Pág.3-Nº141-Ago/11
              

 

 

      

                                                     NOSTALGIA 

 

    Fecho os olhos e me vejo recebendo meu diploma de médico no dia 17 de dezembro de 1964. Teatro Municipal  repleto. Meus pais, meus irmãos e minha noiva assistindo comovidos à cerimônia. Com os olhos úmidos, voz trêmula e extrema emoção eu vivia aquele instante lembrando-me do poeta Gregório de Matos que ao sentir em seu peito sensação de conforto e sofrimento deixava-se expressar num misto de alegria e tristeza todo o seu  interior, dizendo: Um prazer e um pesar quase irmanados, / Um pesar e um prazer, mas divididos, Entraram nesse peito tão unidos, / Que o Amor os acredita  vinculados.
    Prazer e pesar irmanados pela conquista, pela determinação e pelo êxito alcançados. Prazer por ter trilhado  com muito esforço o meu caminho, o mesmo de meu querido pai, na mesma Faculdade 34 anos antes, num misto de  vocação e entusiasmo. Prazer pela alegria e satisfação de meus pais sempre unidos e únicos em minha vida, fontes  ternas de inspiração e amor. Pesar pela despedida dos colegas e da minha querida Faculdade.
    Há seis anos quando era um jovem irradiando energia e motivação, quando meu sonho acalentado e irrigado pelas forças paternas plenas de entusiasmo por um ideal que mudaria definitivamente o sentido de minha vida, aquele sonho abraçava agora meu coração e me proporcionava momentos vividos de maneira intensa em toda plenitude.
    Após exaustiva passagem pelo vestibular ingressava num mundo de conhecimentos e mistérios. O início na Faculdade Nacional de Medicina da Praia Vermelha traçava definitivamente meu destino. Eu passava agora de acadêmico de medicina a médico. Momento mágico, onde os ensinamentos enfocavam a vida e a morte já me preparando para uma difícil tarefa, mantendo uma convivência sem abalos, absorvida profi ssional e corretamente com estoicismo e esperança.  
    No Hospital Escola São Francisco de Assis o tão esperado contato com o paciente aconteceu. A primeira anamnese, os primeiros passos no raciocínio diagnóstico. Começava a entender as maravilhas do corpo vivo, estava me preparando para procurar a cura das doenças e diminuir o sofrimento de meus semelhantes que, humildes e resignados, desfilavam suas dores procurando quem os auxiliasse a melhorar suas expectativas de vida e um conforto. Era aquele companheiro humano necessitado de auxílio, com uma enorme carga de preocupações e angústias, desejando sempre despertar nosso interesse, esperando uma palavra amiga, um apoio nas suas dúvidas, um lenitivo para os seus sofrimentos. Não lhes dar atenção seria um desrespeito a toda humanidade. Seria obrigado a corresponder às suas esperanças, mostrando-lhes que a vida é dom de Deus e que valia a pena continuar a viver.
   Orgulhosamente fazia a partir daquela data parte de uma equipe de homens especiais, entraria no seu mundo, na sua seara. Aquele diploma seria a chave com que abriria as mentes, os corações, os segredos e as esperanças de nossos irmãos doentes. Poderia rir com eles nos sucessos e chorar com eles nas amarguras e desencantos. “Salvar, muitas vezes, aliviar quase sempre, consolar, sempre” - esta seria a minha plataforma de luta, e só ao médico é dado este poder. A mais nenhuma outra profissão.
   Aos meus professores agradecia os ensinamentos do fundo do meu coração com admiração e respeito, especialmente ao meu mestre e amigo Dr. Rodolpho Paulo Rocco, um homem genial, barbaramente assassinado dentro de seu consultório por um esquizofrênico há cerca de dez anos. Seria pouco dizer apenas muito obrigado. Ao cadáver desconhecido que talvez em vida não tenha recebido um beijo de despedida ou uma lágrima de saudade minha reverência e oração. A Deus pedia que me ajudasse a cumprir fielmente o juramento de Hipócrates, amparando-me na sagrada e eterna missão de diminuir a dor da humanidade.

 

             

 

 

  

- “Um pouco de fé pode levar-te ao céu, mas muita fé trará

o céu até ti”

- A fé é a força motriz da vida. (Leon Tolstoi).-

- “Se a fé não nos permite galgar as montanhas, talvez nos

ajude a galgá-las”.

- Em todas as ocasiões é melhor esperar do que desesperar.

(Goethe)

- O amor é um ato de fé e quem tiver pouca fé também

terá pouco amor (Erich Fromm)

Cada um tem a idade do seu coração, da sua experiência e

da sua fé. (George Sand)

 

                    LUCAS ALVIM                         

Presta atenção no que agora eu vou dizer.
Presta atenção no que tenho pra falar.
Presta atenção em tudo que eu faço
Num simples abraço, num simples olhar . . .
Eu tenho novas coisas pra fazer.
Eu tenho novidades pra contar.
Eu canto sempre amores perdidos,
canções de amigos, canções ao luar
Sou o noticiário na TV.
A informação prontinha pra estourar.
Eu sou o luxo dos poemas lidos,
os amores vividos, sou a sede do amar . . .
Sou quem está aqui pronto pra chorar por amor!
Me leve sempre pra onde você for!
Só não me deixa aqui . . .
Eu sem você não sei o que é amor
Sabe quem sou??
Sou ninguém . . .
Sou nada além de mim!

               



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