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O Voo das Garças.
Da varanda lanço um olhar para o infinito, abandono total, num desejo de sufocar as lágrimas que voam em direção ao eterno. De repente, o meu olhar é tomado por uma graciosa surpresa: um bando de garças sobrevoando a praça, conservando uma única coreografia. Creio que estão seguindo para o seu habitat. Meu pensamento acordou alançado por aquela espetacular imagem. Acompanhei até onde os meus olhos alcançaram. Fiquei meditando: tudo o que Deus faz é perfeito. Todos os dias elas realizam o mesmo percurso. Não sei para onde. Só sei que elas voam juntas, sempre em forma de V. Uma vai à frente como um cicerone mostrando caminhos, deslocando o ar, formando vácuo atrás e si. As outras voam neste vazio, cansando menos. Como num trabalho de equipe, elas repetem este mecanismo romovendo sempre o mesmo deslocamento de ar para que suas irmãzinhas sigam o mesmo ritmo. É um voo livre, mas sabendo como chegar. Unidas dão a impressão de um tapete branco, voador, desse que conhecemos nos livros de histórias infantis. Bom seria se a humanidade seguisse o exemplo do voo das garças. Tudo seria mais seguro, mais fraterno, mais partilhado, uma ajuda mútua sem o desejo de aparecer ou ser o melhor em tudo, mas chegando junto ao local desejado. Não deixe de perceber as coisas lindas que existem bem próximas de você. Olhe para o lado, para baixo, para o céu. Procure ver em tudo a simplicidade como a que existe no voo que estas aves nos apresentam. Viva os ensinamentos que Deus deseja passar com a Sua infinita sabedoria: O voo das garças. Lição de companheirismo, de partilha, humildade, confiança e, sobretudo, de unidade que é a força revigoradora dos seres humanos. Ainda é Primavera! Nos jardins, as roseiras enchem-se de cores vindas do desabrochar de suas flores. Aproveito para colher uma rosa para oferecê-la a vocês que jamais se esquecem das lições que o voo das garças lhes ensina. Saiba que: “Unidos venceremos. Divididos cairemos”
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Meu livro – Sentimentos do dia a dia Poesias e Trovas – revela o tudo o que eu consegui retirar de minhas entranhas, e, nos momentos de inspirações revelar o que eu estava sentindo. Quem teve a oportunidade de ler minhas poesias e trovas nele registradas, testemunhou que em cada uma mora um momento de minha vida ligada à nature-za, à fé, à família e à nossa cidade de Miracema. Não são escritos soltos, vadios, mas cercados pelas realidades que surgiram dos momentos difíceis, plenos de dor vinda das separações sofridas ou às vezes da felicidade que tantas pessoas ou a natureza me proporcionou. As inspirações surgem de repente e uma força indescritível me leva a escrever. Tenho necessidade destes momentos, pois fico sufocada pelas palavras, antes escondidas, e, num determinado momento, desejam sair de dentro de mim para morarem numa página de papel, do computador ou no mundo de alguém. É uma realização saber que tantas pessoas estão lendo e muitas outras lerão e perceberão a emoção contida na sinceridade existente no meu trabalho. Muitos pensam que o tempo da poesia já passou, mas esta fonte literária existe desde que o mundo foi criado. Ela sempre esteve presente na beleza, no mistério, no infi nito da natureza e nos seres humanos que possuem sensibilidade. Sentimos esta verdade em Miracema, na noite do lançamento do Livro: SentiMentos do dia a dia Poesias e Trovas. O recinto do Centro Cultural estava repleto de pessoas que apreciam esta expressão literária. Ela faz parte da própria vida, basta que o coração perceba o mundo poético à sua volta. Ferreira Gullar diz que “o homem inventou a poesia porque só a vida não basta”.
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Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)
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Saudade Antecipada
Da janela vejo os carros passando pela perimetral com as luzes de Niterói ao fundo e antecipo a nostálgica lembrança que ficará na minha retina, quando não mais estarei neste lugar. A inexorável determinação do tempo me leva a romper a racional espera da saudade futura. Amanhã a sala não mais terá os quadros nas paredes e outros ficarão em seus lugares, assim como os livros das estantes e os processos sobre a mesa. No curto espaço de tempo da sala vazia estará a ausente presença de quem partiu e com ela exsurgirá o testemunho dos erros e acertos das decisões proferidas na solidão do julgador; revelará a cumplicidade de suas dúvidas e convicções; exporá a angústia e o sofrimento do imponderável; confessará a ansiedade do julgamento justo e a frustração de não o ter alcançado. De tudo, restará o sentimento do dever cumprido e o vazio de não ter realizado o sonho da inalcançável utopia de dar a paz aos que vem em busca de justiça.
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