Pági.2-Nº122-Jan/10
                       

             

        
 

    Muitas pessoas têm o cultural hábito de descobrir nas páginas da revista “Palavras
Cruzadas” os vocábulos que se encaixam nos quadrinhos de acordo com o número de sílabas.
Ao descobrir um, vem logo a generosa chance de encontrar outras equivalentes. O leque de
palavras vai se abrindo derramando novas respostas. Às vezes ficam procurando, dentro de
suas possibilidades os termos que desejam, mas eles desaparecem nas areias movediças de
suas capacidades e não conseguem descobrir as respostas que são solicitadas. Por mais que
evitem consultar o “banco” de palavras ou quadro de soluções a curiosidade e o desejo
de conhecer as respostas que estão faltando, são mais fortes e, utilizando dessa oportunidade,
as encontram rapidamente. É uma experiência saborosa poder mastigar e sentir o gosto das
palavras que não se evaporam porque já estão arquivadas nas páginas trabalhadas. É a vitoria.
É a certeza de poder afirmar: consegui!
   A história de cada um de nós é desenrolada nos mesmos moldes das “Palavras Cruzadas”.
Os momentos vividos são ou serão preenchidos nos quadrinhos do nosso dia a dia. Alguns
encaixam divinamente todos os acontecimentos para, sem medo, vivê-los intensamente
encontrando as soluções desejadas. Mas existem aqueles “Momentos Cruzados” que por
mais que procuremos nos “bancos” da existência, nada é encontrado para que se possa
ajeitar, completar o esvaziamento interior. Só existem limites angustiantes formados pelas
inseguranças e incertezas. Não encontramos soluções para os nossos “momentos cruzados”,
mesmo recorrendo aos “bancos”, sentimos que eles desaparecem no indescritível horizonte.
   Nosso desejo de soluções nos leva a uma busca maior: Deus. Só Ele tem a Palavra certa,
respostas ungidas pela esperança e, confiantes, esperemos que os nossos momentos sejam
encaminhados por Ele.
   A primeira Rosa do ano, mês de janeiro, é oferecida a todas as pessoas que têm fé, que
acreditam em Deus, e, com essa força possam preencher, com coragem, os “momentos
cruzados” indecifráveis, que surgirão durante o ano de 2010
.

 



          

                        

AUNUCIE NO
JORNAL
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
 
TEL: 9909 6269

                

Editorial

 

                                                                  Marca Intransferível
                                 

     No momento em que nasce um ser humano, o choro se torna a marca que fi cará para
sempre em sua caminhada. Ele é o primeiro e constante hóspede de nossa existência. As
lágrimas que nos acompanham se transformam em rios e nos levam a navegar nas águas
dos sofrimentos que não escolhem uma vida, mas vêm para todos sem distinção de raça,
credo, condição social ou idade.
     O choro manifestado na hora do nascimento continua sempre presente e se torna
 companheiro fiel nos inesperados acontecimentos.
     O sofrimento que é sempre fruto de problemas, doenças, mortes ou o grito de revolta
da natureza, de repente surge sem pedir licença e, como um intruso, faz morada com mais
intensidade na vida de pessoas que são focalizadas em determinados espaços de tempo.
     Muitos fatos nos levam a uma profunda refl exão: aos olhos de Deus ninguém é diferente
de ninguém.
     Muitas famílias continuam sendo vítimas das enchentes, deslizamentos de terras em
Bairros “nobres” e “populares” Esses fatos provocam desolação, mortes, separações, perdas
de bens matériais e total miséria humana É a confi rmação desta verdade: o que temos
agora pode desaparecer numa questão de segundos. Eles são algumas das causas que levam
o sofrimento a continuar e a acompanhar as famílias que estão navegando nos tristes rios
das lágrimas. Elas receberam, ao nascer, a marca que transforma todos iguais: o choro.
    Felizmente, essa marca pouco a pouco vai desaparecendo, oferecendo um intervalo
para que descubramos a cada Ano Novo: o Sol, as fl ores, as estrelas, a família, o trabalho,
momentos de preparação para outras etapas que de repente, surgirão. É preciso aproveitar
esse tempo em que o choro se cala em minha vida, na sua e de toda a humanidade.
Não podemos desanimar, mas renovar a nossa esperança de que dias melhores virão para
continuarmos lutando nesse ano que se inicia, pois apesar de tudo a vida continua e não
podemos desprezá-la.                                                                                                                Ricarda Maria




                          

               Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
               após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
               fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

       




                                       
Federação dos Estudantes de Miracema -FEM 
                                                                                    "Ontem éramos forças que se agregavam,
                                                                                   hoje somos um ideal vitorioso"

                                               

   Em 1949, um grupo de alunos do Colégio Miracemense, descontente com o controle
do Grêmio Estudantil pela direção do educandário, resolveu criar uma entidade independente.
   Liderados pelo estudante Expedito Cardoso, mais conhecido como Bipe, filho do grande
líder separatista Melchiades Cardoso, os insurretos fundaram a Federação dos Estudantes
de Miracema (FEM). Na reunião da criação da entidade, Expedito Cardoso, que também
foi o seu primeiro presidente, proferiu a emblemática frase mencionada acima.
   Embora não se possa dizer que a FEM tenha sido extinta, pois os ideais nunca morrem,
o certo é que, enquanto atuou, a partir da sua fundação, seguindo-se os anos das décadas
de 1950 e 1960, a entidade cumpriu os seus objetivos filantrópicos, culturais, esportivos,
sociais e políticos. Participou ativamente das lutas estudantis e dos movimentos cívicos em
Miracema. Na memorável campanha pela encampação da Cia. Força e Luz Norte Fluminense,
em que a população de Miracema se engajou de corpo e alma, revivendo a luta histórica
da sua emancipação, a FEM esteve presente e, juntamente com os líderes do movimento,
recebeu na Rua Direita, com as luzes da cidade apagadas, o então Governador Roberto
Silveira, que, na escuridão da noite, proclamou o ato que viria recuperar a energia elétrica
da região noroeste do Estado. Além de editar o jornal “O Federado”, a FEM, para angariar
recursos e cumprir uma das suas finalidades (ajudar o estudante pobre), realizou inúmeros e
inesquecíveis bailes com orquestras famosas, destacando-se a de Severino Araújo.
   A FEM participou da Olimpíada dos Estudantes Secundários do Estado em Niterói,
então capital do Estado, competindo nas diversas modalidades, quando conquistamos a
medalha de prata nos 100m rasos e 800m, a primeira com a Sônia Maria Cardoso Costa e a
segunda com João Baptista Freitas. No basquete (masculino) terminamos em 4º lugar. Ficamos
alojados no Estádio Caio Martins com as demais delegações, onde desfrutamos um
convívio sadio e alegre, próprio do espírito olímpico. Por iniciativa da FEM, em 1960, foi
realizado em Miracema o Congresso Estadual dos Estudantes Secundários, com representantes
de todas as associações estudantis do Estado. A entidade também liderou a campanha
do busto do poeta Barroso de Carvalho, inaugurado em 7 de fevereiro de 1960.
   Essas reminiscências não têm o propósito exclusivo de registrar um passado feliz, mas,
sobretudo, o de conclamar os estudantes de nossa terra para que não deixem apagar a chama
do ideal vitorioso que um dia fez nascer a Federação dos Estudantes de Miracema.
                                                                                                   José Geraldo Antonio

 
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