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"Hoje em dia é tão difícil acreditar. Existe sempre no ar o sabor da desconfiança”.Ouvi esta confissão e afirmo que ainda posso acreditar nas pessoas, no seu sorriso, no seu aperto de mão e na dádiva de uma presença amiga. A fé é a respiração da alma, é o sentido maior da vida. Ela nos faz sentir Deus dentro de nós agindo em nossos momentos. Esse sentimento não é vazio, mas repleto de certezas que fl orescem, que contagiam e vão conduzindo cada passo em direção ao que acreditamos. Ela tem o perfume do amor, o silêncio da dor, a ternura que envolve cada palavra que falamos ou escrevemos. Quem perdeu a fé deve considerar-se morto. Existe nele a ânsia de viver nas trevas sem o desejo de buscar a luz. Continua atado, sem a ânsia de viver a liberdade, de reconstruir momentos, às vezes, os mais importantes de sua vida. Acreditar é mudar de vida se for preciso. É buscar novos desafi os, antes desesperançados, reprimidos mas, agora, direcionando suas asas de fé para o infinito. É não ter medo de rezar com a própria existência para espalhar sementes nas mãos que já se encontram secas pela incredulidade. Quantos não acreditam no ser humano! Quantos não acreditam na força do amor! Quantos ainda não descobriram que este sentimento é um dom que vem de Deus, mas que deve ser despertado, procurado e assumido no dia a dia de cada um. Não existe dúvida para aquele que tem fé. Porque ela é dissipada pelas novas atitudes, palavras e a aceitação diante dos sofrimentos, das quedas, das inesperadas situações. Não deixemos que a fé escape de nossas entranhas. Vedemos as paredes de nossa alma para que ela fi que imunizada dos contágios externos, das fofocas que provocam mal estar. Ela deve ser cultivada, espalhada dentro do nosso ser, transformando-se em luz, exemplo vivo para os que dela necessitam. Nossa rosa de hoje é para você que sente as águas da vida transformando-se em poderosas enchentes, num desejo de sucumbir a sua crença. A fé deverá ser sempre mais forte, pois nela se encontra o próprio Deus que tudo pode, tudo vence e faz sempre renascer dentro de você a certeza de sua imorredoura fé.
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Realidade ou Sonho?
Em algum lugar eu os vejo como se estivessem perto de mim. Os mesmos olhares iluminados pelo amor, sorrisos francos direcionados para o meu olhar. Presenças vivas me abraçam, me apertam dizendo: Estamos aqui. Olho cada um e sinto medo de perdê-los novamente. É real, muito forte a minha visão. Lugar lindo, enfeitado com luzes e flores. A paz chegou para ficar dentro de mim. Não sentirei mais saudades, pois tudo voltará ao que era antes. Eu não posso acreditar nesta feliz realidade, mas creio. Estão vestidos com as roupas que mais gostavam: calças jeans, camisas de malha, tênis e bonés. Tudo perfeito. De repente vão caminhando devagar, distanciando-se... Procuro em vão, mas sumiram novamente. Não quero acreditar, dou um grito e acordo chorando copiosamente. O sonho se foi conforme eles um dia se foram. A realidade é o que sinto quando estou acordada: não existem vultos, vozes, sorrisos, olhares, mas o que restou do sonho, a saudade multiplicada. Em tudo há sempre uma recordação. É uma obsessão, não paro de pensar, de recordar. Em minha mente os fatos acontecidos voltam a cada minuto e todos os espaços são preenchidos pelo nada. A realidade maior é: “A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a chegada, para outros é a partida”.
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Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)
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UM AMIGO
Há, mais ou menos, 50 anos o JOBIM (Joubert Portes Mendes) chegou á Rua Leite Leal, nº 33, Laranjeiras, Rio de Janeiro, onde passei a residir depois que saí de Miracema. O imóvel, alugado pelos meus tios Rachid e Zulmira, integrava o conjunto denominado “Casas Casadas”, hoje transformado em Centro Cultural. Era uma noite de quarta-feira e fomos ao Maracanã assistir Botafogo e Bonsucesso. Na rampa do Estádio havia um camelô vendendo um aparelho que imitava o som de locutor de partida de futebol. Jobim, sempre curioso e botafoguense apaixonado, comprou a engraçada invenção. Certa vez, lembrei a ele o fato. O resultado do jogo, confesso, não me recordo, mas vislumbro um zero a zero, e não por ser vascaíno. Outro encontro com o Jobim, na época, aconteceu quando fomos a uma festa em Niterói, na casa do Campeão (ex-interno do Colégio Miracemense), situada no bairro de Santa Rosa. Antes de tomarmos a barca, passamos na Rua Teófilo Otoni, centro do Rio, residência de uma tia do meu amigo. Foi uma noite alegre e de muita confraternização entre miracemenses afastados da terra natal. No encontro, em plena capital fluminense à época, revivemos momentos inesquecíveis dos anos cinqüenta em Miracema, onde pontuou a recordação viva do conjunto musical feminino criado por um grupo de jovens e belas estudantes da nossa cidade. Se a memória não me trair, lembro os nomes de Maria Alcina Botelho e sua irmã Laureci, Julieta Amim e Lúcia Bastos. Deixo de mencionar outros nomes, por medo de errar. Algumas delas, presentes na festa, cantaram uma das músicas preferidas do repertório do conjunto, a folclórica “Estava na peneira, estava peneirando; Estava no namoro, eu estava namorando...”. E todos cantamos em coro, numa saudade festiva, lembrando o salão do nosso aeroclube.Quando a noite avançava pela madrugada, retornamos ao Rio. Na travessia da baia da Guanabara, sentíamos a brisa soprada do mar, despertando as recordações que a barca deixava pra trás.
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