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Presença
Ao lado de uma vida sempre existe uma presença porque nossa vida só se torna vida quando é preenchida pela existência de alguém. Nada substitui uma presença. Sem essa realidade nós nos tornamos incompletos, solitários. Isso acontece quando os nossos momentos não são percebidos, compartilhados, ajudados por aqueles que deveriam ser parte integrante do nosso universo. Uma presença revela sempre um jeito sereno, calmo, sincero, alegre, tornando-se a artista principal do filme que é rodado junto com a nossa história. Ela se torna a essência espiritual, imprescindível e sempre percebida nas cenas do nosso cotidiano. A ausência se torna presença quando o que fica em nós é a própria alma incorporada, interiorizada numa expressão, numa flor, num objeto, num perfume ou numa doce canção. Tudo passa a exercer um fascínio indescritível, registro que aquece e traz para dentro de nós a presença que desejamos. É o momento em que nos faz renascer e sentir, mesmo na ausência, o outro por dentro como um raio X de sua alma. Visualizamos assim, os seus sentimentos, qualidades ou, até mesmo, os defeitos que são logo perdoados e esquecidos. Essa presença nos devolve um delicioso frescor que invade fielmente o nosso tempo, exorcizando as angústias, recobrando o brilho que já não transparecia em nosso olhar. Torna-se força em nossa caminhada que prossegue no silêncio da infinita saudade que dói, mas traz os fatos felizes para dentro de nosso interior. Quantos não se tornam presenças na vida do outro! Tornando – o um ser invisível, despercebido e a merecida resposta para essa pessoa poderá ser a solidão. Não reconhecem que a existência se torna esperança, fé aberta quando alguém faz parte de suas vidas. O comparecimento amigo, concreto ou espiritual, nos fascina e nos oferece uma experiência maravilhosa de que uma pessoa sempre se apresenta de coração desarmado nos fazendo acreditar neste célebre pensamento: “Mais vale uma ausência presente do que uma presença ausente”. Uma rosa sempre perfuma a vida de todos os que se fazem presentes de alguma forma, na vida de alguém.. Ela é hoje oferecida a você, que está sempre ao lado de sua família e de seus amigos em qualquer tempo: alegres ou tristes.
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AUNUCIE NO JORNAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO TEL: 9909 6269 | |
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Editorial
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Fortaleza
As pedras que emergem dos leitos dos rios dão vida às cachoeiras. Elas não se importam com os tapas, com as batidas provocadas pelas correntezas das águas que passam grosseiramente, mas elas se conservam no mesmo lugar. Quando tocadas, o barulho aumenta de acordo com o volume da água que tenta empurrá-las, mas não consegue porque estão firmes e se conservam de pé, corajosas, imbatíveis, símbolo de fortaleza, enfrentando com serenidade os empurrões que os momentos lhes oferecem. As cachoeiras chegam a um estágio de sensual beleza, mostrando traços de criatividade em seu principal trunfo que é o espetáculo que deixa para trás. Em sua caminhada levam a solidão, o silêncio, a luz ou a treva. Libertam poesia para os que registram com o olhar todo o sabor de apreciar a fortaleza das pedras e os obstáculos vencidos pelas águas. É a descoberta da arte simples das correntes sonoras que libertam situações tranqüilas, românticas, solitárias ou, às vezes, estrondosas, ensurdecedoras. Elas seguem barulhentas, pintando, às pressas, os sonhos refletidos pelos raios do sol ou do luar, gotas de chuvas ou de orvalho que fazem dos leitos dos rios os seus colchões preferidos. Nossas vidas, às vezes refletem esses momentos representados pela natureza: as águas, as pedras no caminho, os contrastes... Quantas vezes vivemos na tranqüilidade e não supomos nem por um momento que as águas da vida poderão, sem dó, bater em nosso corpo, em nossa alma, para machucar inesperadamente o nosso interior. Para contrabalançar o cenário, em outros tempos as águas dos acontecimentos seguem numa viagem acolhedora, mansa, silenciosa, materializando as nossas utopias, fazendo-nos acreditar que Deus está sempre por perto, trazido pela fé. O que nos levam a perceber a sua miraculosa presença nos rios que fazem parte de nossa existência. São nos momentos difíceis que podemos afirmar: “Só existe luz na cruz, quando nós a olhamos em paz”. Se nós a aceitamos, ela se torna silenciosa como os rios tranqüilos que roçam suas águas suavemente nas pedras. E, assim, mesmo na dor, não percebemos as águas que chegam de repente e batem em nossas costas de um modo violento, agressivo, sem pena e sem dó. São em nossos piores acontecimentos que nos transformamos em fortaleza, porque Deus é a nossa força. | |
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Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss) | |
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SAUDADE
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Todos os idiomas reservam uma ou mais palavras, mantendo-as exclusivas do vernáculo, sem qualquer correspondência literal na sua tradução para outra língua. Talvez seja uma defesa para não perder a identidade e, assim, conquistar a perenidade diante das mutações culturais dos povos. No português, essa palavra chama-se SAUDADE. Nenhuma outra língua tem em seu vocabulário uma palavra literalmente correspondente. A origem do latim solitate não descaracteriza sua exclusividade no português, posto que literalmente não se identificam, como ocorre na soledade do espanhol que representa a solidão no português. Mas, na exclusividade idiomática, o que significa saudade? Nos dicionários, é a “lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las” (AURÉLIO) ou um “Sentimento mais ou menos melancólico de incompletude ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável.” (HOUAISS) Todavia, a definição gramatical da palavra saudade não exaure o significado do sentimento que ela traduz nas invocações poéticas, quer na literatura, seja no cancioneiro brasileiro.
“Oh! que saudade que eu tenho Da aurora da minha vida...” “Saudade palavra triste, Quando se perde um grande amor...” A saudade é a dor ou o sofrimento pela perda de algo ou de alguém. É também a alegria de uma grata lembrança, que faz reviver momentos felizes e depois se transforma em melancolia, por se saber que nunca mais voltarão. Saudade é nostalgia que muitos curtem como alimento da alma. “Você é a saudade que eu gosto de ter, Porque só assim sinto você Bem perto de mim outra vez” “Saudade mata, é verdade, Mas dessa morte eu me esquivo, Como morrer de saudade, Se é de saudade que eu vivo?!”
Essa última quadra é bem sugestiva, porque foi construída pelo Professor e Poeta Osmar Barbosa, para a aguardente engarrafada pelo árabe Saliba, nos idos de 1950 em Miracema, cujo nome era SAUDADE. Entretanto, de todas as saudades, há aquela que dói, corrói e frustra. É a dos momentos não desfrutados. É a do tempo distante que se quer refeito, como se o bonde da vida passasse duas vezes pela mesma estrada. É a saudade do que não se fez no momento em que deveria ser feito e se torna real somente na imaginação. Reconstrói, então, um passado não experimentado e cria a lembrança de um lugar não visitado ou de um romance não vivido.
José Geraldo Antonio | |
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