Pág.8-Nº140-Jul/11



Tema:
 Violetas

As violetas na janela
revelam minha vida em cores.
Suas flores são tão singelas,
guardam alegrias e dores

Tema: Nossa Senhora das Graças

Nossa Senhora das Graças,
quantas graças eu preciso!
O nosso mundo hoje abraças,
cria em nós o Paraíso.


Tema:
 
Oitenta Anos

Oitenta anos de vida,
Sempre alegre o meu cantor.
Pro Joel não tem caída,
é um eterno vencedor.


 Tema: Avós

Netos: flores dos avós.
Jorram neles fantasias.
Na certa não estão mais sós,
cirandam só alegria.




 




    

 

 

 

     Acho ótimas as crônicas de Artur Xexéo. Disse ele em uma delas, que “viveu momentos em que a idade não lhe pesou porque não viu passar o tempo. Todos os anos guardou os instantes da vida intensamente, principalmente o de sua juventude e das coisas que fizeram parte do seu viver”.
     No final de junho recebi uma correspondência, melhor, uma xerox de uma crônica do escritor Manoel Carlos, na revista Veja do mesmo mês, denominada “Minha turma”. Nela, ele relata sua juventude e vida estudantil em São Paulo. Lembra as noitadas que embalavam seus sonhos e dos colegas e entre um café ou refrigerante discutiam as pretensões de cada um. E os filmes da época? Os musicais com FRED ASTAIRE estavam em alta. Citava ele as reuniões com palestras culturais, tendo Cecília Meireles como estrela entre outros. Recordou também a participação dele e da turma em teatro amadores e continuou escrevendo: “Como esquecer esses momentos inesquecíveis? Como pode se esquecer dos 16, 17, 18 anos de idade”?
    
Quando abri e li a crônica reparei que não havia assinatura de quem me remetera, apenas fiquei sabendo quando vi o remetente. Meu amigo assinalou com setas o que lhe tocou na saudade. Quando o autor citava um livro, ele o substituía por aquele que era seu preferido na juventude. Fui lendo e sentindo que ele queria avivar minhas lembranças. Tinha frases grifadas, nomes de artistas, trocando a cidade de São Paulo por Miracema, o Colégio do cronista pela lembrança do Colégio Miracemense. Quando poesias eram citadas, o meu amigo indicava com uma seta as de Gicelda Coelho: A FEIA, no tocante a música, indicava as serenatas cantadas por Hélio Sodré, o violão de João Muleta e os bailes organizados por D. Mariza Damasceno.
    
Ao reler a crônica de Manoel Carlos, senti o quanto meu amigo Dr. José Lima Souto(médico), irmão do Dr. Gladyston Souto, tem em comum comigo: LEMBRANÇAS, digo mais, saudade.
    
Das frases marcadas pelo meu amigo no texto as de que mais gostei foram as do final, que o cronista escreveu: “Voltamos a nos encontrar no plano da memória. Estamos mais uma vez jovens. Mais uma vez sonhadores, mais uma vez felizes”.
   
Depois de ler várias vezes, comecei tirar de dentro da minha caixa de recordações um punhado de relíquias e preciosidades. Fui revivendo aos poucos e voltei ao Cinema XV de Novembro (Supermercado HONO) na Rua das Flores (Cel. José Carlos Moreira), que tantas alegrias trouxe aos miracemenses em suas sessões dominicais das dezoito e das vinte horas. A primeira era frequentada pelos jovens e namorados. A segunda mais requintada, por casais e pessoas mais velhas que se esmeravam no figurino, mulheres principalmente. A fila para compras de ingressos era um verdadeiro desfile.
   
O Cine XV de Novembro muitas vezes cedeu seu espaço para o “Teatro Amador” fazer suas apresentações e receber os aplausos de um público ávido de alegria e cultura. O espetáculo dava assunto para mais de semanas. Os artistas, nossos conhecidos, como o senhor Manoel Rabelo, Aziz Richa (comediantes), Gicelda Coelho e Hélio Sodré (aluno do internato do Colégio Miracemense) eram os protagonistas. Após a peça havia o chamado “Ato Variado”, com a voz da diva: Lúcia Gualter cantando Amapola, a declamação de Gicelda Coelho: A feia e a voz do seresteiro Hélio Sodré acompanhado do violão de João Muleta. Já ia me esquecendo, tinha as piadas de Aziz Richa e como apresentador René Perbelis. Todos eles faziam com que os jovens sonhassem e até tivessem uma pontinha de inveja dos personagens.
   
No momento em que escrevo estas lembranças, meu amigo, estou embalada pela música “STARDUST” (poeira de estrelas), que me faz recordar o pátio do “Grupo Escolar Dr. Ferreira da Luz” e o conjunto REX de Além Paraíba, nos bailes das Festas dos Estudantes e em outros feitos por D. Mariza Damasceno.
  
O mês de junho gerava uma expectativa enorme para todos nós, estudantes. Ele precedia as férias de julho e a chegada de Agosto para as festividades do dia onze “Dia do Estudante”.
  
Nessa época, havia a campanha para a Rainha dos Estudantes e o Grêmio Lítero-Esportivo Rui Barbosa se preparava para iniciar os comícios.
  
Era uma verdadeira política, principalmente se as candidatas fossem uma aluna do internato e a outra do externato. Eram faixas cruzando os pátios do Colégio Miracemense, eram bilhetes que passavam de sala em sala, pedindo votos, discursos empolgados e músicas para as candidatas. Enfim, era um viver de felicidade.
  
No mês de junho ficávamos apertados, pois era o final do semestre e as provas estavam ali à espera de todos nós. Tínhamos que saber dividir o tempo para o estudo e a campanha. Havia ainda os ensaios para o desfile e os treinos de vôlei e basquete para aqueles que iriam disputar com os colégios vizinhos.
  
Realmente, a idade nessa época, não vê e nem sente o tempo passar e nem atropelar de felicidade e juventude. Tudo era concretizado e vivido.
  
Novamente está em minhas mãos a crônica de Manoel Carlos, leio mais uma vez assim também como a de Artur Xexéo. Volto a ouvir STARDUST e, então, sinto que neste instante fazemos um quarteto, eu, você meu amigo de braços dados com os cronistas, transformando palavras deles em lembranças de nossa cidade, de nossa juventude, de nosso Colégio, das pessoas de nossa época, de fatos e da saudade de um tempo que valeu viver.
  
Fechei os olhos e agradeci pela vida marcada de uma doce, suave e eternas lembranças, tudo isso, envolvida numa tênue: “Poeira de estrelas”.

   


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