Pág.6-Nº120-Nov/09

 
Vai dar em nada
 
  E as mágoas que têm sempre de se acumularem no peito como tijolinhos ajeitados
pela vida e solidificados pela massa amarga das desilusões? Muitas vezes provocamos
nossas próprias tristezas , entretanto, elas podem vir de fora, emanadas do inexplicável azar
de estarmos mal-acompanhados ou inseridos num contexto que nada tem a ver com nossos
princípios. Quem vê cara, não vê coração. Vivemos atordoados com os males e as baixarias
chegando a julgar, muitas vezes, que o mundo vive de uma vez por todas a falência total,
governado pela empulhação, pelo modismo das traições, pela banalização do sexo, pelas
violências incontroláveis e pelo desrespeito escancarado. Verdade e moral caminham
céleres para o fundo do poço se lá já não estão.
  E as decepções nos castigam, cada vez mais sagazes, justamente, quando se pensa que
haveriam de sumir, dando chance às antigas mágoas de se esvanecerem, elas voltam. . Bom
seria fossem os males fugazes, das que não deixam marcas nem estragos e somem. Mas
não, aparecem com força total, cavando fundo em nossa dignidade preservada, maldosos,
doídos e inacreditáveis. São como tentáculos que arranham velhas decepções tecendo um
novelo de dor e desilusão.
  E a paz e a união que se tenta e se promete perenizar na vida? Vai dar?
A escritora Martha Medeiros que tão bem se expressa em seus artigos, lembrou-nos,
em sua coluna da revista O Globo sobre a inutilidade de nos aferrarmos às decepções, de nos
amofinarmos tanto, pois “Tudo vai dar em nada”. Tudo acabará em nada. Nada mesmo, o
fim de tudo é o pó. Devemos nos livrar de sofrer tanto, uma vez que tudo terminará em nada.
Nossos esforços incontidos, nossas desilusões, as ingratidões e as falsidades que sofremos,
tudo vai para o nada, diz ela. Realmente é o que se pensa nos momentos de revolta e de sofrimento.
É um lema que pode nos incitar cada vez mais a praticar e repetir as desonestidades,
aliviando-nos a consciência pesada e nos tornando cada vez mais cafajestes. Podemos nos
consolar pensando assim sem esquecer, contudo, o valor que tem a honestidade, da qual
não devemos nos arrepender nem abrir mão e, ainda mais se toda a lama não parte de nós,
está apenas muito perto a nos respingar, enojar e decepcionar.
  Assim, o que dizer ou fazer em contrapartida? Detonar um Nada ao sofrimento fugaz
da vida, Nada ao medo da solidão, Nada aos falsos e mentirosos, Nada aos fracos traidores
que nos apunhalam pelas costas e nos banham de indignação e vergonha. E lançando mão
de toda nossa dignidade e indignação, gritar um Tudo ao respeito dos honestos, à volta por
cima que podemos dar, à nossa pureza de consciência que prezamos em conservar, porque
depois do Nada mesmo, do inevitável pó, surgirá a Face Divina da justiça abraçando o bem
e a verdade. Aos fariseus que fingem uma honradez que não possuem, aos devassos, homens
e mulheres inconsequentes na prática da corrupção , adeptos sagazes da mentira , da esculhambação
e do desrespeito que assolam o mundo, deixamos o lembrete:
  A cretinice vai dar em nada! Todo mal vai dar em nada, mas o bem sobreviverá!





A lei da maturidade

O tempo corre tão rapidamente que o ano nem
bem começa, já está chegando ao fim.
O ano cai como um grão de areia na ampulheta
do tempo e na eternidade das horas vividas.
O dia é uma pequena fração do tempo, mas que
pode nos marcar muito. É onde escrevemos nossa vida,
gravamos nossas amizades...
O tempo passa fechando ciclos, fechando portas,
finalizando capítulos. Vamos deixar no passado
aqueles momentos que se acabaram.
Precisamos nos esvaziar para receber com alegria as outras
etapas da vida que precisamos viver.
Não podemos viver no presente e passado ao mesmo tempo,
mesmo quando queremos entender o que se passa conosco.
Temos medo de envelhecer porque tememos os
limites do tempo, do nosso corpo, da nossa fragilidade.
Temos medo da morte. Ela nos acompanha como uma
sombra e cada um tem que reagir como pode.
O envelhecimento precisa trazer muita sabedoria para
todos nós é não apenas uma pessoa cansada, madura.
Uma pessoa não pode perder as ilusões porque envelheceu.
Ela tem que ter garra de viver, correr atrás de seus sonhos...
As correntes do tempo podem prender os corpos,
mas não podem prender os nossos sonhos e as ilusões.
Só nos sentimos velhos quando lançamos fora
o amor sadio que é o que nos rejuvenesce.
Nós estamos com fome de amor... de segurança...
de beleza... de verdade e de sinceridade.
Vivemos hoje, esperando o amanhã, mas com saudades
do passado e prosseguimos assim em nossa caminhada.

 
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