Pág.3-Nº124-Mar/10
              

 

         LIBERDADE TARDIA

 Em cinco de outubro de 2008, às 16h30min dei meu último voto obrigatório. Fiquei livre da cangalha, espora e algemas. Saí da senzala. Estou livre. A roubalheira generalizada causa desalento e desesperança. Deixarei de ser avalista obrigatório da gatunagem. Só voto se quiser! A indignação me domina.
 Sempre tive entusiasmo, fé e esperança no futuro do meu país. No entardecer da vida hibernei entusiasmo e fé. Estou cansado de promessas de palanque, de prédios suntuosos, de casas legislativas cheias de despreparados para os cargos, sancionando leis que ninguém cumpre, nem eles. Ainda espero mudar de opinião, mas acho que não vai dar tempo. Na estrada da vida política parei de caminhar, fui jogado no acostamento atropelado pela pilantragem. A política atual destrói a honestidade e sepulta a esperança. Prometendo aos eleitores um benefício minguado retiram a iniciativa do cidadão, constrangendo pelo abuso agressivo no aumento dos próprios salários e deixando para o povo a canjiquinha que o mantém apenas rastejando. A doação material sem controle cultiva a pobreza e esgarça a cidadania. Perderam a noção de limites e de vergonha na cara. Cueca e meia viraram cofre, banheiro virou casa de câmbio, a chantagem e as negociatas invadem os plenários. Quando a sociedade pensa que já viu de tudo em matéria de abuso descobre que a pouca vergonha não tem limites. Os escândalos se sucedem e o último sepulta o anterior que cai no esquecimento .
 Pense um absurdo. Nossa realidade é muito pior. Nada é mais perigoso do que um político faminto de poder. Nosso Congresso virou casa de privilégios, nepotismos e apadrinhamentos. Senado e Câmara estão completamente desacreditados. Para o povo destinam as sobras da comida remexida e a água do copo babujado, que não matam nem deixam morrer de fome ou sede, odiosa tática política para acalmar estômagos famintos e manter o eleitor em seu lugar, amordaçado, dominado, sem iniciativa e ainda agradecido pela esmola, criando um povo de pedintes agressivos. Assistência médica de qualidade, obrigação do governo, é comprada de intermediários que exploram de um lado e dificultam do outro. Os impostos e os custos exorbitantes de água, luz, telefone, combustível, IPVA, IPTU, são um assalto ao bolso do consumidor para manter os altos salários de uma casta de privilegiados. Isto é um deboche, uma bofetada na cara humilhada dos que trabalham e pagam a ostentação. As portas dos hospitais são o retrato da miséria orgânica e financeira do povo brasileiro. 
 Depois da primeira vitória nossos parlamentares querem permanecer no poder indefinidamente. Seu picadeiro é no plenário, seu velório também. O mandato popular virou meio de vida disputado a tapa! A defesa dos privilégios está acima dos interesses do povo. Nos escrutínios recorrem ao voto secreto ou de bancada, pode escolher. É o voto covarde, voto de lacaio. Tudo é permitido, desde que seja para o bem deles. Lá dentro o toma-lá-dá-cá, as nomeações sem concurso, o nepotismo descarado, água gelada e cafezinho às ordens, multidão de assessores parlamentares que entendem tanto de assessoria política quanto eu de bomba atômica. Aqui fora o povo mendigando às portas da opulência, a angústia dos velhos aposentados e dos professores achincalhados, explorados e subjugados, que trabalham semanalmente no mínimo 20 horas recebendo salário ridículo, tentando escolarizar um povo que não traz educação do lar. Sem a educação do lar que a escola se esforça para complementar nosso povo vira ralé, chegando atrasado ao banquete da modernidade, quando chega, e entrando pela porta dos fundos, quando entra!
 Só me resta a esperança que Deus tenha piedade do nosso povo e nos dê um libertador. Tenho pena de você, meu amigo, que ainda será obrigado a votar e a avalizar a rapinagem. Para os que ficam, meus pêsames.
 A grande constatação é que maioria dos políticos nacionais em todos os níveis tem alguma culpa por AÇÃO, OMISSÃO, COMISSÃO, SUBMISSÃO, CORRUPÇÃO ou DESQUALIFICAÇÃO.

             

 

 

- Conhecer uma verdade e amá-la são duas coisas diferentes. (Confúcio)

- Antes de morder, vê se é pedra ou pão. (Adágio popular).

