Pág.3-Nº119-Out/09
              


 

                      O PRANTO DOS INOCENTES

       Separados, casamento desfeito, vão caminhar pelo mundo para uma
nova vida, novos amores. Saíram, encostaram a porta simplesmente e
nem olharam para trás. Procurariam esquecer o passado onde o amor começou.
A porta fechada ocultava a antiga vida na esperança de uma nova
cheia de alegria. Juntaram tudo apressadamente. Não olharam e nem
se importaram com o destino daquelas fi gurinhas ao seu redor, aqueles
frutos ainda verdes que foram gerados na emoção do amor e que nada
estavam entendendo.
Saíram separados, encostaram a porta e nem olharam para trás....
Parecia fácil, simples. Mas não era bem assim! Nunca mais o calor
amigo, as carícias trocadas á média luz, a intimidade, a doação! O que
seria daqueles frutos que brotaram do desejo, que precisavam do orvalho
do amor, do sol da esperança, da palavra “meu fi lho”, da presença,
do apoio, da proteção, do colo, do abraço, do beijo, do aconchego, das
histórias contadas para dormir e de quem os ensinassem a andar de velocípede
e de bicicleta ?
Saíram separados, encostaram a porta e nem olharam para trás....
Será que tudo se resumiria em apoio material, um presentinho e uma
visitinha de vez em quando? O que será dos avós, origem dos dois galhos
que agora feneceram e se dispersaram no ar como as areias do deserto
nas tempestades? Quanta angústia, quanto choro, quanta decepção!
Saíram separados, encostaram a porta e nem olharam para trás....
Restou um ar de espanto no olhar daqueles frutos e no silêncio eles
indagam:
- Por que isto? Não estamos entendendo! Pareciam tão amigos, tão
carinhosos... Passeávamos de mãos dadas, tomávamos sorvetes, ríamos
juntos, íamos ao parque, ao shopping. Adormecíamos nos seus colos, coçavam
nossas cabeças. Quantas vezes com medo do “bicho” dormíamos
agarradinhos neles. E agora? O “bicho” vai nos pegar? Vamos sentir o
frio das madrugadas? Quem vai nos ajudar nos nossos deveres escolares?
Como não sabemos nos expressar, só nos resta um olhar angustiado,
assustado, o choro fácil, a rebeldia, a falta de apetite, a tristeza, o xixi
na cama...
Na solidão das noites procuramos e não achamos vocês: - Onde estão
suas mãos? Dê-me as suas, Papai, dê-me as suas, Mamãe. Queremos segurá-
las. Encostem-nos os seus rostos, queremos beijar e abraçar vocês.
Queremos nos dependurar nos seus pescoços, e dizer: nós amamos vocês.
Papai, Mamãe, por que não respondem aos nossos apelos? Por que
este silêncio? Por que nos abandonaram? Vocês não nos amam mais?
Nós continuamos amando vocês, amando muito! Choramos um pranto
de amor, de saudade, de desespero, choro de crianças desamparadas, angustiadas,
com fome de carinho. Quem afagará nossos cabelos? Somos
crianças indefesas, precisamos de vocês juntos. Não queremos dinheiro
ou presentes, queremos vocês. Voltem! Ainda há tempo! Estamos esperando.
E nossos coraçõezinhos serão felizes novamente. Atendam nosso
derradeiro apelo: - abram a porta, entrem. Olhem para nós, peguem-nos
no colo, abracem-nos, enxuguem nossas lágrimas.
- PAPAI DO CÉU NÓS IMPLORAMOS, PROTEJA NOSSA MAMÃE,
PROTEJA NOSSO PAPAI, NÃO PERMITA QUE ELES SE ESQUEÇAM
DE NÓS.
Doze de Outubro – Dia da criança: desejo que Deus ouça estes apelos
e dê a todos vocês, crianças com lares desfeitos, proteção, carinho e todo
amor que o papai, a mamãe ou ambos lhes negaram.



             

 

“O grande defeito dos educadores é jamais se recordarem que também foram alunos”.

(Jacques de Larretele)

“O bom professor amplia os conhecimentos, a mente e o espírito”. (Anatole France)

“Quem abre uma Escola fecha uma prisão”. (Victor Hugo)

“O único objetivo legítimo do ensino é deixar o homem condicionado a interrogar”.

(Bshop Creighton)

“A criança necessita mais de exemplos que censura”. (Will Rogers)

“Enquanto permitirem que crianças sofram, não existirá amor verdadeiro no mundo”.

(Isadora Duncan)

“Uma criança adormecida é o espetáculo mais belo, mais terno e mais agradável que

pode ser oferecido aos olhos humanos”.

“Um bebê á a opinião de Deus que o mundo vai prosseguir”. Carl Sandburg)

Homenagem ao: “Dia da Criança” (12 de outubro), “Dia do Mestre” (15 de outubro).


 

               

                                                


                           Caverna Perigosa

 Cada mente humana parece ter dentro de si uma caverna escura onde permanece, como
morcegos pendurados de cabeça para baixo, algo misterioso nunca revelado, nunca demonstrado
e talvez, pouco perceptível à própria mente.
Às vezes, a pessoa por uma atitude inesperada solta os morcegos e, por outra ocasião os prende
cada vez mais, e a caverna continua infestada por asas negras, pontiagudas por toda a vida.
Uns insistem em nunca se livrarem da condição maligna de viverem na dependência
fantasmagórica dessa caverna. Outros se esforçam pela libertação. Uns conseguem ir um pouco
mais além, recorrendo a faxinas severas do ambiente, numa assepsia diária na tentativa de tornarem
esse lugar menos sinistro, para uma permanência mais cômoda e harmoniosa durante sua vida.
Ocorre que, algumas vezes, não está ao alcance de muitos, por este ou aquele motivo, galgar
esse patamar por precariedade de recursos desinteresse em lutar para entenderem esse processo
de mutação que polui a mente e enruga a alma.
Esta ineficiência nos incomoda, mas é certo: todos têm sua caverninha e lá está ela tentando
envolver em sua escuridão nossos medos, angústias e frustrações responsáveis pelo lado
desconhecido de nós, o lado que direciona as atitudes confusas e mesquinhas que, como flechas,
atingem outras pessoas e revoluciona o mundo para o mal
E lá vamos nós...

Minha Adequação.

Numa precaução inútil
De curar-me da doidice
De tornar-me resistente
A tudo que é pertinente,
Ideias extravagantes
Numa revolução constante
Que difere do certinho
Que diverge opiniões.
Me levando ao sofrimento
Numa carência adulta
Dissolvido os argumentos
Num destroço me enrosco.
Perpetuam diferenças
Por tornar-me mais confusa
Sou ponto de referência
De desconforto profundo.
Sempre desafiada
Contrariando o mundo.
Levada a necessidade
De recontar os meus erros
De retorcer meus projetos
De ajustar meus anseios
Que lá se vão pra mudados.
Repetitiva e cansada
Tenho que ser moldada.


 
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