Pág.2-Nº138-Mai/11

    Sentimental é a nossa entrega em suas mãos doces de carícias, de bênçãos e de total ternura.
Forte é a sua voz  que reconforta  quando transmite em suas palavras a  suave meiguice.
   Mãe é sempre  certeza e segurança embutidas em seu poderoso semblante, tendo como medida infi nita o seu amor.Dele vem a paz que os fi lhos esperam. Como a água ela refresca o momento agitado que se instala nas cavernas da vida de seus fi lhos em dias tenebrosos. Como o fogo aquece mãos e almas geladas pelos acontecimentos que chegam de mansinho, sem pedir licença e vão entrando no universo de cada um.
   Seu rosto é abençoado pela mãe  de todas as mães – Maria. Sua ternura maternal  é sempre a companhia desejada, oferecendo a luz que emana de seu interior para iluminar a vida de seus rebentos.  O seu amor brota, não de uma nascente artifi cial, mas real, trazendo para os seus filhos uma música suave que cobre todos os ambientes. Na luta do dia a dia, ela revela o seu lado doação, serviço, ajuda constante, verdadeira partilha  àqueles que dela nasceram.
Assim, ela vai se transformando num manto sagrado para envolver seus filhos de acordo com a necessidade de cada um. As suas  palavras encaminham para o bem,  o seu silêncio educa, o seu exemplo cobre os horizontes de todos os  que nasceram de sua carne.
   Mesmo que tudo se esvazie, seu interior continua revestido  pela presença da inabalável fé. E o milagre desejado vem sempre apoiado na presença constante de Deus.
    Você, mãe, mesmo tendo ido para a eternidade, continua presente  em seus fi lhos, porque suas mãos continuam nos apoiando. Seus pés orientando a nossa caminhada. Seu olhar penetra em  nossos olhos e nos conduz  para Deus.
    Neste mês de maio, colhemos no jardim do amor as mais singelas margaridas, perfumados monsenhores e os colocamos  em volta da rosa que desejamos depositar no coração de cada mãe. Festejamos, assim,  essa data abençoada: “Dia das Mães”

                           
             EDITORIAL

                                                              Ricarda Maria
 

         Dia 1º de maio é o Dia do Trabalho. Vamos homenagear uma personagem que durante um século fez parte do trabalho ligado às inúmeras profi ssões em todo o mundo: A máquina de Escrever.
      Com o coração apertado e  lágrimas nos olhos, li a notícia de que ela havia chegado ao fim porque a última fábrica  que restava no mundo  havia fechado as suas portas. Foi realmente um ponto final, a morte de um  importante instrumento de  trabalho.   Ela fazia parte integrante do mundo  de muitos e muitos  profi  ssionais que necessitavam dela para
escrever, tornar mais fácil, limpo e organizado os necessários registros.
      A primeira Máquina de Escrever foi fabricada em 1867 nos Estados Unidos. Formou uma abertura, uma prodigiosa esperança para os que faziam todas as  escritas à mão.
A última fábrica existente foi agora  fechada. Ela era localizada em Bombaim, na Índia.
      Quando  passava   perto   de  um escritório   ouvia   sempre   um   barulho   rouco, impertinente, repetido de forma rápida, avisando que naquele lugar a marca principal era o trabalho.
       Havia aqui em Miracema muitas pessoas que ensinavam datilografi a. Os alunos tinham  as  suas  horas marcadas  e,  naquele  espaço  de  tempo,  treinavam  para  decorar  a posição dos dedos, das letras e de todo mecanismo necessário  para uma perfeita aprendizagem, tendo a presença orientadora  da  mestra.
       Lembro-me de três nomes que atuavam neste setor: Dona Otília Aversa e Dona Admar Gomes.   Eram    duas Escolas  que  ficavam  situadas  na Rua Marechal  Floriano.
Além dessas,  existia mais uma localizada  na Rua José Carlos Moreira cuja proprietária era Dorinéia   Moreira. Todas muito respeitadas porque eram, realmente,   responsáveis e competentes. 
       No Centro Social São Francisco de Assis  pertencente  à Matriz de Santo Antônio de Miracema,  também,  tinha uma turma que recebia  aulas ministradas pela inesquecível mestra   Nardelle dos Santos Soares. Funcionava numa sala especial que abrigava várias máquinas. Testemunhamos tantos jovens desejosos de  um fortalecimento maior para que pudessem penetrar no mercado de trabalho. Esse relato  lembra a todos que fizeram parte desse nosso tempo que os ensinamentos dessa mestra  iluminaram   a estrada de inúmeros alunos  que lá concluíram o Curso de Datilografia.
      As Máquinas de Escrever têm  hoje  um lugar reservado para elas:  O Museu.  Elas serão visitadas, olhadas como instrumentos  obsoletos, engraçados,  parte de um passado que se foi, mas  tratadas como gloriosas anciãs que receberam a merecida aposentadoria.
      No  lugar desses  aparelhos, os  computadores ocuparam  todos os  espaços: nas famílias, nas Escolas, lojas, escritórios e em outros lugares que necessitam desse tipo de mecanismo. O progresso veio oferecer inúmeros recursos que facilitam de uma  maneira extraordinária e de rápido desempenho qualquer atividade relacionada à escrita.
      O valor não está no tempo em que as Máquinas de Escrever permaneceram, mas na profundidade  com que  elas fi caram na vida de cada um que aprendeu a manejá-las e utilizá-las como instrumento de trabalho
.

 
  

               Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
               após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
               fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

 

          Ultimamente tenho acordado de madrugada. Fato que não ocorria com fre-
quência.
    Não sei se pela angústia de uma possível cirurgia cardíaca que se vislumbra
ou se, apenas, a ansiedade que trago dentro de mim.
     Nesses momentos de insônia, ando pela casa e o pensamento desorganizado viaja por episódios vividos recentemente ou vai alcançar outros sítios guardados na lembrança. Passo pelo leito vazio e aconchegante, oferecendo-se ao meu corpo cansado e indormido. O temor de permanecer acordado, após me deitar, faz-me recusar o reclamo da cama. Voltam as lembranças. Umas próximas, outras distantes. Nesse caleidoscópio mental, sem ordem ou lógica, os fragmentos da memória, aleatoriamente, repassam épocas e fatos. Aqui e alhures, infância, adolescência e vida adulta. Trabalho, viagem, conversas, dúvidas, aborrecimentos e alegrias. Lembro, então, que tenho médico marcado. Será necessária a cirurgia? Se for, negociarei com o médico, e deixar para depois do carnaval. Nada é pra já. Afi nal, a espera é no máximo de um mês. Vejo o dia clarear. Dirijo-me até a porta, apanho o jornal e dou início à rotina matinal, preparando-me para o trabalho, sabendo que terei, antes, de passar no médico, convicto de que, cirurgia, somente depois do carnaval passar.
                                                                           José Geraldo Antonio
Em tempo:
Esta crônica foi escrita antes do carnaval que passou. Não houve necessidade
de cirurgia, porém, sofri a imposição de uma dieta que frustrou o meu carnaval.
Agora, só no próximo ano.

 

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