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SEBASTIÃO MANOEL DA COSTA:uma história luminosa
Ao ler o emocionante artigo publicado neste mesmo jornal no mês de abril e escrito de forma tão lírica por José Geraldo Antônio, no qual o autor “abria o álbum da memória” e evocava através de suas reminiscências, o Bar do Seu Osvaldo e a Padaria do Seu Olímpio, tão presentes em sua infância e mocidade, acabei também me lembrando de uma das antigas histórias que meu pai, Mário Costa, repetidamente volta a contar sempre que o assunto é o meu avô, Sebastião Manoel da Costa. Este miracemense, nascido em 1886, trabalhou como padeiro na então citada padaria do Seu Olímpio. Poderia ser esta a história de mais um simples habitante, num dado momento da história desta cidade, não fosse por um detalhe: meu avô, homem simples e trabalhador, acumulava a função de padeiro com outra de fundamental importância para toda a comunidade miracemense de seu tempo. Como o horário da fabricação dos pães acontecia durante a noite, quando muitos estavam descansando em seus lares, meu avô ia pelas ruas acendendo os lampiões de nossa cidade e, na volta, já ao amanhecer, tinha a tarefa de apagá-los. E eram muitos!!!! Foi o primeiro acendedor de lampiões de Miracema. Sinto-me honrada e envaidecida de saber que meu avô, que tanto amou esta terra, exerceu a nobre função de iluminá-la durante anos e anos antes de ser aproveitado como funcionário da companhia de energia elétrica quando esta chegou à Miracema. Existem muitas maneiras de iluminar uma cidade. Metaforicamente muitos miracemenses vêm fazendo isso através dos tempos, porém foi o Sr. Sebastião Manoel da Costa que efetivamente iluminou nossa cidade e configura-se como mais um ilustre personagem da história de Miracema, senão para a História Oficial, pelo menos para a da nossa família. Por isso toda vez que leio esses versos de Jorge de Lima também “abro meu álbum da memória”:
O ACENDEDOR DE LAMPIÕES
Lá vem o acendedor de lampiões de rua! Este mesmo que vem, infatigavelmente, Parodiar o Sol e associar-se à lua Quando a sombra da noite enegrece o poente
Um, dois, três lampiões, acende e continua Outros mais a acender imperturbavelmente, À medida que a noite, aos poucos, se acentua E a palidez da lua apenas se pressente.
À memória de meu avô que só conheci através das histórias de meu pai, Mário Costa.
Ana Lúcia Lima da Costa Diretora do Centro Cultural Melchíades Cardoso e Museu Antônio Ventura Coimbra Lopes Presidente do Conselho Municipal de Cultura Doutora em Ciência da Literatura – UFRJ Mestre em Teoria da Literatura – UFJF |
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