- Sê velho quando jovem e permaneças jovem quando velho. (Provérbio chinês).

- Quanto mais Procuremos ser felizes, tanto menos conseguimos sê-lo. (Joyce Brothers).

- A felicidade é uma emoção a sentir mais facil e mais impossível de Criar. (Norman Cousins).

- Se está correndo atrás da fortuna, Talvez esteja fugindo da felicidade. (Provérbio Indish).

- Quanto mais além Possui o homem não precisa que, tanto mais facilmente como Preocupações o possuirão. (George Bernard Shaw).


    GRATIDÃO

O nonagésimo, cansado de guerra, doente e alquebrado nesta longa etapa da sua vida e carinhosa honradamente alvejada pelos insignes figuras e pelas amigas que formam o quadro de Articulistas e colaboradores do nosso querido "Liberdade de Expressão", atingiram com certeiras flechadas e que AFÁVEIS , em cheio, o seu velho e vibrante coração, que transforma em Relicário com o fim de abrigar para todo o sempre o seu RECONHECIMENTO E GRATIDÃO, aos doze amigos que escrevem e muito bem, no nosso jornal, do qual muito nos orgulhamos, sob uma dedicada Direção de Ricarda Maria Leal Alvim. A todos que me fizeram alvo das suas belas e comoventes homenagens o penhor da minha gratidão eterna com a minha alma e coração em genuflexão.

A Professora, Oradora e escritora Maria da Graça Salim Nogueira, de que me orgulho
Ser primo, foi quem iniciou as homenagens, generosa e com uma emocionante apresentação,
O meu sincero apreço e comovido.

Joffre.

Miracema, 28/02/2010.

               

                       

Instintos de Sobrevivência


  Insistir num mundo dito por Drummond cheio de pedras no caminho não quer dizer que esta travessia seja intransponível.
 
O meu fazer é um fazer sem trégua para transpor-me isenta de possíveis ferimentos a dificuldades que possam deter-me.
 
Numa vontade imensa de fazer das cores alguma mistura válida, absorvo-me em pinceladas diversas, numa procura infinda, passiva ante uma tela num prazer constante, ciente de que para essa conquista serão necessários: inspiração, tempo, concentração, além da criatividade, habilidade e bom gosto. Se não cheguei lá, me satisfaço em, pelo menos, chegar mais próxima de tais necessidades.
 
E o Teatro? Por que me relaciono com ele?
 
Ah! O teatro é a forma mais trabalhosa de se expressar, mas também é a forma que nos põe à prova a capacidade de se distanciar totalmente do cotidiano. É a forma perfeita de brincar com a vida, apossarmo-nos de outras identidades, exercitarmos, ao mesmo tempo memória, concentração e expressão corporal na transmissão da mensagem.
 
A pegada da comédia é adequada à diversão fazendo-me a transmissora feliz dessa realização. O interessante é termos uma plateia interagindo, tornando transparente um mundo em que só o personagem existe. Personagem que nem enxerga, só sente.
 
Escrever é o outro prazer que ultimamente se tornou constante para mim. Encontrei nesse contrato outra forma gostosa de saborear a vida. Esse exercício preenche o meu vazio e, no passar a limpo, a solução de sobrevivência do que permanece dentro de mim. Muitas vezes me afasto tanto em contínuos devaneios que fica difícil voltar ao mundo real cheio de contrastes.
 
E o Estilo? Não sei se o tenho, ou se me falta capacidade para definí-lo.
 
Machado de Assis disse: As palavras têm sexo... amam-se umas as outras. E o casamento delas, é o que chamamos de estilo.
 
Seria (se é que tenho) qual o meu?
 
Eu só sei que escrevo o que me toca profundamente, num relato simples quase ingênuo, sem responsabilidade de passar informação, ou formar opiniões. Será isto válido?
 
Certamente será "Liberdade de Expressão".
 
Das três muletas de que me valho, já que nenhuma tem o cunho de profissionalismo, concluo que no pintar sou um agente mais passivo, no palco, representativo e, no escrever, mais ativo, pois ao fazer o casamento das palavras minhas, consigo ser mais clara ao demonstrar o clima, a atmosfera e o estado de espírito em que me encontro. Monitorado por esses tantos auxílios, teço cenários tristes, alegres, abstratos ou concretos como numa caminhada mais adiante do meu cenário maior: Fundo de Palco.

                                                         





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