Pág.3-Nº122-Jan/10
              


 

   
            DUELO NAS NUVENS

  Já saiu da pia batismal carregando na carcaça um nome de assombração:
Budêgo. Não me perguntem de onde tiraram este despropósito. Nasceu
descalibrado, zarolho e perneta. O caminhar era completamente estranho:
pernas arqueadas e andar de pato.
  Morava num lugar muito atrasado com o nome de Jicatinga. Era fanático
pelas conquistas do Império Romano e fã de Júlio César. Enquanto virava
as páginas dos livros ia pronunciando baixinho a mesma palavra: capeta!
Ninguém entendia por que. Usava gravata borboleta e boné zebrado.
  Zé da Fia, outro tipo esquisitão do local, formado pelo Almanaque Capivarol,
também gostava de dizer que entendia de tudo. Vestia colete ensebado
com um enorme relógio na algibeira que mais parecia um despertador.
Quando bebia era um terror: parava nas esquinas e discursava ao vento.
Numa Semana Santa, em plena procissão do enterro pediu a palavra i
nterrompendo o canto da Verônica e garantiu que Judas veio trair Jesus
pilotando um disco voador. Sim, senhor, um disco voador! Sustentava que Santos
Dumont já tinha ido à lua antes dos americanos, vejam só! Vestia chapéu
de três bicos e roupa de missa para homenagear Napoleão Bonaparte pela
conquista de Assunção durante a Guerra do Paraguai e assegurava que foi aí
que ele recebeu o título de Duque dado pelo Governo Brasileiro. Que loucura!!!
Confundia Napoleão com Caxias e a Revolução Francesa com a Guerra
do Paraguai! Parava, fazia posição de sentido em plena praça, tocava uma
corneta feita de jornal enrolado e imitava Caxias: "Sigam-me os que forem
brasileiros". Seguir prá onde, perguntavam? Nem ele sabia!
  Zé da Fia começou a ter ciúmes e queria descobrir o mistério de Budêgo.
Pensou até em duelo de garrucha ou pescoção mal encarado. Os juízes do
duelo seriam Caninana e Lacraia, os maiores pinguços da região que exigiram
dois litros de pinga prá animar a refrega, melhorar as pontarias, garantir
a “honestidade” do combate, a distância e a posição dos candidatos a defunto.
  Um dia Budêgo encarou Zé da Fia na porta da biblioteca e inquiriu solene:
  - Meu senhor, o que quer o distinto cidadão comigo (gostava de falar
empolado!)?
  E Zé da Fia conseguindo a custo controlar as caninanas que cuspiam fogo
dentro do peito:
  - É o seguinte, seu Budêgo, eu só queria saber por que o senhor fala tanto
no capeta? Ta incomodando!
  E Budego: - É porque li que um centurião romano ao vencer o último
inimigo proclamou:
  - Destruímos Cartago! Matamos Annibal. Não vai haver mais guerra!
Perderemos o emprego. Roma não vai mais precisar de nós. Vamos todos
morrer de fome! Nossas mulheres e fi lhos também!”
  Aí fi quei com pena dos home, surtei. Concluí que as guerras eram necessárias
e tudo quanto é bom e ruim também. Comecei a pensar na importância
do capeta. O capeta não podia morrer! Sua morte seria o fi m de todas as
orações e promessas! Ninguém vai mais rezar o terço! Vai acabar o medo do
inferno! Aqui em Jicatinga, seu Hijuldézio vai perder o emprego de coroinha
da Igreja, dona Aldegunda não fará mais faxina; dona Mijardina não terá
mais estolas e batinas prá lavar, dona Deocleides não fabricará mais hóstia
e dona Cafubira não fará mais velas. Até o Chico Carrapeta que acaba de
fundar uma Igreja em Pito Aceso e já tá enricando vai perder a freguezia.
Perseguir, sim, matar não! E saiu em passo de sete de setembro.
  E por causa do capeta, que nem sabia da existência destes dois muquiranas,
Budêgo e Zé da Fia fi caram inimigos até a morte. Alguns dizem que
durante as tempestades, os trovões mais fortes são tiros de bacamarte entre
os dois duelando nas nuvens.



             

 

 - Muitas vezes há menos perigo nas coisas que temos do que nas coisas que
desejamos. (John Churton Collins).
- O tempo e o dinheiro são as pesadas cargas da vida, e os mais infelizes dos
mortais são aqueles que têm de um ou de outro mais do que sabem usar. (Samuel
Jonshon).
- A grande façanha da vida está na permanente remodelação de nós mesmos de
maneira que um dia saberemos enfim como viver. (Autor desconhecido).
- “Meu filho, não te desesperes. Havia certa vez um grão de areia que se
lamentava por ser um átomo ignorado no deserto; anos depois, virou diamante, e ele
é hoje o ornamento mais bonito da coroa do rei da Índia”. (Voltaire).
- Conversando certa vez, com o escritor e filósofo Fontenelle, o rei Luiz XIV
disse-lhe que duvidava da existência de homens honrados. Replicou Sentinelle:
“Existem muitos homens honrados, Majestade. Mas eles não procuram a companhia
dos reis”.
- Concentre-se num único objetivo e o atingirá. Vise muitos objetivos, e não
atingirá nenhum. (Provérbio Hindu)

               

                                                
MAGIA DO NATAL
Quantas vezes as luzes se acenderam!
Mostraram seu brilho seu calor.
Tantas vezes da vida fez o belo,
ser belo pela sua força,
mostrada pelo seu fulgor.
Também se apagaram em desespero
Também deixaram de fluir intensamente
Largando-me em desprezo mudo
Levando-me ao profundo nada
Tornando-me menor que tudo.
Ressurgirei um dia mais autêntica
Reforçada de mágicos poderes
Com olhos de capazes sentimentos:
alcançá-las cintilantes belas,
a qualquer hora a qualquer momento,
eterna luz para meu contento.
Luz que nos mostra os caminhos
Luz que afugenta os medos
Luz que irradia e acalma
Luz que incendeia a alma.
Luz esplendoroso brilho
Fortifica a nitidez das cores
Luz que afasta incertezas
Espanta trevas e dissipa dores.
Assim, quero ter esse direito
O mais brilhante e de largo efeito
Mais que tudo até hoje feito
Imensa luz penetrando o peito.

 
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