Pág.8-Nº142-Set/11




Tema:
Esperança

Aquele que espera alcança,
diz o dito popular.
Melhor que toda a esperança,
é todo o sonho alcançar.

Tema: Areia

Diante do mar tão bonito,
o rei sol tudo clareia.
Eu sou, olhando o infinito,
bem menor que um grão de areia.


Tema:
Lampejo

Não sou vida, sou lampejo.
Se durmo, seu sonho é o meu.
Se acordo, em você eu vejo
todo o amor que Deus me deu.

Tema: Canto

Em cada acorde que sai,
encontro todo o meu pranto.
Das notas toda a dor cai,
no compasso do seu canto.






É impossível em setembro não se lembrar da primavera. Muitas vezesou impertinente no mesmo assunto, mas essa estação mexe com a minha alma, parece que sem eu perceber floresce algo dentro de mim. Acredito que isso acontece também com você. São as belas tardes, é o céu infinitamente azul e o alaranjado do sol no poente, tocando a cada intimo como a esperança que não morre. Quando vejo tudo isso, me lembro das Docas de Belém do Pará e da praia do Leblon onde centenas de pessoas se reúnem às tardes para aplaudir o fim do dia e ver o sol mergulhar nas águas.
Ultimamente tenho visto o entardecer na Praça D. Ermelinda. Vou apanhar meu neto no Colégio São José e vamos para o jardim. De frente para o parque infantil a algazarra das crianças me faz sentir revigorada. São gritos, risos, que chamam a atenção a fim de me fazer sentir a vida nova daquela meninada.
Outro dia, olhando para o alto, vi a antiga casuarina misturada às demais árvores que compõem aquele ambiente Elas fazem a sombra benfazeja que cobre o parque onde os pequeninos curtem aquele espaço, quando em suas brincadeiras. A espera da primavera ela fica ressequida até a chegada esplendorosa da estação que traz a brisa intensa e às vezes, chuva. Mesmo com o passar do tempo a casuarina se torna mais forte, embora uma parte de seus galhos esteja coberta de erva-de-passarinho que tenta sufocá-la, mas ela luta para sobreviver.
Todo esse conjunto de árvores, hoje conhecido como Parque Infantil já foi por muitos anos, chamado de “Bosque”. Havia bancos espalhados sob elas. Na época, namorados que ali frequentavam dava o que falar, somente os mais ousados usufruíam daquele lugar.
Todos nós temos histórias em nossa vida ligadas a uma árvore ou a uma flor. Na infância, quem de nós já não subiu numa goiabeira ou num pé de manga? Quem de nós já não usou seus galhos para fazer neles um balanço? Quem de nós já não usou sua sombra para um belo descanso ou uma inocente brincadeira?
E por ser apreciadora desse encanto da natureza, que são as árvores, é que ao chegar a Paris fui procurar com o guia a origem da espécie Carvalho, seu plantio e onde encontrá-lo. Ela é daquela região conhecida como a árvore da França, seus frutos se espalharam para diversos países: Alemanha, Portugal, etc . É importantíssima também para os geólogos e botânicos pela sua resistência aos temporais, demonstrando sua fortaleza. Tem como significado o símbolo da força, vigor e lealdade, sendo por isso que os soldados da antiguidade quando venciam as batalhas eram coroados com ramos de carvalho, o mesmo ocorrendo com os poetas.
Já dizia Heroditus, o pai da história grega – 400 a.C que a árvore carvalho tinha dentro de seus galhos o presente da Profecia.
As grandes nações reverenciam essa árvore. Assim aconteceu nas Paraolimpíadas de Atenas (Grécia) em 2004. Em um canto, no gramado do estádio plantaram um carvalho de vinte e cinco metros de altura e eles a chamaram de ‘’árvore da luz e do conhecimento’’, como símbolo maior de toda a Olimpíada.
O carvalho é uma árvore cujas raízes absorvem e resistem às maiores intempéries, se firmando cada vez mais no solo. Por isso vivem de quinhentos a mil anos. Segundo George Herbert; “As tempestades fazem os carvalhos lançarem raízes mais profundas”. Fico a imaginar quantos milhares de pessoas se assemelham a essa árvore?
Em janeiro deste ano, juntamente com meu filho Luiz Henrique e família, fomos a São Lourenço e visitando cidades vizinhas mineiras, chegamos até o município de Carvalho. Cidade de apenas seis mil habitantes que recebeu esse nome pelo seu primeiro morador com sobrenome como da árvore e criador de uma história política no lugar. Fomos até lá por simples curiosidade, ou melhor, por levarmos o nome de Carvalho e saber a história daquele local. Valeu! Foi interessante.
Dali saímos e tocamos para São Tomé das Letras. Município bem no alto de uma serra com 6.500 habitantes e de onde se podia descortinar o lindíssimo vale lá embaixo. Cidade conhecida como mística. Suas casas são trabalhadas com pedras nas fachadas e ET (extraterrestre) em estátuas sobre os telhados dos hotéis. Conhecida também como a cidade das pedras semipreciosas. As horas passando, as lojas nos oferecendo pedrarias, símbolos místicos, tudo bem diferente num lugar tão brasileiro, tão mineiro. Hora do almoço. Adentramos no melhor restaurante indicado pelos seus moradores. Lá chegando, fiquei parada em observá-lo e voltei no tempo. Beirando o teto, ramos de alecrim contornavam todas as paredes, formando um beiral. Sentindo o perfume daquela planta, lembrei-me da horta de minha avó, na chácara da Rua da Laje. Havia uns canteiros com alecrim, diziam os antigos que ela é especial para a memória e que as crianças deveriam estudar onde houvesse o plantio. Fechei os olhos e me vi numa ciranda enorme com crianças, cantando “Alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo sem ser semeado”...
Ah! Quantas lembranças, quantas saudades de uma simples planta que em musica alegrou minha infância.
E assim vivo aguardando o colorido das flores, o farfalhar das folhas das árvores tocadas pela brisa da tarde e ansiosa por ouvir o canto da cigarra anunciando mais uma:

PRIMAVERA

O orvalho da manhã banhou
Os campos e estradas floridas,
mostrando a todos
a primavera que desperta os sonhos.
Sonhos de rosas, amor ardente.
Sonhos de manacás
com nuanças de vida sentida.
Sonhos de lírios brancos, pedindo paz.
Sonhos de girassóis, iluminados e vividos.
Sonhos eternos que o tempo não apaga.
Ficando na alma a beleza da primavera,
deixando rastros e perfume de felicidade.
Numa passagem de sorrisos
saudade e longa espera.


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