Pág.3-Nº138-Mai/11
              

 

 

      

 

                                  Minhas Mãos 

   Orientadas pelos meus olhos, guiadas pelo meu cérebro, companheiras
fi éis, perfeitas e obedientes às minhas vontades, obrigado por existirem. O
que seria de mim sem vocês?
    Ah! minhas mãos de recém-nascido no colo de mamãe, movimentando-
se desordenadamente na direção do rosto daquele anjo que me dedicava
tanto amor! Mãos com as quais aprendi a pegar na mamadeira, na chupeta
e brincar. Que me permitiam  segurar  as mãos dos meus pais pedindo  a
bênção, que me ajudavam a engatinhar, a agarrar os objetos para conhecê-
los.
   Ah! Minhas mãos postas nas orações noturnas, que enlaçavam o pesco-
ço de meus irmãos em abraços de amor. Que seguraram o primeiro lápis
orientado  por minha  professora  das  primeiras  letras  – minha mãe. Que
davam parabéns sinceros.
   Ah! Minhas mãos agarradas às pernas de meu querido pai, imorredoura
saudade, quando conversava com os amigos e me deixava de lado. Que do
ônibus acenaram para ele no adeus defi nitivo quando da praça me seguia
com olhos tristonhos na despedida que seria eterna, pois não o veria mais
com vida, que não puderam resgatar minha mãe em seu último momento! 
   Ah! Minhas mãos que consolaram tantos no fi m de suas vidas, transmi-
tindo fé e calor humano tentando descobrir a origem de dores e sofrimen-
tos na tentativa de aliviá-los; mãos que pediram paz e ajuda divina quando
se  esgotavam  os  recursos  de  que  dispunham. Que  nunca  se  levantaram
para agredir. Que mentiram muitas vezes para não tirar a esperança dos pa-
cientes, que sempre procuraram acalmar os ambientes e consolar os afl itos.
Que assitiram tantos choros comovidos nos nascimentos e tantos prantos
de desespero nos desenlaces!
   Ah! Minhas mãos que assinaram angustiadas  tantos atestados de óbito
rezando  preces  para descanso  eterno daquelas  almas; que  seguraram  li-
vros  até  alta madrugada  e dissecaram  tantos  corpos desconhecidos para
manejar com destreza o bisturi. Que concederam tantos favores e negaram
tantos outros por absoluta impossibilidade. Que prometeram e cumpriram
quando possível. Que deram boas vindas e que despediram. Que oferece-
ram muito e muito não puderam dar.  Que tantas vezes foram injustamente
humilhadas mas nunca desistiram! Que salvaram dirigidas por Deus!
     Ah! Minhas mãos que angustiadas afagaram crianças,  jovens e velhos
nas suas agonias. Que se curvaram para erguer tantos desesperados. Que
apludiram e apuparam. Sempre estendidas para os cumprimentos e reco-
lhidas quando desprezadas. Que trêmulas de emoção abraçavam toda mi-
nha família. Que trouxeram meus fi lhos e dois netos à vida!
   Ah! Minhas mãos que vão sendo paulatinamente consumidas pelo tem-
po, perdendo o viço e o brilho que se apagam lentamente e já não possuem
tanta fi rmeza, tanta resistência, tanta força...
    Ah! Minhas mãos com as quais ainda posso abençoar meus fi lhos e meus
netos com um armor sempre renovado, abraçar toda minha família, cum-
primentar meus amigos que  são muitos,  levar fl ores ao  túmulo de meus
pais...
   Ah! Minhas mãos, eternas e dedicadas companheiras, tantas vezes elo-
giadas, tantas vezes desprezadas, tantas vezes acusadas injustamente, tan-
tas vezes incompreendidas, um dia vocês repousarão cruzadas sobre o meu
peito, protegendo meu coração e guardando nele perene saudade de meus
familiares e de meus amigos pela eternidade.

             

 

  

   - O amor e a verdade são as forças mais abstratas e mais poderosas
desse mundo.
                                                                                          
(Mahatma Gandhi).
   - Ligue-se ao pensamento de bondade e amor e vencerá todos os
obstáculos.
                                                                                            (Tor-
res Pastorino)
   - Saudemos a cada novo dia com alegria e esperança porque ele nos
chega como um presente de Deus.    (São Francisco de Salles).
   - Deus colocou algo de nobre e bom dentro de cada coração que a
Sua mão criou.
                                                                                            
(Mark Twain).
   -  O que você tem capacidade, tem capacidade também de não fazer.
                                                                                             
(Aristóteles)
- O  Deus que nos deu vida deu-nos, ao mesmo tempo, liberdade.
                                                                                             
(Jefferson)

               



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