Pág.2-Nº142-Set/11

EDITORIAL

Ricarda Maria


“Uma longa viagem começa com um único passo”.
Diviso neste momento a minha primeira poesia. Tive vergonha de mostrá-la, mas meu irmão, gêmeo comigo, leu- a e a registrou num livro de recordações que uma colega de sua classe lhe havia pedido. Fiquei mais animadinha, mas mesmo assim continuei receosa em mostrá-la.
As inspirações vinham fortes e começaram a habitar dentro de mim. Jamais me importei em seguir uma determinada corrente literária. Meu desejo era ter liberdade total para escrever. Às vezes, colocava rimas, promovia contagem de sílabas seguindo um padrão poético mas, na verdade, sentia-me presa, bloqueada. Meu pensamento era cortado e tirava a beleza, a leveza e o encantamento da poesia que signifi cava muito mais – o interior da inspiração.
Elas eram guardadas em cadernos e mais cadernos e, agora, na era do computador estão nele armazenadas ou ravadas em CDs numa garantia de devida segurança. Jamais tive pretensão de editar um livro, talvez por excesso de humildade.
O tempo passou e a ideia de arquivá-las numa obra impressa foi amadurecendo. Minha família e muitos amigos e amigas me incentivaram e um sonho começou a germinar. Juntei dezenas delas e as coloquei num documento literário
onde todos os que o adquirisse pudessem viajar e percorrer pelas minhas inspirações. O sonho se tornou realidade. Dia 24 de setembro próximo às 19:30h no Centro Cultural Melchiades Cardoso será o lançamento do meu livro. Todos poderão dar um mergulho dentro das poesias e trovas, descobrindo as minhas mais profundas emoções. Foi trabalho realizado com todo o amor, doação de muitos e um desejo imenso de que muita gente possa caminhar pelos meus caminhos poéticos, enxergando os sentimentos que existem em cada poesia e em cada trova.




Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)


VIAGEM

Ao som de um bandonion e no recuerdo de um tempo de Gardel deixamos Buenos Aires e fomos à Mendonza.
A paisagem nessa época do ano é idêntica a do inverno europeu.
As folhas das árvores caídas ao chão desenham um tapete que cobre as calles.
A temperatura baixando no transcorrer do dia torna as noites mais longas.
Frustra-se a vontade de se ter uma vista colorida das macieiras floridas e dos cachos de uvas nos parreirais, mas a visita às Cordilheiras dos Andes cobertas de neve é algo fantástico. É uma volta à era glacial.
Coincidentemente, foi no período da última Copa América, em que o Brasil teve uma participação pífia e ridícula. Poupei-me de presenciar o desastre da perda dos pênaltis na partida com o Paraguai e não assisti a um jogo sequer.
Retornamos a Buenos Aires e desfrutamos mais alguns dias com Susana, nossa filha, que lá está.
Os cafés na calle Florida, o tango cantado no Café Tortone e dançado na Confeitaria Ideal (versão argentina da nossa gafieira), mais o artesanato e a arte do “ Caminito “, no bairro nostálgico La Boca, nos conduzem a um passado
que sempre vislumbramos na bela voz e na interpretação inigualável de Carlos Gardel.


Página 1Página 2Página 3Página 4Página 5Página 6Página 7Página 8Mural de RecadosGaleria de ImagensExpediente