Pág.6-Nº141-Ago/11

 

 



                                                         
FALANDO COM COM O CORAÇÃO
 
                                Eunice Garcia do Carmo
     
                                                                                                       



 

                METAMORFOSE

 

                                

A feia lagarta caminha tranquilamente pelos galhos,
mas para sobreviver, necessita se transformar.
Por isso, constrói um casulo e ali fica por longo tempo.
Assim guardada, ela se conecta com seus desejos,
seus sentimentos, sua vontade para amadurecer.
Mas ela precisa sair do casulo e caminhar com
suas próprias pernas.
O aprendizado de rastejar na terra é o símbolo
do lado pesado da vida.
E eis que o casulo se rompe. As asas surgem.
Mas é preciso mudanças para chegar à borboleta.
É preciso deixar morrer o velho. Criar vida nova.
Sair da comodidade. É preciso se libertar das
amarras da vida. Do aperto dentro do casulo.
O nascimento da borboleta é uma lição viva de
tudo que precisamos deixar para trás para
ir ao encontro das possibilidades, sem certezas,
mesmo não tendo garantias de que tudo vai dar certo.
Viver é cumprir as fases da vida, entregar-se ao novo.
Não podemos viver sendo sempre lagartas e
nem viver escondidas no casulo.
Precisamos nascer, ganhar asas, voar livremente,
pousando aqui e ali.
Como as flores marcam a chegada da primavera,
as borboletas também são símbolos dessa estação.
Só por existir, as borboletas fazem a vida
ficar mais bela e colorida.
Deixe acontecer esse misterioso
processo em você. Abra e floresça.
Deixe aparecer suas asas, seu colorido
e voe levemente.
Deixe no chão a casca feia e frágil do casulo
que a guardava, processando assim,
a verdadeira metamorfose.

                                                                                                                                                                 

                       
 

 
                                 

                                                 UM ANIMAL EVOLUÍDO E GREGÁRIO

   Li, mas não me lembro onde, que somos um animal evoluído e gregário. Não dá para esquecer, porque as provas são muitas e até penso que esta é uma das marcas dos animais e não somente do animal homem. Nós construímos lado a lado, formamos grupos pequenos ou grandes. Convidamos, recebemos convites, seja para aniversários ou casamentos ou para a missa, para o futebol, para as praças, para os campos, seja para onde for. Sozinhos, nós não ficamos. Os outros animais também procedem assim. Os pardais, como exemplo, se reúnem à tarde, cantam alegremente, brigam, defendendo suas pardocas, porém sempre juntos. Deixam transparecer também sua natureza gregária. Sendo gregários, os animais se socorrem, deixando transparecer a espetacular virtude da solidariedade, mas pena que ao lado desta surgem nossos defeitos, e, às vezes, com muita força. Um ditador na África no início dos anos de 1960, combatendo a fúria dos colonizadores, pôs em evidência sua fúria de mandante, e, entre outras atitudes violentas, quis que as empregadas domésticas colaborassem no combate. Estabeleceu que cada doméstica eliminasse sua patroa. Veja bem o perigo. Sabendo do fato, uma patroa que gozava da amizade de sua empregada, perguntou-lhe se ela a mataria. A empregada, serenamente, respondeu: “Não. porque gosto muito da Senhora. Já combinei com a empregada de Dona Fulana. Eu mato a patroa dela e ela mata a Senhora”. No outro dia, a patroa amanheceu em Niterói. Será que vale a pena ser evoluído e gregário?

 


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