Pág.7-Nº120-Nov/09

                  

 
Cachaça


  Para  Todo final de semana eu e meus primos íamos para a Fazenda Santa Justa que pertencia ao meu tio Bernadino Alves da Costa ( Seudi) e tia Guiomar.
  A Fazenda tinha bastante gado, ceva com porcos , produzia arroz, feijão , milho, algodão e cana de açúcar para fabricar rapadura e cachaça, também chamada Santa Justa. Do mês de maio em diante, começava a fabricação Uma grande roda d’ água girava noite e dia tocando o engenho . No dia, começava a primeira moagem para a extração do caldo que ia sendo despejado em dornas para fermentar, onde se verificava o teor do açúcar com uso do sacarômetro que media o teor do açúcar 15 graus, iniciando - se a moagem, após a fermentação. No prazo de 24 ou 48 horas, o líquido ia sendo transferido para o alambique para extração da cachaça. Após a destilação, ia para as dornas ou tonéis de madeira de carvalho, jatobá ou cerejeira para o envelhecimento. Usava-se o alcoômetro para verificar os 21 graus desejados. Depois de certo tempo, os litros eram rotulados e embalados em caixas de madeiras com 12 litros cada, que eram protegidos com embalagens de taboa. Em seguida, eram colocadas no carro de boi para serem comercializadas em Miracema. A fermentação era feita com fubá e limão Este é o tipo da cachaça feita artesanalmente.
  Nas grandes fábricas, usa-se fermento industrial e ácido cítrico. Existe alambique com coluna retificador, alambique capelo ou fogo nu com serpentina, onde o bagaço da cana é aproveitado no fogo.
  Em Miracema, existiam vários fabricantes de cachaça. Uns dos primeiros fabricantes de aguardente ou cachaça foi Salvador Ciufo em sua propriedade, hoje Vale do Cedro. O patriarca da família Caviari ngelo Caviari oi
fabricante de cachaça . Marcelino da Silva Tostes,quando dono da Usina Santa Rosa, com o nome de Boa Vista . Zeca Costa com o nome de Maravilhosa.
  Na Usina Santa Rosa três marcas: Rosa de Prata , Rosinha e Rosa de Ouro , que eram exportadas para a Europa. A de nome Rosinha era tipo popular. A firma Marcelino Pereira Tostes engarrafava a Predileta. José Nicodemos Maia engarrafava a Guaribinha e o Saliba Felix, a Saudade . Cid Assumpção fabricava em sua fazenda em Itaperussú e vendia em Miracema sem o rótulo. Onésimo está fabricando atualmente com o nome de Miracema. Carlos Lima esfrega as mãos e diz: estou fabricando a marca Tajuba . Na usina Santa Rosa, hoje desativada , teria condições de funcionar. Colocando pouca quantidade de tubos para caldeira, produziria 1300 litros de aguardente por hora. Fazendo uma adaptação ao lado do alambique, produziria álcool para abastecer todos carros da nossa região, gerando emprego para 300 pessoas Isso, há quatro anos. Hoje não sei as condições da Usina.
  Risquinho bebia muito. Certo dia, pega o trem na estação sem dinheiro
no bolso, vem o trocador pede o bilhete. - Não tenho. Na próxima parada,
o trocador lhe dá um pescoção e o joga fora do trem. Assim fez três vezes
em seguida. Um passageiro ao seu lado, lhe pergunta: - Para onde você
vai? Risquinho responde: – Se o pescoço aguentar, eu vou até ao Rio de
Janeiro,
Quem é um bebedor contumaz, procure o A.A. de Miracema que será bem recebido.



 

 
  Oração e ação pela criança  
 
  A Rede Global de Religiões pelas Crianças (GNRC) está propondo a introdução
de um Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças, a ser lembrado a cada ano em
20 de novembro, data que marca o aniversário da Convenção sobre os Direitos da
Criança, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).
“Queremos convocar as pessoas de diferentes tradições religiosas, governos,
instituições intergovernamentais, ONU, organizações não-governamentais e a
sociedade civil para um dia de oração e ação pelas crianças”, diz a coordenadora da
GNRC para a América Latina, Mercedes Roman.
A Pastoral da Criança, em Miracema, fará, no Dia da Celebração da Vida, nas
comunidades atendidas pela Pastoral da Criança, um momento especial junto às famílias
e comunidade. Todos serão convidados a proclamar, em uníssono, a oração a seguir:
  
  ORAÇÃO PELA CRIANÇA

  “Senhor da Vida, que nossas crianças sejam como Vós o desejais!
  Que nossa FÉ ajude a buscar mais dignidade e qualidade de vida para
  as crianças de nossa comunidade, cidade, do Brasil e do mundo.
  Senhor, em muitos lugares a idolatria da riqueza é uma ameaça para a paz.
  Nosso planeta está cada vez mais explorado e poluído, e as crianças são as
  primeiras a sofrer quando o egoísmo toma conta do coração das pessoas.
  Dá-nos coragem para mudar esta história!
  Ajudai-nos a lutar contra as causas que promovem o empobrecimento,
  a injustiça e a opressão das crianças e suas famílias.
  Dai-nos força para impedir que hoje meninas e meninos sejam explorados,
  forçados a trabalhar e envolver-se com drogas,
  dormir e acordar com fome e sede, não tenham escola para estudar,
  espaço seguro para brincar e morram por causas que podem ser prevenidas.
  Queremos o bem-estar da criança e o respeito aos seus direitos.
  Vamos protegê-la durante toda a sua vida, que é sagrada.
  Que o Teu espírito nos ilumine para cuidar da criança desde o ventre da mãe,
  e garantir os seus direitos de cidadania. Que ela receba as vacinas e leite materno,
  alimentação adequada, água limpa, oportunidades para se desenvolver plenamente.
  Senhor da Vida, junto com nossas crianças, em uma só voz,
  agradecemos todo o bem que foi feito por tantas pessoas de boa vontade.
  Nossa força está em TI, que nos leva a ação para construir um mundo
  no qual a criança possa ter vida, e vida em abundância!”
  Amém

(Jornal Pastoral da Criança, 10/2009)

Regina Célia Titonelli Nunes - Rede de Comunicadores da Pastoral da Criança




  

  
Os meus mortos
  A caminho do escritório do advogado, numa manhã tórrida de verão carioca de
2009, sou cercada pelas lembranças. Primeiro, me dei conta de que sou a matriarca
da minha família nuclear. Sou a mais velha. Pai e mãe já faleceram. De repente
percebo que não tenho a quem perguntar e o que conferir se a memória falha. Aí
pensei, são os meus mortos que levaram com eles fiapos de vivência. Não estou
tão carente!
Pude, nos últimos anos de vida dos dois, passar muitos momentos junto a eles
e tive o feeling de deixá-los falar repetidas vezes relatos que eles viveram, e assim
guardo detalhes como ouvinte, confirmo os que presenciei ... mas, e os que eu
quero conferir e não tenho mais a certeza se o que se fixou na minha memória não
teria sofrido a interferência do tempo, do olhar infantil, do romancear os dados
vividos?
Atravessando a Av. Rio Branco em busca da Av. Presidente Antônio Carlos, não
estaquei! Pensei “tenho que escrever!” Na mesma hora, tive a presença deles na
cabeça, comecei a listá-los, e o coração bateu mais forte.

 
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