Pág.3-Nº137-Abr/11
              

 

 

      

 

                                                       
 Herança do atraso: o Jeitinho Ibérico

 

   "Roberto Campos, a maior  inteligência brasileira nos últimos cinquenta anos
falava em  três heranças nacionais: a  indolência do  índio, a magia do negro e o
jeitinho ibérico. Vamos comentar esta última.
O JEITINHO IBÉRICO - quando chegaram ao Novo Mundo os ibéricos trouxe-
ram consigo uma cultura  institucional viciada por  séculos de nepotismos, apa-
drinhamentos e favorecimentos. Os países da América Latina importaram e im-
plantaram aqui este modelo de Portugal e Espanha: instituições inefi cientes, onde
os  reis  tinham poderes absolutos e  sustentavam a nobreza esbanjadora mesmo
quando a renda vinda das colônias encolhia. Então aumentavam os impostos so-
bre o povo para sustentá-la. É assim que funciona aqui. Temos em Brasília 513
reizinhos na Câmara e 81 reizões no Congresso para 27 estados, média de 19 de-
putados e 3 senadores por estado. Nos EEUU são 455 deputados e 100 senadores
para 50 estados, média de 8,7 deputados e 2 senadores por estado! É muito bom
viver em país rico como o nosso!
As  instituições de um país são expressões fi éis da mentalidade dos seus  repre-
sentantes. Não há  como  explicar ou  entender  a  ação desta  raça gananciosa do
dinheiro público, coveiros da esperança e do futuro dos jovens brasileiros. Per-
manecem todos de pé durante as sessões, cochichando nos ouvidos, combinando
a canibalização do dinheiro público e planejando o próximo golpe. A promulga-
ção de leis aleatórias “tapa buracos” é uma especialidade nacional. Os remendos
na Constituição por si só não levam um país à frente. Sem instituições fortes uma
nação não sai do atraso nem da pobreza. Se não forem de boa qualidade e confi á-
veis nunca haverá crescimento econômico sustentado de longo prazo. 
Nosso Congresso  virou  casa  de  interesses  particulares  onde  impera  o  jeitinho
ibérico. São cerca de dez mil funcionários, serviçais que vão reelegê-los nos pró-
ximos pleitos. Não representa o povo, mas os próprios congressistas. Lá eles per-
manecem indefi nidamente até caducarem. Os mandatos de deputados e senadores
se prolongam em suas famílias. São lideranças corruptíveis revelando atitudes e
estilos políticos que se encontram na mesquinharia e no fi siologismo, represen-
tando o lado pior da política que só trabalha em benefício próprio. São corpora-
tivistas  impunes que se escondem atrás da  imunidade parlamentar. Perderam a
consciência moral, dissolveram os costumes, sepultaram a ética. A honestidade
está em debandada, os caráteres estão corrompidos. A prática é a conveniência, os
interesses pessoais. Não há princípio que não seja desmentido. Nossa legislação
não garante os direitos de propriedade e não impede que índices de remuneração
das poupanças e investimentos se desvalorizem da noite para o dia toda vez que
há aperto monetário. Sem estas garantias ninguém é louco de investir no longo
prazo sob o risco de perder tudo. 
Ninguém  se  respeita, não há  solidariedade nem  interesse pelo cidadão. É cada
um por si e todos contra o povo. Ninguém mais crê na honestidade dos homens
públicos. A classe média debate-se progressivamente na estupefação e na inércia.
O povo está na miséria monetária e intelectual. Serviços públicos defi cientes nos
tratam como se estivessem prestando-nos um favor. Bancos, companhias de água,
esgoto e telefonia nos roubam descaradamente. A Petrobrás nos vende gasolina
de péssima qualidade misturada com álcool e água. Pagamos álcool com água
pelo preço de gasolina pura! Ta bom ou quer mais?
Convivemos com a mediocridade e o grande perigo é o aparecimento dos “sal-
vadores  da  pátria”  que  sempre  surgem  nos  tempos  de miséria  cultural.  Estão
transformando nosso povo num povo de pedintes, dependentes agressivos, sem
dignidade nem vergonha. Ao invés de premiarem o mérito incentivam o fracasso,
desagregando as  famílias e colaborando com a paternidade  irresponsável, pro-
movendo o ócio, criando o lumpesinato que é a camada da população que vive
em miséria extrema,  formada de  indivíduos desvinculados da produção  social,
desprovidos de consciência política, que se entregam a atividades marginais que
vão de fl anelinhas a viciados em drogas, passando pela prostituição e o roubo.
Estamos vivendo o princípio do caos social. Só não vê quem não quer. O relógio
de nossa realidade está andando para trás há muito tempo. O Brasil só progride
quando nossos políticos estão dormindo.

             

 

  

        No dia  3 de maio de 1936, o maior dia da história de Mi-
racema, o Almirante Protógenes Guimarães, acompanhado do Dr.
Arnaldo Tavares, Presidente da Assembleia Legislativa e grande
amigo de Miracema, e de outras altas autoridades do Estado,
compareceu à antiga  terra de Santo Antônio dos Brotos, para
instalar o novel, glorioso e promissor Município de Miracema, em
meio as maiores comemorações e retumbante festa, a maior de
toda a sua história, que esta terra já viveu.
       E, assim, após 30 longos e laboriosos anos Miracema a sem-
pre amada terra comum, conseguiu arrebentar os grilhões que a
tornavam cativa e se tornou num Município livre e independente,
para orgulho de seus bravos filhos e maior prosperidade e pro-
gresso do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil.
Miracema nasceu de um ato de amor e de um grito de liberdade.
                                                   (Humberto de Martino)

               



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