valores, e o admirar, pelo que sabe a seu respeito, pelo que sente, pelo que vê. O tempo vai passando e com o tempo cresce seu fã clube e de verdade em verdade ele, Larim, não passa, fica em todos. Foi menino, criança, adolescente e, como todos, chorou. Portador de um riso fácil, brincou, sorriu, jogou pião, futebol, malha, amadureceu. Convivendo em todas as fases da sua vida, conheceu todas as gentes, dividiu-se para todos, e, doando-se, surpreendentemente se multiplicou, cresceu. Indispensável nos momentos de lazer, Larim foi violeiro cantador, palhaço de folia, ergueu a Bandeira de São Sebastião, cantou, e, depois, cognominado Mestre Larim. Se o tempo permitia, orientava, os plantadores, como devia fazer ou não fazer; apegado a família, Larim, por vezes, tinha de mostrar a quem o consultava os caminhas de como administrar a própria vida, a vida em família. Orientava a criação de animais, dirigia ensinamento nas cantorias dos desafios nos calangos, nas narrativas dos emitidas pelos palhaços das Folias de Reis. Larim já viveu lances de pura sorte. Quis certa realizar em um lance, de uma so vez, três sonhos: rever o Rio de Janeiro, conhecer o Maracanã, ver o Pele jogar futebol contra a equipe do Milão da Itália em disputa da Copa do Mundo inter clube. O modelo da época estabelecia essa forma, ou seja, as equipes se enfrentavam se visitando. Vê o Rei do Futebol mostrar a arte foi impossível porque o rei de todos os estádios , como dizia Valdir Amaral, havia se contundido na Copa de 1962 e estava em recuperação. Mas pode rever a Cidade Maravilhosa, conhecer o Maracanã, e ver o Milão perder para Santos por 4 x 2 e ainda de sobra a festa da torcida numa quarta-feira de noite chuvosa. Após a explosão de alegria no Estádio, saiu Larim, pensando tomar o lotação de sempre Méier – Praça Pariz e valtar para o quarto, onde devia dormir. Era necessario rapidez , pressa, agilidade a fim de ser contemplado com um lugar nos primeiros lotações, o que, de fato, aconteceu. Chegou, acomodou-se e o lotação saiu, mas ao invés de sair para o lado direito, saiu para o esquerdo. Larim chorou...(continua)
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