Pág.2-Nº140-Jul/11

    Mês de julho, o frio penetra em nosso corpo e se não tivermos preparados com os cobertores da fraternidade ele invadirá a nossa alma e nos deixará sem forças para andar, caminhar e ficaremos congelados dentro do nosso próprio egoísmo. Continuaremos dormindo sem ânimo para abrir as janelas que mostram as belezas da vida. A serração encobrirá as palmeiras que moram nos jardins de nossos sonhos, bloqueará as nossas inspirações. A poesia desaparecerá, o verde não fará parte de nossos momentos e a esperança continuará escondida, oculta pela tristeza que o Inverno sempre nos oferece. Mesmo que o gelo passe a fazer parte de nossas entranhas, é preciso que esquentemos a nossa existência com o sol que vem do calor humano que brota de nossas famílias, vizinhos, parentes e dos amigos que deixam em nossas almas a luz, a claridade de um novo dia pleno de presença e de amizade.
    
Todos sabem que o Inverno é triste. As janelas conservam-se, à noite, fechadas e temos a sensação de vivermos numa cidade fantasma. Nas ruas desertas, até os paralelepípedos sentem falta de alguém que antes, junto a outros passos, seguia caminhando promovendo um gostoso bate papo.
      
É Inverno e, dentro desse frio desanimador, nossas mãos querem, desejam se aquecer não em lareiras ou fogões à lenha, mas na chama ardente que vem de outras mãos. Vem a certeza de que no Inverno miracemense o calor humano une as pessoas e as tornam mais contagiantes, mais amigas, mais serviçais. Tudo se aquece porque Deus está presente dentro de nós, agasalhando, acalorando, iluminando. Ele é o Sol maior. Na Sua presença há o calor que d’Ele vem. Não há Inverno para quem se cobre com o cobertor do amor.
     
Você que se preocupa com quem não tem um agasalho, um cobertor para cobrir o corpo à noite, receba o “Liberdade de Expressão” a nossa Rosa de hoje, exalando o perfume da fraternidade.

 

                           
             EDITORIAL

                                                              Ricarda Maria
 

        
                                      Dona Oraide

        Um tempo de tristeza e de saudade tomou conta de tantos ex-alunos que se sentem órfãos. Perda inestimável de uma grande Mestra cuja história é pautada não somente na luta pela educação de nosso Município, mas de uma vida de fé e fi delidade cristã.
     
Para todos os que passaram pela vida de Dona Oraide ela deixou um sorriso sereno, um olhar de ternura, palavras de fé, e o seu jeitinho de que tudo sabia, mas preferia ficar escondidinha em sua incrível humildade.
      
Em todos os espaços se posicionava de forma discreta, sóbria e na sua simplicidade demonstrava sempre sabedoria. Seu silêncio encantava a todos. Ouvia mais do que falava, mas quando oferecia a sua inteligente opinião ou o seu testemunho, exalava sinceridade, sabedoria sempre envolvida de discrição.
     
Sua vida sempre foi voltada para a Educação e para uma vida cristã sempre fervorosa e fiel às suas convicções relacionadas à fé, tendo como o segmento sincero e convicto às tradições da Igreja Católica. Ela é considerada um exemplo vivo de espiritualidade e fé.Conhecia profundamente todos os passos que a levariam, um dia, a Deus.
     
Todos os que fizeram parte de sua extraordinária vida, perpetuarão em seus corações a saudosa Mestra em todos os sentidos. Na eterna saudade residirá sempre a imagem de sua obra que continuará viva em todos nós.
      
É realmente uma perda inestimável dessa professora intelectual, cristã verdadeira e fiel amiga.
       Que a paz que Dona Oraide transferiu a todos permaneça em sua eternidade, na certeza de que a saudade continuará presa em mim, em vocês em todos nós.

 

 
  

               Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
               após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
               fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

 

       
                               “Vende-se um sonho”

    No dia 28 de junho passado fui à exposição (vende-se um sonho) do jornalista JOÃO BAPTISTA FREITAS, meu amigo de infância, de juventude e de sempre.
    Não só como amigo, mas principalmente como miracemense, senti um profundo orgulho de presenciar tão belo trabalho, testemunho de uma vida voltada para a exaltação e a defesa da natureza.
    Amante da natureza e intransigente defensor da sua preservação, BAPTISTA coloca na prática o sentimento ecológico que traz na alma, ao levar a todos os segmentos da sociedade o belo e artístico trabalho que desenvolve, sem qualquer interesse promocional ou financeiro.
    Os seus quadros, além de revelar o talentoso pintor que é, traduz o sentimento poético no que escreve, numa simbiose de sonho e realidade que só a alma do verdadeiro artista possui. Ninguém melhor do que o próprio protagonista para expressar o seu sentimento e, assim, transcrevo a mensagem que recebi do meu amigo.
 


“José Geraldo,

como lhe falei, vou fazer uma exposição, na ABI, sobre projeto que  desenvolvo desde que me aposentei. Primeiro formei matas e pomares em meu sítio e com isso criei refúgios para animais silvestres. De três anos pra cá - percebendo que a idade não me permitiria continuar, por muito tempo, vivendo isolado em um lugar montanhoso e cercado de florestas - recomecei a pintar e a escrever. Idealizei, então, um projeto itinerante (mambembe mesmo) a que dei o nome de Livros de Parede/Varal de quadros. Eu mesmo transporto tudo em meu carro, um velho e empoeirado gol.
São telas antigas e recentes que exponho ao lado de textos e ilustrações a lápis. Detalhe: não vendo os quadros nem jamais editei os livros.
Na verdade, eles são frutos de uma longa e intensa ligação com a natureza. Seja quando retrato paisagens rurais, lugares que conheci na infância, seja quando pinto pássaros e árvores. Sou, digamos, um ser ecológico e, como tal, prego a importância do respeito ao meio ambiente. Normalmente, exponho em sítios e pequenas comunidades, onde distribuo livros – romances, contos, biografi as, sobre diferentes
temas - recolhidos com amigos. Não busco notoriedade – tive oportunidade de buscar isso quando jornalista e sequer tentei – mas acabei dando uma entrevista a um repórter do Globo Niterói, a pedido de uma grande amiga e ex-colega de profissão. Aí, caiu na internet e antigos companheiros do velho Jornal do Brasil pediram para eu fazer a exposição na ABI. Veja o anexo. Abraços, JBF.

 
 

Miracema pode, mais uma vez, se orgulhar de um dos seus Ilustres filhos.

 

 

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