Pág.8-Nº122-Jan/10


 Tema: Ano Novo.
 A saudade virou trova,
 Na eternidade de alguém.
 Ano Novo vida nova,
 Pra quem não perdeu ninguém.

 Tema: Cavalo.
 
Um cavalo que é sem dono,
 Escandaliza quem passa.
 Espreguiça, tira um sono,
 Na grama fofa da Praça.

 Tema: Tradição
 
Para o Ano Novo esperar,
 Siga a antiga tradição:
 Pro desgosto acabar,
 Faxine o seu coração.

 Tema: Versos.
 
Pro filho a mãe não envelhece,
 Caminham em seus universos.
 Pra mãe o fi lho não cresce,
 
É criança em seus versos.



A estrela verde: esperança
   Você por várias vezes, ao se levantar, abriu
 a janela, olhou o sol e se viu ao espelho? Notou
 diferença de um dia para o outro? Enxergou-se
 interiormente?
   Pois é, neste ano de dois mil e dez, em seu
 primeiro dia, não só abri todas as janelas como
 também as portas, acendi as luzes sobre os espelhos
 e me encarei. Tive a maior alegria, verdade, vi minha
 alma. Parecia que havia nascido naquele momento.
   No natal recebi uma mensagem de uma querida
 amiga e modelo de força de vontade, Vera Motta, e me
 enchi de mais esperança porque no cartão enviado
 ele contava a história da “Estrela Verde”. Um dia
 milhões de estrelas pediram a Deus para irem viver
 na Terra e Ele permitiu. Elas desceram, eram coloridas
 e enchiam de luz todos os cantos, misturando-se a
 tudo e a todos.
   Passado um tempo resolveram voltar e então
 Deus perguntou por quê e elas responderam que na
 Terra existe muita tristeza, maldade e injustiça. O
 Senhor lhes disse: - o lugar de vocês é no céu, Terra
 é um lugar “transitório”. Foi então que Ele percebeu
 que faltava uma delas, era a Estrela Verde e olhando
 para baixo, viu a Terra toda iluminada, porque cada
 pessoa tinha em seu coração essa estrela, que Ele
 chamou de Esperança. Disse às demais, que não
 precisava delas porque conhece o “futuro” de todos
 e a deixou para os seres humanos.
   Pergunto: o que seria de nós sem a Esperança?
 Foi isso que vi e senti quando estava diante da minha
 imagem no espelho. Havia renovado, tornei-me
 jovem ao ver a maravilha da vida que me rodeava e
 que Deus sempre coloca à nossa disposição, basta
 querer, ver e sentir. Daí então, eu apanhei depressa
 minha “porção” para o ano que começou e até um
 coral de pardais assanhados pipilavam, voando
 desordenadamente na minha varanda, acompanhando
 o que eu via e vivia.
   Passado uns minutos, ali estava eu na mesa do
 café da manhã, rodeada pelos filhos, noras e netos,
 conversando diferentes assuntos com as diferentes
 idades, mas que representavam a minha vida e a
 Esperança para novos dias.
   Manhã de novo tempo. Naquela hora o vento
 sentiu pressa para espalhar felicidade e deixa-la
 instalada em todas as pessoas.
   Manhã de um ano novo que chegou tranqüilo
 e na expectativa de encontrar corações abertos
 para recebê-lo com esperança que vem sempre
 acompanhada de fé, perdão e solidariedade.
   Pela televisão vi com pesar a bela Angra dos Reis
 (terra do meu Lauro) rodeada de tristeza e sofrimento
 nesta entrada de ano. Uma paradisíaca ilha entre
 centenas, assim como o morro da Carioca, dentro
 da cidade, se desmanchando, nublando a beleza de
 um lugar cinematográfi co, causando um dois mil e
 dez desolador para tantas famílias. No entanto, vi
 também a solidariedade e a esperança dessas pessoas
 desesperadas acreditando em horas melhores. Senti
 realmente que a Estrela Verde estava em milhares e
 milhares de corações.
   Foi justamente num final de ano, no mês
 novembro, é que veio a minha memória, a enchente
 do dia quinze de novembro de mil novecentos e
 quarenta, quando nosso pequeno ribeirão extravasou.
 Ele saiu do seu leito e furiosamente começou a invadir
 casas, levando o desespero a tantas famílias. Naquela
 madrugada acontecia o baile tradicional na Sede de
 Cinema Quinze de Novembro (hoje HONO) e meus
 pais lá estavam.
   Mais tarde fui despertada com a chegada deles
 muito afl itos contando o que se passava. Não demorou
 muito, meu pai trocou de roupa e saiu para ajudar.
 Ao chegar à Rua Direita, encontrou o senhor Carlos
 Pereira desesperado vendo sua casa sendo ameaçada
 e a Sede do Banco Ribeiro Junqueira (onde foi a
Chevrolet), já inundada, pois ele era o gerente.
   Meu pai enfrentando a enxurrada tirou de dentro da
 casa, os fi lhos e a D. Didi, esposa do seu amigo Carlos
 Pereira, trazendo-os para nossa casa. Quando aqui
 chegaram, pra mim foi uma festa. Achei o máximo ter
 que dividir minha cama com a Virgínia, que era a fi lha
 mais velha. Nós éramos colegas no Jardim de Infância,
 então o assunto e as risadas eram tantas que fomos
 chamadas à atenção várias vezes, pois estávamos em
 meio a uma grande tragédia, como diziam. Enquanto
 isso, meu pai, o senhor Carlos e outras pessoas tentavam
 salvar os documentos e outros pertences do Banco. Na
 cozinha, minha mãe e dona Didi conversavam, Carmem
 e Sofi a faziam café. E em outro quarto dormiam os
 irmãos Vera Junia e Carlinhos.
   No nosso quintal havia um cômodo onde eram
 guardados fardos extras de papel utilizados pela
 gráfica de meu pai. No ímpeto de solidariedade ele
 não se lembrou que o quintal é bem mais baixo que
 a casa. As águas chegaram até o quinto degrau da
 varanda da cozinha, com isso, o cômodo encheu-se
 e lá se foram todas as resmas de papel de reserva. No
 dia seguinte, quando a água tomou seu leito na parte
 da tarde, o senhor Carlos e a família retornaram à casa.
 Fiquei triste por também ter acabado a brincadeira
 com Virgínia e seus irmãos.
   Foi então que meu pai deu conta do que havia
 acontecido com seu material de trabalho. Ele ficou
 parado, vendo aquilo tudo molhado. Nunca esqueci
 o seu olhar de preocupação, mas também fi caram
 gravadas para sempre suas palavra. Virou-se para
 minha mãe e disse: -“estou tranqüilo, tenho fé em
 Deus e na esperança de novos dias, nunca é demais
 ajudar os outros.” Sei há muito tempo que foram
 palavras de sabedoria, pois meu pai sempre as tinha
 no “dicionário” de sua vida. Foi um homem que nunca
 perdeu a Esperança, sempre lutou mesmo nas piores
 horas, acreditando em melhores dias. Sua fé passava
 para nossa família a imagem de um homem forte e
 decidido embora fosse de pequena estatura. Nunca
 deixou de incentivar a família, sempre foi a Estrela
 Verde em minha vida.
   Nesse final de ano, Deus me proporcionou enxergar
 mais adiante e me abençoou com a oportunidade de
 mais compreensão, mais solidariedade, mais saúde,
 mais perdão e Esperança.
 Deixe a Estrela Verde brilhar em sua alma, pois
 quem não tem esperança, perde a coragem de lutar e
 conseguir o que deseja.

 
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