| |
PRIMEIRO DE MAIO
Primeiro de Maio. Dia do Trabalhador. Larim vai até a Fábrica de Tecidos (Fiação e Tecelagem São Martino Ltda.) e vê de perto os festejos daquele dia consagrado ao trabalhador e volta radiante com os acontecimentos, fatos que foram dignos de registros e, por isso, parece valer a pena recordar. O feriado de Primeiro de Maio não acontece apenas entre nós brasileiros e, ali na Fábrica, estava um grande momento, momento maior como se via. Promovia-se uma valorosa agregação. Primeiro de Maio merece relato especial que certamente faremos em outra oportunidade, em nossa coluna. Em Miracema, o Primeiro de Maio era formalmente festejado pela Fábrica de Tecidos e há de ter deixado saudade, seja nos operários da Fábrica, seja no comando da Indústria. Naquele dia, pela manhã, havia a Santa Missa, com a Sagrada Comunhão para os presentes, ocasião que ensejava a prédica sacerdotal, numa esperança de levar a fé aos corações vencidos e de reativá-la naqueles que já buscavam as pegadas do Filho do Homem. Após a Santa Missa, aproveitando a temperatura de maio, o frio, vinha o café bem quente, o bolo e o saboroso chocolate e, aí, os operários se encontravam realmente. Havia eleição da rainha, elegia-se mais bela operária, quem teve a oportunidade de ver, não esquece as vencedoras Juraci Firmino (a Morena), Luci Abraão, e Outras mais. O show continuava com artistas da casa e convidados, cantores e instrumentistas como Claudionor Elias (o Pontão), banjista respeitado, Reinaldo Elias, bom cavaquinista. Não poderiam faltar, Como não faltavam. Em uma dessas manhãs de Primeiro de Maio, com o sol prometendo luz e calor, tomando-se o chocolate, ouviam-se as pratas da casa, entre elas, Juraci Firmino (a Morena), delicada e bela com o repertório de Ângela Maria dentro do tom e do compasso, renovaram-se os aplausos, pois entre os convidados, enunciaram o nome do Gráfico, Pistonista, cantor e compositor, Wander Rodrigues Vieira ( o Bóia), autor de várias canções que podem figurar com sucesso no cancioneiro nacional, principalmente, seus poemas. Larim conta que com o Bóia estava o futuro Jornalista miracemense José Carlos Rego, mais tarde, revelou-se compositor de samba-de-enredo de escola do Rio de Janeiro. Bóia, bela voz, grande intérprete,fez jus aos aplausos recebidos. Entre outras canções, brindou o público com Z: “Olhei para Céu vi um raio em forma de Z, lembrei dos seus olhos, lembrei de você...”. Larim não sabe se a portadora do Z estava presente, mas sabe que a páginamusical arrancou aplausos calorosos. Enquanto o público aplaudia o Bóia e alguém trazia as notícias do tradicional futebol da equipe da Fábrica que sempre acontecia nas tardes de Primeiro de Maio e aconteceu naquela tarde, quando teriam a oportunidade de aplaudir Lé, Zé Augusto, Clóvis, Chocalho, Valdir e mais outros, o futuro Jornalista Carlinhos Rego, como era conhecido, silenciava com fortes sinais de insatisfação com a apresentação do nosso artista e quis saber do Bóia: - Aquela segunda música que você cantou, é sua ou nossa? O Bóia respondeu: - É nossa. – E por que você disse no microfone que é sua, omitindo meu nome? O Bóia: – Porque eu não quis falar Rego lá no microfone, no meio de tantas Senhoras. E assim acabou o diálogo e a parceria. À tarde, houve futebol. |
|