Pág.6-Nº138-Mai/11

 

 



                                                         
FALANDO COM COM O CORAÇÃO
 
                                Eunice Garcia do Carmo
     
                                                                                                       



  A chegada do outono  

                                           

 As águas de março partiram anunciando
o fim de mais uma estação.
Eis o outono que chega trazendo consigo o vento,
ora fresco, ora quente, jogando as folhas
caídas das árvores por toda parte.
Elas se espalham pelo chão, pelas alamedas,
sob as árvores, nos caminhos, nos pátios,
enfi m por todo o lado, tornando tudo colorido
pelo sol que ilumina as gotinhas de orvalho
espalhadas sobre as folhas refletindo nuances
coloridas como num arco-íris formando um
 imenso tapete por onde passamos.
O vento sopra e vai levando as folhas que vão
dançando  pelo ar, num doce bailado.
Tudo isso é lindo, mas muitas
vezes a pressa, não nos permite vivenciar e nos
deslumbrar diante da beleza dessa estação
que se confunde muitas vezes,
  com os sentimentos humanos, despertados
pelo cheiro doce espalhado no ar.
Algumas folhas ficam voando ao sabor dos ventos,
 mas acabam caindo no chão frio e úmido,
  se juntando  a milhares de
 outras folhas que vão se decompor, dando inicio
a mais um ciclo da natureza.
Nós também passamos pelo outono da vida e isso nos leva
a refletir e comparar nossa vida com a das folhas.
Não transforme essa estação em dias de tédio,
nem melancólicos. Seja criativo e corajoso!
Transforme suas metas em realidades.
Descubra a alegria nas pequenas
coisas. Encontre-se consigo mesmo.
Seja como aquela folhinha solta, que teima em
não cair depressa, levada pelo vento.
Continue a bailar ao sabor dos ventos da vida
até não ter mais jeito ...

                                                                                                                                                                 

                       
 

 
                                                                          LARIM

 ...Continuação
         Larim  sentiu  que  não  estava  na  Praça  Paris  - Méier  e  sim,  na  Praça  Paris-Bocas do Mato.  E  onde  fica  isso?  Pensou. Veio  o medo  de  saltar  dois  ou  três minutos depois da arrancado lotação para direção e multidão tão desconhecidas.
Foi ao condutor e perguntou se o veículo voltaria à cidade. Resposta seca e negativa: Não. Doonto  final  para  a  garagem. Desespero maior. Boca  do Mato, onde  fica  isso?  Perguntou  a  si mesmo. Mas  sentiu  que  o  lotação  caminhando em direção ao Subúrbio da Central, fazendo alguns lances, vindo a linha férrea, como era costume ver ônibus e  lotações  fazendo pelo  lado direito da  linha Férrea. Pensou: Boca do Mato deve  ser Subúrbio da Central. Acostumado a viajar sempre fazendo Maracanã – Méier com 32 minutos. Juro que o ocorrido deixou o campo das simples coincidências, atingindo, parece, um  fato miraculoso. Decidiu Larim  saltar  em qualquer  lugar, quando  transcorresse o mesmo  tempo de 32 minutos, e pensou: pulo de olho  fechado, não  importa onde. Se eu merecer, Deus me  segura.  Estou  perdido,  não  procuro  caminho,  vou  em  frente,  agora  é com Ele,  e  saltou  sem  saber  onde  estava  já  perto  de  0  hora. Rua  escura,  lugar desconhecido, chuva e alguns beberrões, saindo abraçados de um botequim, comemorando,  talvez,  Santos  4  x  2  sobre  o Milão. Medo! Medo!  E Medo!  Peguntar  a quem? A ninguém. Se  abrisse  a  boca, o  coração  pularia  para  fora. De repente, ele encontra um enhor, com aquele aspecto sereno de quem caminhava na paz de Cristo. A confiança o socorreu. Diálogo rápido, direto. Larim com voz embargada: - Amigo, estou precisando do Senhor. Eu estou na Boca do Mato? – Não. Você está no Méier. Você está querendo  ir exatamente para onde? – Praça Castro Alves, o Méier. – Aí vem um bonde que te leva até o Viaduto, bem perto da  Praça.  Tomaram  bonde  em  direção  ao Viaduto  do Méier. Quando  o  senhor perguntou  o  que  estava  acontecendo  e  de  onde  era  Larim.  Este  contou  todo  o ocorrido e que era de Miracema, aí os dois se emocionaram, pois o senhor disse ser miracemense e da Rua do Café e  irmão de um vizinho do Larim, o cidadão perdido. Despediu-se do desconhecido com  lágrimas e  lágrimas muito sentidas. A  emoção  não  permitiu  que  ele  perguntasse  o  nome  do  estranho  amigo,  o  que veio saber ao chegar a Miracema, não tendo sido possível agradecer, nem mesmo com  um muito  obrigado;  não  conseguiu  nem  o  endereço  do  enviado  por Deus, pois os parentes aqui, também já não sabiam do paradeiro do irmão do Pedreiro Zé Barbudinho. Confessa que até hoje não entende porque não saltou do lotação quando sentiu o engano, preferindo aquele rumo estranho, dando um verdadeiro salto no escuro. Obra do medo da estranha multidão. Afirma que seu lado solidá-rio ganhou e muito com os fatos. Perguntado se valeu a pena o passeio, disse que sim, porque se sentiu um privilegiado com a presença de Deus, em uma cidade com milhões de habitantes, ele sob todos os riscos, a um passo do desespero, só arriscou  a  se  aproximar  de  uma  pessoa,  esta,  além  de  boa,  era  de  sua  cidade  e de  sua  rua  e  tinha o  tesouro de  sua  aventura, o  caminho que procurava. O  fato assustou, entretanto enriqueceu o repertório já bem vasto do palhaço de folia, do cantador, mestre Larim, líder comunitário, o homem de Deus, como é chamado.         
                                     (continua)

 

 


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