Pág.2-Nº144-Nov/11



Sigo.

Pela estrada afora sigo, deixando para trás tantas lembranças nas margens da minha vida: de um lado sofrimentos, do outro, alegrias. Semeei sementes, mas espinhos nasceram e penetraram em meu interior formando fendas , mostrando ausências sentidas em meu viver. Nasceram flores entre os dois pontos que sempre se convergem em qualquer tempo.
Sigo pelas montanhas íngremes, fraquejando os meus passos. Cansada, não consigo chegar ao cume, caio dentro das minhas buscas. Vou, meu barco segue, mas encalho nos altos e baixos da vida.Sempre existe uma ilha, um ombro amigo para me salvar, me carregar no colo.Caminho novamente terra fi rme, o tempo passou e para longe carregou minha angústia, mas não me deixou esquecer o lado onde fica a saudade que traz de volta momentos que me sufocam com as lágrimas da morte.
Às vezes a alegria vem rápida passear em mim, a outra margem é mais forte e oculta os tempos bons.
É Finados. Quantas flores! Elas representam o que ficou para sempre em minha vida: eternas lembranças, um vazio no ar, pensamentos preenchidos somente com o que passou. Nada mais!...
Visualizo todas as flores e colho com o meu olhar duas rosas e as envio para vocês, meus filhos, na eternidade de Deus.


EDITORIAL

Ricarda Maria

Desperdiçar o Tempo

“Os dias são iguais para um relógio, mas não para um homem”
“O tempo foi algo que inventaram para que as coisas não acontecessem de uma só vez”.
“O tempo não para!Só a saudade é que faz parar o tempo”.

Por ocasião do lançamento do meu livro, recebi um valioso cartão contendo estes pensamentos citados acima. Talvez seja porque na minha idade eu não tenha desperdiçado o meu tempo, mas aproveitado muito bem: escrevendo e fazendo o que desejei fazer, respeitando sempre os valores da vida. Senti esta intenção no pensamento de quem me enviou estas mensagens.
Eu sei que o tempo é muito valioso e que nos dá poder de espaços para tudo: alegria, lazer, sofrimento, saudade, sorriso, felicidade... É muito bom não lamentar o que se passou porque tudo foi supervisionado pelo olhar de Deus. Ele é o dono de tudo.
Desperdiçar o tempo, e´não dar valor à vida. As horas, os dias, as semanas, o ano, tudo passa numa rapidez incrível e por esse motivo ele deve ser utilizado com boas obras. A paciência é a melhor amiga do tempo. Lembremos de que de gota em gota as nascentes são formadas e logo, logo, elas se tornam o mar.
Não adiemos o que temos de fazer. Todo tempo deverá ser aproveitado para que alcancemos os objetivos desejados. A vida vai passando: a muda de uma árvore não foi plantada; o que gostaríamos de escrever ficou para trás; ocrescimento espiritual paralisou e, assim, não poderemos encontrar Deus em nosso próximo.
Tudo passa e nossas mãos podem se tornar vazias. Não há volta, pois não ficou nada no ar, na vida... Como um éter que evapora, como um vento que passa, nada mais existe e nem existirá.
“Nunca é tarde demais para fazer tudo aquilo que desejamos um dia fazer”.



Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou
após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou
fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)

Renascimento das Árvores

Alguns dias passados, a Ricarda enviou-me um e-mail sobre a derrubada de um Ipê amarelo, cujo tronco foi utilizado como poste. A árvore renasceu e suas flores amarelas se sobrepuseram aos fios da rede elétrica presos ao seu mutilado tronco. Alguém, que registrou o belo acontecimento, traduziu o seu sentimento numa poesia e no texto A revolta do Ipê!, dando conta de que passou a ser uma atração turística na cidade de Porto Velho, capital de Rondônia.
Esse fato fez-me lembrar dois acontecimentos. Um alegre e revestido
de uma beleza mística e histórica, ligado ao nome indígena da nossa cidade, com origem no renascimento de uma baraúna, de cujo tronco fincado no santuário erguido por D. Ermelinda brotou nova vida, Miracema (pau que nasce). O outro, ao contrário, é uma triste memória e só nos faz sofrer, quando o relembramos. Foi o brutal e insensível corte do nosso inesquecível IPÊ AMARELO, que em setembro coloria e dourava as noites e os dias de Miracema. O seu florir perpetuado em nossa retina mantém-nos saudosos órfãos a chorar sua cruel e insana destruição.
Conforta-nos é saber que outros ipês nascem e renascem, trazendo-nos a certeza de que a natureza, apesar dos seus predadores, sempre se imporá na sua beleza e teimosia poética a mostrar que sua morte é a morte do próprio homem.

 
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