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Tema: Ano Novo.
A saudade virou trova, Na eternidade de alguém. Ano Novo vida nova, Pra quem não perdeu ninguém.
Tema: Cavalo. Um cavalo que é sem dono, Escandaliza quem passa. Espreguiça, tira um sono, Na grama fofa da Praça.
Tema: Tradição Para o Ano Novo esperar, Siga a antiga tradição: Pro desgosto acabar, Faxine o seu coração.
Tema: Versos. Pro filho a mãe não envelhece, Caminham em seus universos. Pra mãe o fi lho não cresce, É criança em seus versos.
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A estrela verde: esperança
Você por várias vezes, ao se levantar, abriu a janela, olhou o sol e se viu ao espelho? Notou diferença de um dia para o outro? Enxergou-se interiormente? Pois é, neste ano de dois mil e dez, em seu primeiro dia, não só abri todas as janelas como também as portas, acendi as luzes sobre os espelhos e me encarei. Tive a maior alegria, verdade, vi minha alma. Parecia que havia nascido naquele momento. No natal recebi uma mensagem de uma querida amiga e modelo de força de vontade, Vera Motta, e me enchi de mais esperança porque no cartão enviado ele contava a história da “Estrela Verde”. Um dia milhões de estrelas pediram a Deus para irem viver na Terra e Ele permitiu. Elas desceram, eram coloridas e enchiam de luz todos os cantos, misturando-se a tudo e a todos. Passado um tempo resolveram voltar e então Deus perguntou por quê e elas responderam que na Terra existe muita tristeza, maldade e injustiça. O Senhor lhes disse: - o lugar de vocês é no céu, Terra é um lugar “transitório”. Foi então que Ele percebeu que faltava uma delas, era a Estrela Verde e olhando para baixo, viu a Terra toda iluminada, porque cada pessoa tinha em seu coração essa estrela, que Ele chamou de Esperança. Disse às demais, que não precisava delas porque conhece o “futuro” de todos e a deixou para os seres humanos. Pergunto: o que seria de nós sem a Esperança? Foi isso que vi e senti quando estava diante da minha imagem no espelho. Havia renovado, tornei-me jovem ao ver a maravilha da vida que me rodeava e que Deus sempre coloca à nossa disposição, basta querer, ver e sentir. Daí então, eu apanhei depressa minha “porção” para o ano que começou e até um coral de pardais assanhados pipilavam, voando desordenadamente na minha varanda, acompanhando o que eu via e vivia. Passado uns minutos, ali estava eu na mesa do café da manhã, rodeada pelos filhos, noras e netos, conversando diferentes assuntos com as diferentes idades, mas que representavam a minha vida e a Esperança para novos dias. Manhã de novo tempo. Naquela hora o vento sentiu pressa para espalhar felicidade e deixa-la instalada em todas as pessoas. Manhã de um ano novo que chegou tranqüilo e na expectativa de encontrar corações abertos para recebê-lo com esperança que vem sempre acompanhada de fé, perdão e solidariedade. Pela televisão vi com pesar a bela Angra dos Reis (terra do meu Lauro) rodeada de tristeza e sofrimento nesta entrada de ano. Uma paradisíaca ilha entre centenas, assim como o morro da Carioca, dentro da cidade, se desmanchando, nublando a beleza de um lugar cinematográfi co, causando um dois mil e dez desolador para tantas famílias. No entanto, vi também a solidariedade e a esperança dessas pessoas desesperadas acreditando em horas melhores. Senti realmente que a Estrela Verde estava em milhares e milhares de corações. Foi justamente num final de ano, no mês |
novembro, é que veio a minha memória, a enchente do dia quinze de novembro de mil novecentos e quarenta, quando nosso pequeno ribeirão extravasou. Ele saiu do seu leito e furiosamente começou a invadir casas, levando o desespero a tantas famílias. Naquela madrugada acontecia o baile tradicional na Sede de Cinema Quinze de Novembro (hoje HONO) e meus pais lá estavam. Mais tarde fui despertada com a chegada deles muito afl itos contando o que se passava. Não demorou muito, meu pai trocou de roupa e saiu para ajudar. Ao chegar à Rua Direita, encontrou o senhor Carlos Pereira desesperado vendo sua casa sendo ameaçada e a Sede do Banco Ribeiro Junqueira (onde foi a Chevrolet), já inundada, pois ele era o gerente. Meu pai enfrentando a enxurrada tirou de dentro da casa, os fi lhos e a D. Didi, esposa do seu amigo Carlos Pereira, trazendo-os para nossa casa. Quando aqui chegaram, pra mim foi uma festa. Achei o máximo ter que dividir minha cama com a Virgínia, que era a fi lha mais velha. Nós éramos colegas no Jardim de Infância, então o assunto e as risadas eram tantas que fomos chamadas à atenção várias vezes, pois estávamos em meio a uma grande tragédia, como diziam. Enquanto isso, meu pai, o senhor Carlos e outras pessoas tentavam salvar os documentos e outros pertences do Banco. Na cozinha, minha mãe e dona Didi conversavam, Carmem e Sofi a faziam café. E em outro quarto dormiam os irmãos Vera Junia e Carlinhos. No nosso quintal havia um cômodo onde eram guardados fardos extras de papel utilizados pela gráfica de meu pai. No ímpeto de solidariedade ele não se lembrou que o quintal é bem mais baixo que a casa. As águas chegaram até o quinto degrau da varanda da cozinha, com isso, o cômodo encheu-se e lá se foram todas as resmas de papel de reserva. No dia seguinte, quando a água tomou seu leito na parte da tarde, o senhor Carlos e a família retornaram à casa. Fiquei triste por também ter acabado a brincadeira com Virgínia e seus irmãos. Foi então que meu pai deu conta do que havia acontecido com seu material de trabalho. Ele ficou parado, vendo aquilo tudo molhado. Nunca esqueci o seu olhar de preocupação, mas também fi caram gravadas para sempre suas palavra. Virou-se para minha mãe e disse: -“estou tranqüilo, tenho fé em Deus e na esperança de novos dias, nunca é demais ajudar os outros.” Sei há muito tempo que foram palavras de sabedoria, pois meu pai sempre as tinha no “dicionário” de sua vida. Foi um homem que nunca perdeu a Esperança, sempre lutou mesmo nas piores horas, acreditando em melhores dias. Sua fé passava para nossa família a imagem de um homem forte e decidido embora fosse de pequena estatura. Nunca deixou de incentivar a família, sempre foi a Estrela Verde em minha vida. Nesse final de ano, Deus me proporcionou enxergar mais adiante e me abençoou com a oportunidade de mais compreensão, mais solidariedade, mais saúde, mais perdão e Esperança. Deixe a Estrela Verde brilhar em sua alma, pois quem não tem esperança, perde a coragem de lutar e conseguir o que deseja. | |
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