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LARIM
...Continuação Larim sentiu que não estava na Praça Paris - Méier e sim, na Praça Paris-Bocas do Mato. E onde fica isso? Pensou. Veio o medo de saltar dois ou três minutos depois da arrancado lotação para direção e multidão tão desconhecidas. Foi ao condutor e perguntou se o veículo voltaria à cidade. Resposta seca e negativa: Não. Doonto final para a garagem. Desespero maior. Boca do Mato, onde fica isso? Perguntou a si mesmo. Mas sentiu que o lotação caminhando em direção ao Subúrbio da Central, fazendo alguns lances, vindo a linha férrea, como era costume ver ônibus e lotações fazendo pelo lado direito da linha Férrea. Pensou: Boca do Mato deve ser Subúrbio da Central. Acostumado a viajar sempre fazendo Maracanã – Méier com 32 minutos. Juro que o ocorrido deixou o campo das simples coincidências, atingindo, parece, um fato miraculoso. Decidiu Larim saltar em qualquer lugar, quando transcorresse o mesmo tempo de 32 minutos, e pensou: pulo de olho fechado, não importa onde. Se eu merecer, Deus me segura. Estou perdido, não procuro caminho, vou em frente, agora é com Ele, e saltou sem saber onde estava já perto de 0 hora. Rua escura, lugar desconhecido, chuva e alguns beberrões, saindo abraçados de um botequim, comemorando, talvez, Santos 4 x 2 sobre o Milão. Medo! Medo! E Medo! Peguntar a quem? A ninguém. Se abrisse a boca, o coração pularia para fora. De repente, ele encontra um enhor, com aquele aspecto sereno de quem caminhava na paz de Cristo. A confiança o socorreu. Diálogo rápido, direto. Larim com voz embargada: - Amigo, estou precisando do Senhor. Eu estou na Boca do Mato? – Não. Você está no Méier. Você está querendo ir exatamente para onde? – Praça Castro Alves, o Méier. – Aí vem um bonde que te leva até o Viaduto, bem perto da Praça. Tomaram bonde em direção ao Viaduto do Méier. Quando o senhor perguntou o que estava acontecendo e de onde era Larim. Este contou todo o ocorrido e que era de Miracema, aí os dois se emocionaram, pois o senhor disse ser miracemense e da Rua do Café e irmão de um vizinho do Larim, o cidadão perdido. Despediu-se do desconhecido com lágrimas e lágrimas muito sentidas. A emoção não permitiu que ele perguntasse o nome do estranho amigo, o que veio saber ao chegar a Miracema, não tendo sido possível agradecer, nem mesmo com um muito obrigado; não conseguiu nem o endereço do enviado por Deus, pois os parentes aqui, também já não sabiam do paradeiro do irmão do Pedreiro Zé Barbudinho. Confessa que até hoje não entende porque não saltou do lotação quando sentiu o engano, preferindo aquele rumo estranho, dando um verdadeiro salto no escuro. Obra do medo da estranha multidão. Afirma que seu lado solidá-rio ganhou e muito com os fatos. Perguntado se valeu a pena o passeio, disse que sim, porque se sentiu um privilegiado com a presença de Deus, em uma cidade com milhões de habitantes, ele sob todos os riscos, a um passo do desespero, só arriscou a se aproximar de uma pessoa, esta, além de boa, era de sua cidade e de sua rua e tinha o tesouro de sua aventura, o caminho que procurava. O fato assustou, entretanto enriqueceu o repertório já bem vasto do palhaço de folia, do cantador, mestre Larim, líder comunitário, o homem de Deus, como é chamado. (continua)
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