Pag.3-Nº126-Maio/10
              

 

ANALFABETISMO E POBREZA

"Um país se faz com homens e com livros " – Monteiro Lobato

 

     Quem não sabe ler vive nas trevas, estaciona no tempo e fica restrito a ideias primitivas. As trevas do analfabetismo dificultam o desenvolvimento do indivíduo em qualquer atividade. Quem lê mal não interpreta o que lê e a leitura não faz sentido. Quem lê e não interpreta é um analfabeto funcional, não aprende a raciocinar, não absorve conhecimentos, habita um mundo limitado, dificulta o progresso de sua comunidade, a paternidade se torna irresponsável e repetitiva, a instrução dos filhos é deficiente ou nenhuma, ganha pouco e não tem poder de compra. Quem não tem poder de compra não movimenta as lojas de departamentos e o comércio não vende. Se o comércio não vende não compra das fábricas, estas não produzem e fecham as portas causando desemprego, carência, e as maiores das indignidades – a fome, o aumento da mortalidade infantil, a mendicância, o desespero. No desespero perde-se a fé em Deus, há irracionalidade, revolta e tumulto, agonizando a esperança. Sem esperança o indivíduo se vê absolutamente só e desamparado, entra num profundo estado de desorientação, gasta seus parcos tostões tentando ganhar nas loterias ou é enganado em sua inocência pelas palavras envolventes dos aproveitadores da crendice popular, os falsos profetas que prometem o céu na terra, que fazem supostos milagres "em o nome de Jesus". Ou partem para o desespero maior: o latrocínio, que é a brutalidade mais covarde, assalto com morte de chefes de família ou jovens em idade produtiva por motivos muitas vezes banais. Com o assassinato dos chefes de família aumenta a orfandade, multiplica-se a infância desvalida e multidões de crianças esmolando são adotadas por traficantes, jogadas no vício e na indigência. Se há crianças indigentes perambulando pelas ruas fica comprometido o futuro do país e surgem as comunidades de miséria e insalubridade. Se há insalubridade há doença. Na doença há sofrimento e procura de socorro. Quem procura socorro e não tem recurso para comprá-lo tem que dormir nas filas dos hospitais, aceita a pobreza como obra do destino, fica desmotivado e angustiado num mundo que não lhe deu oportunidade, passando pela vida sem viver. Quem apenas passa pela vida é um coitado e vive de biscates. Quem vive de biscates habita embaixo de pontes, viadutos, encostas de morros e sobrevive da caridade alheia. Quem vive da caridade alheia alimenta-se de restos de comida doados por almas caridosas ou cata no lixo, não tem residência fixa, não possui parede ou teto que o proteja das intempéries e nem mesmo um leito para repousar seu corpo sofrido, os dias se sucedem numa rotina desesperadora e torna-se um grave problema social nos ombros da sociedade trabalhadora, sem noção de direitos e deveres. Quem não tem direitos e deveres não é cidadão, é um excluído e não sabe questionar. Quem não sabe questionar não pode concluir. Quem não pode concluir não se posiciona. Quem não se posiciona não sabe opinar, não lidera, não contribui, não acrescenta, não colabora com o meio em que vive, não reivindica, vira moeda de troca nas mãos dos políticos, é explorado por patrões inescrupulosos, fica dominadoe não se impõe. Quem não se impõe não se destaca, não é citado nem deixa seguidores. Se não deixa seguidores é porque não plantou ideias, não deixou exemplos ou obras escritas porque não sabia escrever. Quem não sabia escrever é porque não aprendeu a ler. E quem não aprendeu a ler viverá sempre nas TREVAS DO ANALFABETISMO E NA POBREZA.

             

 

 

- Dize-me que homens honras, e te direi que espécie de homens és. Pois assim revelas o ideal que te atrai e que homem anela ser. (Thomas Carlyle)

- A melhor definição do homem: é um ser que se habitua a tudo. (Dostoievski)

- Aquele que sabe se desculpar, geralmente não sabe fazer outra coisa. (Benjamim Franklin)

- Só as mentes pequenas são afetadas pelas coisas pequenas. (Benjamim Disraele).

               

                       

Súplica à Rainha das Mães



Sois "Espelho de Justiça"
que o nosso refúgio abraça.
A força que vence o mal
nossa aliança e amparo
sois "Mãe da Divina Graça".
Sois "Estrela da Manhã"
e confirmando este brilho
o mundo contemplará.
Conservai nossa alegria
de crermos na profecia
de estarmos juntas um dia
Maria triunfará.
Rainha dos "Patriarcas"
de toda a família esperança
tornai-nos com vossa graça
merecedores de bênçãos
de vossa luz semelhança.
Oh! Santa Virgem das Virgens
impossível definir
o encanto do vosso olhar.
Mãe, que queremos tanto
e, cada vez mais te amar.
Mãe"Auxílio dos Cristãos"
"Sede da Sabedoria"
espalhai vossa clemência
sobre o mundo conturbado
sobre o sangue derramado
perfumai-nos vossa essência.
Fazei que cada um de nós
habite o vosso coração.
E sob o manto sagrado
esperamos proteção.
Emprestai-nos a esperança,
desviai-nos dos tropeços,
levai-nos à salvação.
"Venerável Prudentíssima"
sois a "Torre de Marfim".
Aumentai a nossa fé,
tornai-nos o vosso espelho
mostrai-nos razão e fim.
Em meio ao júbilo estaremos
envoltos por vosso véu.
Assim palmilhando juntas
rumo ao caminho de Deus.
Eu, vossa serva rogando
Vós a todos perdoando
"Maria, Porta do Céu"! 

     Nesse momento em que faço a recomposição de trechos da Ladainha de Nossa Senhora, me vem à lembrança a dor recente de um coração de mãe,exemplo de fortaleza e fé que é a nossa Ricarda. Ela possui em nosso meio, a polidez necessária para um belo convívio: delicadeza, traquilidade, discrição, lucidez de espírito, serenidade, sensatez, ajustando-se ao nosso dia a dia, tornando evidente a sua harmoniosa postura.
    Não tenho direito de medir o seu sofrimento. Só sei que ele é demonstrado ponderadamente, com muita fé. Essa sua força é simplesmente seu brilho incontestável. Somente posso imaginar suas dores e dizer que ela tem o direito de sofrê-las como, e quanto quiser. E pensando como são vividos esses momentos me veio a inspiração.


Dores

As minhas dores são as minhas dores
Não adianta você não as conhece.
Nem queria conhecê-las tanto
Se são só minhas, ninguém as padece.
Se lhe dissesse que não as possuo.
Mentindo estava fingindo seria
Questioná-las, portanto, se elas são tantas
Só somam mágoas tristes agonias.
Evitá-las! Ai! Se assim pudesse
Em grande festa se resumiria
Saltava dias apressava datas
Marcava a hora Aconteceria!
                                                        



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