Pág.6-Nº142-Set/11



FALANDO COM COM O CORAÇÃO
Eunice Garcia do Carmo



Decisão

A hora é agora. Guarde seus problemas.
Dê um passo à frente, reúna suas forças e acredite.
Há escolhas difíceis! Muito difíceis!
As decisões precisam ser tomadas com cautela.
As soluções parecem poucas.
O processo de mudança pode ser duro, muito duro,
mas a alegria de ter vencido pode ser muito grande.
Muitas pessoas vão estar ao seu lado.
Você pode encontrar nelas afeto, carinho, apoio,
ouvindo suas histórias, te ajudando a se encontrar.
Muitas vezes você tem que deixar as coisas
acontecerem. Há situações em que, prosseguir,
requer reunir forças, escolher direções,
conhecer lugares, seguir por atalhos, passar
por muitos caminhos até chegar na próxima curva .
A vida oferece muitas opções,
muitas formas de crescimento em busca
de um novo amanhecer. Tenha coragem! Hoje é
um outro dia e você não pode se sentir triste.
Não chore hoje, mesmo que ontem você teve motivos
para chorar. Busque novos horizontes...
Viva intensamente suas emoções. Vença as batalhas
que virão. As perdas podem ferir seu
coração mas não permita que a esperança
a abandone. É preciso reacendê-la e agir
com perseverança. Dê um passo de cada vez!
Viva um dia de cada vez!
Tenho certeza de que há uma luz brilhante
no fi m da estrada e você está
indo nessa direção.
Essa estrada é somente sua.
Alguns podem andar ao seu lado,
mas não deixe ninguém
andar por você.


REVENDO O PASSADO

Revendo o passado, encontrei Miradouro, Município da Zona da Mata Minei a, com aproximadamente 10.200 habitantes, mancipado em 1995, já foi Santa Rita do Glória, Distrito de Muriaé, onde meus pais, José de Oliveira e Odí-
lia Nascimento de Oliveira, compraram 3 alqueires de terras (Nosso Sítio) na Zona Rural, para onde mudamos, aindo da Fazenda da Demanda, em Miracema-RJ e lá ficando por 2 anos, o casal com 9 filhos: Maria de Lourdes, Ailton, José, Manoel, Fernando, Áurea Aparecida, Terezinha de Jesus, Paulo e Sebastião. Lá ficaram 2 dos meus 10 anos. Perto de nossa casa, morava Dona Titita, a Professora que me ensinou os primeiros passos no caminho do bê-a-bá. O que chamávamos de Nosso Sítio deve ficar a uns 5 quilômetros de Miradouro, ou Santa Rita do Glória. Nosso Sítio, como todo meio Rural, era carente de lazer, nem mesmo o futebol, as peladas, que agregam, que atraem, se viam por lá; isto motivado pelo não ter e o não poder dos tempos da segunda guerra.
Lá em Miradouro, o nosso lazer, nossos contatos sociais ficavam por conta das missas nas manhãs de domingos e feriados. São muitas as lembranças da tenra idade.
Um dos fatos que marcaram minha memória de criança, se deu na bela Igreja de Miradouro.
Como em todas as Igrejas, mesmo durante as Santas Missas, alguns passarinhos como andorinhas, garrinchas costumavam voar, dentro da igreja, perto dos fiéis, pousando nas braços das imagens dos santos, piavam , cantavam seu canto, talvez sua oração, com um comportamento doméstico, amigo, coadjuvante. Pareciam cantar a serviço da Fé, e, às vezes dividindo consigo, momentaneamente a atenção dos fiéis, atenção que, por ordem natural, deveria ser empre voltada para Padre.
Em um bom domingo, o Padre fez uma comunicação, repetindo-a por várias oportunidades, assim dizendo: "Parece que, por engano, alguém levou o cordãozinho de ouro da imagem de Nossa Senhora. A direção da Paróquia pede que seja devolvido ou recolocado o cordão da Santa; o cordão foi oferta de uma devota a Nossa Senhora".
Um dia, o Padre, perdendo a paciência e a esperança de ver de volta o cordão, mudou o discurso e disse: "Até agora, queridos irmãos, não foi devolvido ou recolocado o cordão de Nossa Senhora. Mas aquele que o le-vou há de, por castigo, morrer seco". O silêncio foi geral e constrangedor.
Meses depois, o Pedreiro, fazendo reparos no telhado da Igreja, encontrou uma garrincha morta, seca no ninho, com o pescoço envolto pelo esperado cordão de ouro.
O padre se desculpou com os fiéis por haver atribuído a algum dos mesmos ao menos a culpa pelo desaparecimento da jóia e, furiosamente, ter rogado praga.
Para a minha tenra idade, o passarinha teria morrido pela força da praga.
Ainda revendo o passado, fui encontrar outra praga, não em Miradouro ou no Egito, mas que se tornou famosa e mostra o costume das pessoas de buscar um resultado maléfico através de palavras, é a do Lupicínio Rodrigues na página do cancioneiro popular brasileiro, intitulada Vingança. Veja com que tamanha crueldade ele deseja mal a alguém que já está "bebendo e chorando na mesa de um bar": Na íntegra, o texto:
"Eu gostei tanto, tanto quando me contaram que lhe encontraram bebendo e chorando na mesa de um bar, e que quando os amigos do peito por mim perguntaram, o soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar. Eu gostei tanto, tanto quando me contaram, que tive mesmo de fazer esforço pra ninguém notar. O remorso talvez seja causa do seu desespero, você deve estar bem consciente do que praticou, me fazer passar tanta vergonha com um companheiro, a vergonha é a herança maior que meu pai me deixou, mas, enquanto houver força em meu peito, eu não quero mais nada. Só vingança, vingança, vingança aos santos clamar, VOCÊ HÁ DE ROLAR COMO AS PEDRAS QUE ROLAM NA ESTRADA, SEM TER NUNCA UM CANTINHO DE SEU PRA PODER DESCANSAR".
A pessoa visada pela praga do Lupicínio parece não ter esperado o castigo, pelo que se nota na outra canção do mesmo autor, Cadeira Vazia: "Entra, meu amor, fica à vontade, e diz, com sinceridade, o que desejas de mim...", Isto nos faz entender que ficou tudo bem, que a pessoa amada voltou antes dos efeitos da praga, mas a garrincha de Miradouro não soube ou não pode voltar, para entrar e ficar à vontade.
Qual a sua opinião, a praga pega ou é simples desejo do espírito armado para ferir? A garrinchinha morreu por obra de m acidente no transporte do cordão ou foi por obra da praga?
reinasci@live.com


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