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Medo do capeta
Minha meninice na pequena Eugenópolis foi pacata. Passei minha infância sem geladeira, bicicleta e TV, só chupando picolé de vinho ou de creme, bebendo grappete, jogando futebol e torcendo pelo Flamengo. Não existia plástico nem papel higiênico. Mãos, braços e pernas sempre arranhados por árvores, urtigas, pica-das de abelhas e marimbondos. Banho quente só no inverno. No verão água fria, muitas vezes à força! A molecada não usava sapatos, só para missa e escola. As solas dos pés eram as portas de entrada para os vermes. De vez em quando um “lombrigueiro”. Tinha uma tal de santa maria que era um desastre: 12 cápsulas engolidas de uma só vez em jejum seguida de um copo de Sal de Glauber seis horas depois. A diarréia comia solta. A criançada ficava meio zureta, com uma tonteira que parecia cachaçada. Todo mundo fininho, olhos fundos, desidratados, cara de biafra, apetite zero, com gosto de cabo de guarda-chuva na boca. Nestes dias o lar permanecia em paz. Qualquer estrepulia e vinha a ameaça: - Olha a santa maria, menino! E esta ameaça fazia a turma ficar caladinha. De vez em quando um gemia com voz sumítica em bom mineirês: On cô tõ? On cô tô? Ihhhhh! Mas ninguém morreu. Ainda bem que era só uma vez por ano. Missa nos domingos de manhã era obrigatória, com 12 horas de jejum para poder comungar. Tudo isto para limpar as maldades juntadas na semana. O estômago tinha que estar vazio para receber a hóstia consagrada. De vez em quando um desmaiava de fome! Cheguei a praticar ofício de coroinha em missas rezadas em Latim. A professora de catecismo estipulava: - Olha, menino, não mastigue a hóstia porque sai sangue de Jesus e você vai direto pros infernos. Não tem salvação, nem com água benta! A gente acreditava e tremia de medo! Diziam que uma vez um tio meu, menino ainda, tirou a hóstia da boca e a colou atrás do banco. Foi um corre-corre danado, as congregadas ameaçando desmaiar e uma beata pegou a hóstia e a engoliu, vejam só! Por falta de prática a gente não abria a boca direito e o Padre só faltava enfi ar a hóstia pela goela da gente abaixo. Pegá-la com as mãos, nem pensar! De vez em quando o Bispo da paróquia aparecia para ministrar sacramentos e o “lava pés”. Um deles com mão enorme e cabeluda obrigava-nos a pedir a bênção e beijar seu anel que ficava perdido naquela floresta. Na sexta-feira da paixão era som de matraca e canto Gregoriano. Proibido sino até na estrada de ferro e as imagens cobertas com pano roxo durante toda quaresma. Meu canarinho da terra foi roubado e o delegado de polícia ordenava umas visagens que chamava de “responsá”, prática que invocava o ajutório de todos os babalaôs, orixás e demais adjuntos dos quatro cantos da terra. Um detento cantava um calango e fumava um charuto fedorento e mais preto que uma clarineta. Mesmo assim, meu canarinho nunca voltou. Por mim passaram aceleradamente os tempos das bolas de borracha e de couro com bico por fora que enganavam no pique; os fordinhos de bigode movimentados à manícula, depois a motor de arranque; os discos de vinil setenta e oito rotações. Tempo do onça. Desconfi o que sou bem antigo! De duas coisas eu tinha muito medo uma estátua do Senhor morto em tamanho natural toda riscada de vermelho parecendo angue e as pinturas mostrando o capeta com seu tridente espetando as almas pecadoras. O pior é que não sabia se eu era alma pecadora! Quando ficava raspando a garganta de noite minha mãe já desconfi ava - era medo do capeta - me levava para junto dela e me colocava num colchão ao seu lado. Recordações de uma época que já se perdeu no tempo. | |
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- Cada passo que dou, me lembra que estou sempre em marcha para a eternidade. (Dom Helder Câmara)
- Se passares o tempo a pensar na eternidade, passarás a eternidade a pensar no tempo. ( Padre Antônio Vieira)
- Sem a assistência de um Ser Divino (...) não posso ter êxito. (Abraham Lincoln)
- Deus derruba a casa dos orgulhosos, mas protege a pro- priedade da viúva. (Provérbios 15, 25)
- Nossa mensagem de esperança é que a aurora chegará. (Martin Luther King)
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LUCAS ALVIM |
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Diferentes? Não, especiais
"Os espinhos das rosas não as tornam feias. As tornam capazes de defender suas pétalas!” Estamos sempre envolvidos em meio às críticas e preconceitos e, às vezes, nos esquecemos da pureza que trazemos em nossos corações. A beleza nem sempre está estampada em um belo rosto, muito menos nas curvas de um lindo corpo. A verdadeira beleza é gravada de uma forma pura e elegante nos corações de pessoas que enxergam a vida com um olhar verdadeiro. Existem pessoas ao nosso redor que são vistas com indiferença por muitos que não os conhecem. . . Diferentes? Não , peciais! São especiais não só pelo abraço sincero de todas as manhãs, nem por aquele beijo babado que é dado com tanto amor que chega molhar o nosso rosto . . . Será que são especiais pela sinceridade ou pelo riso dado com tanta espontaneidade que, na maioria das vezes, o motivo para um sorriso é inexistente? A razão por serem tão especiais , também, não é a satisfação de todos os que vem ao redor dessas pessoas recebendo um carinho sincero e um amor sem cobrança? Contradizendo-me afi rmo que vocês crianças, jovens, adultos e idosos que são " mais que especiais" são muito, mas muito erentes de todos nós "normais". Nós possuímos indiferença, impaciência e outros milhares de "in". A verdade é que vocês são melhores, vocês são sinceros . . . E essa sinceridade faz de vocês uma coisa que nunca seremos: felizes!
Homenagem aos pais e todos os familiares que cuidam com carinho e especialmente aos alunos e funcionários da APAE de Cambuci RJ e todas as APAES do Brasil pela Semana do Excepcional - 21 a 28 de agosto – Lucas Alvim |
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