Pág.6-Nº140-Jul/11

 

 



                                                         
FALANDO COM COM O CORAÇÃO
 
                                Eunice Garcia do Carmo
     
                                                                                                       



 

       Em busca do porto seguro

 

                                

De repente, o vento soprou forte e o
barco surgiu e desapareceu na escuridão.
E, ai de mim, pois mergulhei nas
amarguras, vagando pelas sombras
escondidas nas noites sombrias e traiçoeiras.
Meu barco, como uma linha torta,
oscila sobre as águas sem vela, sem remo e
sem rumo na paisagem mais morta que viva.
Fico à deriva sem comando, radar e direção.
Estou ferida por um golpe brusco da vida.
Ela me expulsa e põe meu barco à deriva.
Ele não chega a porto seguro algum e fico
vagando... vagando por águas turbulentas.
Vou remando, dando voltas e mais voltas...
procuro um lugar seguro para ancorar.
Fico parada. Desligo o motor. Tenho a impressão
que meu barco vai afundar.Sinto-me atordoada,
sozinha, remando na direção do nada.
De repente, uma força vibra em meu coração
e conto nuvens, mil estrelas, constelações...
vejo a lua linda no céu! Canto doces melodias.
Me animo quando vejo um lugar forte e seguro e
um sentimento de alegria me desperta do torpor.
Não tem nada de mágico. Ele é real e existe.
Cessaram as ondas impetuosas e o perigo de estar
remando em direção oposta ao porto seguro.
Uma luz forte iluminou o caminho do meu destino.
Não estou mais à deriva. Não me sinto cansada e triste.
Vibro com essa descoberta! Estou segura.
O amanhecer dourado do sol sorriu para mim.
O vento soprou de mansinho ao meu ouvido.
Meu barco desliza por águas mansas e tranquilas.
Velejo com alegria ao sabor dos ventos!
Num momento de encantamento o meu
barco chegou a um porto seguro,
onde me protejo distante da solidão,
vivendo minha história de amor!

                                                                                                                                                                 

                       
 

 
                                                                      PRIMEIRO DE MAIO

    Primeiro de Maio. Dia do Trabalhador. Larim vai até a Fábrica de Tecidos (Fiação e Tecelagem São Martino Ltda.) e vê de perto os festejos daquele dia consagrado ao trabalhador e volta radiante com os acontecimentos, fatos que foram dignos de registros e, por isso, parece valer a pena recordar. O feriado de Primeiro de Maio não acontece apenas entre nós brasileiros e, ali na Fábrica, estava um grande momento, momento maior como se via. Promovia-se uma valorosa agregação. Primeiro de Maio merece relato especial que certamente faremos em outra oportunidade, em nossa coluna. Em Miracema, o Primeiro de Maio era formalmente festejado pela Fábrica de Tecidos e há de ter deixado saudade, seja nos operários da Fábrica, seja no comando da Indústria. Naquele dia, pela manhã, havia a Santa Missa, com a Sagrada Comunhão para os presentes, ocasião que ensejava a prédica sacerdotal, numa esperança de levar a fé aos corações vencidos e de reativá-la naqueles que já buscavam as pegadas do Filho do Homem. Após a Santa Missa, aproveitando a temperatura de maio, o frio, vinha o café bem quente, o bolo e o saboroso chocolate e, aí, os operários se encontravam realmente. Havia eleição da rainha, elegia-se mais bela operária, quem teve a oportunidade de ver, não esquece as vencedoras Juraci Firmino (a Morena), Luci Abraão, e Outras mais. O show continuava com artistas da casa e convidados, cantores e instrumentistas como Claudionor Elias (o Pontão), banjista respeitado, Reinaldo Elias, bom cavaquinista. Não poderiam faltar, Como não faltavam. Em uma dessas manhãs de Primeiro de Maio, com o sol prometendo luz e calor, tomando-se o chocolate, ouviam-se as pratas da casa, entre elas, Juraci Firmino (a Morena), delicada e bela com o repertório de Ângela Maria dentro do tom e do compasso, renovaram-se os aplausos, pois entre os convidados, enunciaram o nome do Gráfico, Pistonista, cantor e compositor, Wander Rodrigues Vieira ( o Bóia), autor de várias canções que podem figurar com sucesso no cancioneiro nacional, principalmente, seus poemas. Larim conta que com o Bóia estava o futuro Jornalista miracemense José Carlos Rego, mais tarde, revelou-se compositor de samba-de-enredo de escola do Rio de Janeiro. Bóia, bela voz, grande intérprete,fez jus aos aplausos recebidos. Entre outras canções, brindou o público com Z: “Olhei para Céu vi um raio em forma de Z, lembrei dos seus olhos, lembrei de você...”. Larim não sabe se a portadora do Z estava presente, mas sabe que a páginamusical arrancou aplausos calorosos. Enquanto o público aplaudia o Bóia e alguém trazia as notícias do tradicional futebol da equipe da Fábrica que sempre acontecia nas tardes de Primeiro de Maio e aconteceu naquela tarde, quando teriam a oportunidade de aplaudir Lé, Zé Augusto, Clóvis, Chocalho, Valdir e mais outros, o futuro Jornalista Carlinhos Rego, como era conhecido, silenciava com fortes sinais de insatisfação com a apresentação do nosso artista e quis saber do Bóia: - Aquela segunda música que você cantou, é sua ou nossa? O Bóia respondeu: - É nossa. – E por que você disse no microfone que é sua, omitindo meu nome? O Bóia: – Porque eu não quis falar Rego lá no microfone, no meio de tantas Senhoras. E assim acabou o diálogo e a parceria. À tarde, houve futebol.

 


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