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O olhar carrega as emoções do momento. Quando encontramos com uma pessoa, o nosso olhar como um ímã, busca imediatamente o do outro que chega, que passa ou vem ao nosso encontro. Do seu interior reflete a verdadeira sinceridade. Existe o olhar que brilhando cativa, alegra, contagia e uma força simpatizante é despertada. Um glorioso punhado de vida se faz morada naquela simples e maravilhosa expressão que cintila como uma estrela feliz. Em contraste, nos deparamos com aquele que demonstra desconsolo e fragilidade. Sentimos que a fala se afoga na garganta, consequência das marcas deixadas por um acontecimento indesejado. A dor sentida penetra, contagiando-nos e nos deixando, também, entristecidos e mergulhados nas trevas existentes naquele olhar. Muitas pessoas guardam na memória palavras que foram ditas para alguém que não merecia as acusações, as blasfêmias proferidas sem medir as consequências. Naquele momento, o silêncio seria a melhor arma e também o marco para que não houvesse, depois, o terrível arrependimento. Nesse caso, a que ofendeu, prefere baixar os olhos, não enfrentar o olhar daquele que foi ofendido, machucado por ela. Quem não recebe o seu olhar fica pensativo: Por que esse alguém praticou essa atitude impensada? Por que preferiu colocar a sua vaidade acima de todas as coisas? Por que preferiu negar, atrapalhar um trabalho realizado? Por que usou a sua inteligência e posição para derrubar uma realização, um trabalho, uma conquista. Não pensou e agora carrega o arrependimento do golpe praticado. O olhar não guarda segredos. Quando se pratica o mal ele revela o mal, mas quando se pratica o bem, todos passam a trilhar dentro de um relacionamento saudável entre os olhares que cintilam felicidade. Nossa rosa de hoje é colocada dentro do seu olhar. Não importa se ele hoje transmite tristeza, alegria ou arrependimento. Nesse caso, nasce a certeza de que você não baixará o olhar para aquela pessoa que amargamente ofendeu. Caso contário, acredite! O perdão existe. Ricarda Maria |
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AUNUCIE NO JORNAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO TEL: 9909 6269 | |
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Editorial
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Minha Janela
De onde eu trabalho, se a janela está semiaberta, observo de uma fatia do espaço que fi ca imprensada entre a pilastra e a parede da varanda, um pedacinho da Praça Ary Parreiras. Não canso de descobrir naquele cantinho surpresas e mais surpresas. É um universo sempre novo que vasculha dentro das minhas reservas emocionais as recordações guardadas a sete chaves. Uma bandeira da janela sempre continua aberta. Debruço em seu parapeito e vejo o corpo da Praça. Percebo que as árvores recentemente plantadas, estão engatinhando para se tornarem adolescentes e, com o passar do tempo, se tornarão adultas. Elas terão o corte de suas folhas que lhe dará as feições de suas irmãs que residem pertinho, na Praça Dona Ermelinda. São lindas! Quanto mais velhas mais joviais, mais verdinhas, cheias de vida. Quando abro totalmente a janela é o próprio céu em minha vida! A Praça me oferece um sorriso de hospitalidade e a todos que por ela passam. Gosto de olhar a Praça. Lá está o coreto revelando detalhes de uma época. Nele estica a permanência dos anos que se foram, mas que se transformaram em saudade dentro daquela exuberante caixa. Poucas casas guardam o antigo estilo, misturando-se com o moderno, mas nada quebra a magia do ambiente que continua com o seu silêncio invadindo outras gerações. Fecho os olhos e abro a janela da minha alma. Cada amanhecer uma nova luz, cada entardecer uma nova oportunidade para buscar o belo. O anoitecer continua me oferecendo o sabor da realidade poética e, assim, deixa-me seduzida pelos seus encantos para admirar o luar que deita na simplicidade das nossas palmeiras.
Ricarda Maria | |
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Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss) | |
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A flor do ipê
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Quando resolvi publicar no Liberdade de Expressão o texto sobre a criminosa derrubada do Ipê Amarelo, não imaginava pudesse um dia reviver a realidade visual daquele exuberante colorido. Qual não foi a minha alegria e felicidade em ouvir da Ricarda a auspiciosa notícia: o Ipê brotou. Do seu destroçado tronco renasceu e fez ressurgir a flor amarela. Essa foi a informação passada pela dedicada Lia Márcia, sobrinha da Professora Áurea Bruno. Certamente, com o passar do tempo, o IPÊ se erguerá altivo e suas flores vivas voltarão a dourar o sol de setembro em Miracema. Contrariamente ao que vaticinei no meu texto, o tronco do ipê brotou. Que maravilhoso equívoco! O amor é tão forte, que é capaz de construir novas realidades e arrancar da morte a própria vida, trazendo contentamentos aos que têm os olhos voltados para o belo. Miracema voltará a viver a alegria primaveril com o exorcismo do cinzento que enlutava o setembro da cidade. A saudade manifestada, quando da derrubada da árvore, pela Professora Solange Moreira (alma gêmea de Áurea Bruno, ambasresponsáveis pela formação de mentes sadias de várias gerações de seus alunos), já não será de perda, mas de recordações de uma infância feliz. Vislumbro a saudosa Professora, na sua existência cósmica, sorrindo a contemplar do reino espiritual em que vive o renascimento do Ipê Amarelo. A natureza é tão pródiga com esta terra que trouxe de volta o Ipê Amarelo. Que não ousem os governantes insensíveis, ou qualquer viajante do mal, destruí-lo novamente, porque, agora, não só a voz e a coragem da Professora Áurea Bruno se erguerão para impedir o ignominioso ato, mas, também, todos nós que aprendemos a lição por ela ensinada iremos reagir e, além da força moral, invocaremos o rigor da lei para punir esses destruidores da natureza.
José Geraldo Antonio
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