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Dizem que a verdadeira amizade é a que vem da infância, embora nem sempre tenha continuidade, porque interrompida prematuramente pelo finito aleatório da existência humana. Mas alguns, como eu, têm a felicidade de esfrutá-la ao longo da caminhada pela estrada da vida. Desde os bancos escolares do primário tenho a amizade de um fraternal ompanheiro. Nem as ocasionais separações impostas pela roda viva do tempo, que diversifica os destinos, apagaram o sentimento que me une a este amigo e nos faz comungar os mesmos ideais e valores. Duas passagens, dentre as muitas ocorridas ao longo da estrada, revelaram o caráter e a amizade sincera desse irmão que a vida me deu. Uma, na infância, quando estudávamos na escolinha da saudosa professora Solange Moreira, em frente ao Jardim. A professora instituiu um Quadro de Honra para estimular os alunos. Nele ficavam temporariamente os três primeiros colocados nas provas realizadas ao longo do ano letivo. Meu amigo sempre figurava no quadro e repetidas vezes em primeiro lugar. Numa delas, o resultado seria divulgado na aula de sábado de manhã e a ela eu faltei. Preferi pescar no ribeirão e tentava capturar um peixe (um lambari ou mandi, invariavelmente), quando fui surpreendido. Era meu amigo trazendo o resultado da prova. Sem manifestar a menor frustração e até com o semblante de contentamento, entregou-me a prova que o desbancava do primeiro lugar. O outro momento ocorreu muitos anos depois, quando vivíamos o obscurantismo da ditadura. Ele estava preso com outros companheiros. Uma de minhas irmãs foi visitá-lo na cadeia e trouxe-me o seu recado: “o agente da repressão queria saber das minhas ligações e que não aparecesse em Miracema, porque seria preso”. O desprendimento e a generosidade sempre foram características de MÁRCIO LUIZ GRANATO MENEZES e revelam não só o seu caráter, mas a pureza de sua alma. Se todos tivessem amigos como o Márcio, a vida seria bem mais alegre e fácil de ser vivida. José Geraldo Antônio
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