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| Vai dar em nada |
E as mágoas que têm sempre de se acumularem no peito como tijolinhos ajeitados pela vida e solidificados pela massa amarga das desilusões? Muitas vezes provocamos nossas próprias tristezas , entretanto, elas podem vir de fora, emanadas do inexplicável azar de estarmos mal-acompanhados ou inseridos num contexto que nada tem a ver com nossos princípios. Quem vê cara, não vê coração. Vivemos atordoados com os males e as baixarias chegando a julgar, muitas vezes, que o mundo vive de uma vez por todas a falência total, governado pela empulhação, pelo modismo das traições, pela banalização do sexo, pelas violências incontroláveis e pelo desrespeito escancarado. Verdade e moral caminham céleres para o fundo do poço se lá já não estão. E as decepções nos castigam, cada vez mais sagazes, justamente, quando se pensa que haveriam de sumir, dando chance às antigas mágoas de se esvanecerem, elas voltam. . Bom seria fossem os males fugazes, das que não deixam marcas nem estragos e somem. Mas não, aparecem com força total, cavando fundo em nossa dignidade preservada, maldosos, doídos e inacreditáveis. São como tentáculos que arranham velhas decepções tecendo um novelo de dor e desilusão. E a paz e a união que se tenta e se promete perenizar na vida? Vai dar? A escritora Martha Medeiros que tão bem se expressa em seus artigos, lembrou-nos, em sua coluna da revista O Globo sobre a inutilidade de nos aferrarmos às decepções, de nos amofinarmos tanto, pois “Tudo vai dar em nada”. Tudo acabará em nada. Nada mesmo, o fim de tudo é o pó. Devemos nos livrar de sofrer tanto, uma vez que tudo terminará em nada. Nossos esforços incontidos, nossas desilusões, as ingratidões e as falsidades que sofremos, tudo vai para o nada, diz ela. Realmente é o que se pensa nos momentos de revolta e de sofrimento. É um lema que pode nos incitar cada vez mais a praticar e repetir as desonestidades, aliviando-nos a consciência pesada e nos tornando cada vez mais cafajestes. Podemos nos consolar pensando assim sem esquecer, contudo, o valor que tem a honestidade, da qual não devemos nos arrepender nem abrir mão e, ainda mais se toda a lama não parte de nós, está apenas muito perto a nos respingar, enojar e decepcionar. Assim, o que dizer ou fazer em contrapartida? Detonar um Nada ao sofrimento fugaz da vida, Nada ao medo da solidão, Nada aos falsos e mentirosos, Nada aos fracos traidores que nos apunhalam pelas costas e nos banham de indignação e vergonha. E lançando mão de toda nossa dignidade e indignação, gritar um Tudo ao respeito dos honestos, à volta por cima que podemos dar, à nossa pureza de consciência que prezamos em conservar, porque depois do Nada mesmo, do inevitável pó, surgirá a Face Divina da justiça abraçando o bem e a verdade. Aos fariseus que fingem uma honradez que não possuem, aos devassos, homens e mulheres inconsequentes na prática da corrupção , adeptos sagazes da mentira , da esculhambação e do desrespeito que assolam o mundo, deixamos o lembrete: A cretinice vai dar em nada! Todo mal vai dar em nada, mas o bem sobreviverá! |
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A lei da maturidade
O tempo corre tão rapidamente que o ano nem bem começa, já está chegando ao fim. O ano cai como um grão de areia na ampulheta do tempo e na eternidade das horas vividas. O dia é uma pequena fração do tempo, mas que pode nos marcar muito. É onde escrevemos nossa vida, gravamos nossas amizades... O tempo passa fechando ciclos, fechando portas, finalizando capítulos. Vamos deixar no passado aqueles momentos que se acabaram. Precisamos nos esvaziar para receber com alegria as outras etapas da vida que precisamos viver. Não podemos viver no presente e passado ao mesmo tempo, mesmo quando queremos entender o que se passa conosco. Temos medo de envelhecer porque tememos os limites do tempo, do nosso corpo, da nossa fragilidade. Temos medo da morte. Ela nos acompanha como uma sombra e cada um tem que reagir como pode. O envelhecimento precisa trazer muita sabedoria para todos nós é não apenas uma pessoa cansada, madura. Uma pessoa não pode perder as ilusões porque envelheceu. Ela tem que ter garra de viver, correr atrás de seus sonhos... As correntes do tempo podem prender os corpos, mas não podem prender os nossos sonhos e as ilusões. Só nos sentimos velhos quando lançamos fora o amor sadio que é o que nos rejuvenesce. Nós estamos com fome de amor... de segurança... de beleza... de verdade e de sinceridade. Vivemos hoje, esperando o amanhã, mas com saudades do passado e prosseguimos assim em nossa caminhada. | |