Pág.7-Nº122-Jan/10

                  

 
 Ser Miracemense

 Ser Miracemense é ser bairrista, e despertar alegre para a vida
 ao ver o sol nascer,
 Cultivar as letras, ser religioso ser bom filho, falar pouco e ouvir muito,
 ser respeitador, bom , hospitaleiro, é ser poeta, e cortês.
 Bom vizinho, prestativo, não jogar conversa fora, não dar rasteira nos amigos,
 Honrar os seus compromissos , ter orgulho de dizer sou Miracemense,
 Ser miracemense é aquele que tem um ideal e tem medo de perde-lo,
 que ama o próximo e respeita a sua dor, sabe que viver vale a pena,
 que a felicidade não depende nem da sorte nem de dinheiro.
 Quando criança andou de carro de rodas de rolimã, andou na chuva e descalço,
 jogou bola de meia, rodou pião e tomou banho no ribeirão;
 Passar por bobo, mas ser inteligente.
 Gostar de uma política sã e construtiva.
 É aquele que ouviu o apito do trem na estação, e o da fabrica de tecido;
 Que viu a chaminé da cerâmica soltar fumaça pelas ventas;
 O ranger das moendas da usina ao fabricar o açúcar cristal;
 E o badalar do sino de nossa matriz;
 FELIZ ANO NOVO!



 

 "Que morte linda"(Dom Paulo Evaristo Arns)

  Assim se referiu o irmão de Drª Zilda à sua morte, ocorrida no Haiti, em 12 de janeiro,
 quando do terremoto que abalou e destruiu a capital, Porto Príncipe.
  Foi difícil acreditar nesta realidade, mas Deus em sua excelsa sabedoria mostrou-me aquilo
 que posteriormente, declarou seu filho Nelson: “Tenho convicção que a mãe morreu no Haiti
 para chamar a atenção das pessoas para as crianças daquele país”.
  Sim, Drª Zilda inspirava e expirava somente amor. Amor, que ela ensinou na prática, durante
 toda a sua vida. De uma maneira muito especial nesse trabalho que ela desenvolvia. Todo o seu
 semblante brilhava ao falar da Pastoral da Criança, fazendo-nos observar a alegria entusiástica
 no seu sorriso constante e contagiante, realçado em seus lindos olhos azuis.
  Tive a felicidade de ouvi-la pessoalmente, por algumas vezes, inclusive em Curitiba, na
 comemoração dos 20 anos da Pastoral da Criança Nacional.
  Através da sua fé, mostrou uma força e coragem para enfrentar as adversidades em sua vida
 pessoal, profissional e na Pastoral da Criança.
  Antes do ocorrido, atuava como Coordenadora Internacional da Pastoral da Criança e da
 Pastoral da Pessoa Idosa, a partir de 2004. Foi indicada três vezes ao Prêmio Nobel da Paz, pelo
 Brasil. Drª Zilda, mãe de cinco filhos, a 12ª de 13 irmãos, três irmãs religiosas e dois sacerdotes
 franciscanos, morreu pregando “luz e esperança na conquista da paz nas famílias e nações”.
  Em 1982, foi inspirada a iniciar seu trabalho quando retornando Dom Paulo de uma reunião
 em Genebra, um membro da Organização das Nações Unidas incumbiu seu irmão de promover
 a redução da mortalidade infantil no país por meio da Igreja Católica. Ao receber o desafio de
 seu irmão, naquela noite Drª Zilda orou e traçou toda a metodologia da Pastoral da Criança. Ela
 se inspirou no Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes, quando Jesus saciou a fome
 de 5 mil homens sem contar mulheres e crianças. E Jesus mandou que se sentassem em grupos
 de cinqüenta a cem pessoas (em pequenas comunidades). Assim é desenvolvido o trabalho da
 Pastoral da Criança. A missão do “Bom Pastor” atento a todas as ovelhas, dando prioridade
 àquelas que mais necessitam, os pobres e os excluídos.
  A Pastoral da Criança mobiliza 260 mil voluntários em 80% dos municípios brasileiros para
 atender 95 mil gestantes e 1,8 milhão de crianças que sobrevivem abaixo da linha da pobreza.
 Já está presente em mais 19 países.
  E, em seu último discurso, no Haiti, ao iniciar, ela disse: “As crianças, quando bem cuidadas,
 são sementes de paz e esperança. Que o seu desenvolvimento começa quando ela se encontra
 ainda no ventre sagrado da mãe. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário
 e sem preconceitos que as crianças”. Ela encerrou, falando sobre a importância da sociedade
 organizada como “protagonista de sua própria transformação”, e que “a solidariedade e a
 fraternidade é o que o mundo precisa mais para sobreviver e encontrar o caminho da paz”.
  E ainda: “Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das
 árvores e nas montanhas, longe dos predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus,
 deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos
 e protegê-los”.

Regina Célia Titonelli Nunes - Rede de Comunicadores da Pastoral da Criança




  

  
  Fora de casa
 
  No período letivo frequentei o colégio e às quintas-feiras ia à
 Copacabana com minha amiga Lia para sessão das 16:00 no Metro.
 Havia também curso da Aliança Francesa, aulas particulares de inglês
 com dona Elza. Frequentava a praia do Arpoador depois das provas no
 final de ano e aos domingos durante o ano. Às vezes, ia ao teatro com
 Mamãe, ao cinema à noite com meus pais, era convidada para festas de
 aniversário de colegas onde sempre havia um momento para se dançar
 ao som dos discos de 78 RPM. A partir dos quatorze anos comecei a ir
 a alguns bailes de formatura. Vez por outra era convidada para assistir a
 competições equestres na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. O fato
 marcante, desta época, aconteceu num campeonato de salto em que estive
 presente na companhia dos pais de Gilda Marise. No dia, o frisson na
 varanda da Hípica era a presença de sua alteza real, o príncipe Ali Kan,
 que estava ou fora casado com a atriz de Hollywood, Rita Rayworth.
 Durante o circuito dos saltos efetuado pela amazona Sra. Nair, se não me
 engano, de sobrenome Tefé, a montaria dela não executou corretamente
 o salto e, dona Nair, voou por cima da cabeça do cavalo indo ao chão.
 Diante de uma platéia em suspense, o cavalo passou por cima de dona
 Nair sem tocá-la. Ela se levantou e veio em direção a varanda onde foi
 recebida por Ali Kan que beijou-lhe a mão. Faz tanto tempo, nem sei em
 que ano foi, eu era ainda estudante do ginásio, portanto entre os anos 50
 e 52 do século XX.


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