 | |  | | | | |   |  |  |
|
|

|
Tema: Finados
A chuva cai nesse dia. Lágrimas são derramadas. Finados: melancolia, lembrando vidas passadas.
Tema: Caminhos
Não fiquem tristes sozinhos, façam sempre uma opção. Existem muitos caminhos, o melhor deles é o perdão.
Tema: Fim
-Por que você está chorando? - Muita dor dentro de mim. - Demorará até quando? - Como o mar, não tem mais fim.
Tema: Bandeira
É o povo todo contente com a Bandeira brasileira. Como pode, minha gente! Caber nela a Pátria inteira.
|
|
 |
|
|
A tarde estava nublada anunciando a chuva que seria bem - vinda, depois de tanto tempo de seca. O gramado de um verde amarelecido, ressequido pelo sol que o fazia aparentar-se daquela forma. Parecia tremer com o vento que ia aos poucos trazendo as águas do céu. As portas da Igreja permitiam sua entrada e ele tocava no manto de Nossa Senhora das Dores fazendo-o balançar desordenadamente de um lado para o outro. Esse estava apenas seguro pelo cruzar das mãos da santa junto ao peito, com o lenço que enxugara sua face. Do outro lado, bem a sua frente, pude sentir aquele chamado e através da oração me emaranhei em suas vestes e me abandonei aos seus pés. Passados uns minutos, minha alma adquiria mais força e fé. Confesso que aquela tarde, eu entrei na casa de Deus um pouco triste, o que não é do meu jeito, mas sempre há um dia. O Pai Eterno me mostrou que através de um simples vento Ele tocou meu interior fazendo voltar a alegria que procuro cultivar na minha vida. Quando dali sai, vi que a chuva havia passado e o céu estava esfogueado de tão róseo. Ali no adro da Igreja podia ver a escadaria que chegava à calçada ainda molhada, refletindo nas poças d’água a vermelhidão do sol. Imediatamente veio a minha mente a musica “La vie en rose” (a vida em rosa). De repente, me vi subindo os degraus (que são dezenas e dezenas) da Basílica SACRÉ COEUR em Paris, onde se vê toda a cidade. Como dizem os franceses: daquela escadaria se tem a vista mais bonita da Cidade Luz, principalmente ao pôr do sol. Nesse instante, os reflexos dele também fazem outra maravilha, tocam as três portas de bronze. Numa delas está a escultura da Última Ceia. A impressão que se tem é do Cristo se iluminar e tomar vida. O mesmo acontece com as imagens de Joana D’Arc e São Luís nos pórticos acima da entrada. Ladeando as portas, sobre elas, num nicho, o Cristo abençoando Paris. A Sacré - Coeur tem sua história. Foi erguida como monumento aos cinquenta e oito mil soldados franceses mortos na guerra Franco-Prussiana em 1870. Sua construção foi uma promessa de dois empresários católicos de Paris ao Sagrado Coração de Jesus, caso a cidade fosse poupada. Levou 46 anos para ser terminada. A Basílica fica em Montmartre, na praça principal. De lá saem vielas, praças e largos onde a vida é de boemia e artística. A Place du Tertre tem um cenário próprio para os turistas, onde os pintores de rua a retrata na hora. Esse é um dos encantos de Montmartre, chamam-no curiosamente de Butte (morrinho ou colina), devido sua altitude. É o ponto mais alto de Paris. Lá se encontra o Museu com o mesmo nome mostrando a história da região, enfatizando a vida boêmia da “Belle époque”. Naquela ocasião vários pintores famosos ali residiram como Renoir e outros. Perto dali, descendo a colina pelo “funicular”, (elevador) chega-se à Rue Caulaincort de onde descortina o Cimetière de Montmartre com túmulos famosos como o do escritor Alexandre Dumas, o poeta alemão Heine, o bailarino russo Nijinsky, sempre homenageados com flores e visitas dos turistas. Depois de viver tudo aquilo, eu fiz uma viagem ao meu interior e comparei aquela majestosa Sacré Coeur com a simplicidade da nossa Igreja Matriz que também tem a sua história. Primeiro foi uma capelinha cujo esteio brotou (onde foi o jardim Clarinda Damasceno), só bem mais tarde, é que foi construída onde hoje se encontra. A rua atrás dela, não era de artista como Montmartre, mas sim da boemia miracemense e “mulheres da vida”, assim como o cemitério no alto, ao contrário de Paris. Sempre faço um paralelo e sem perceber comparo as coisas de Miracema com as que eu vejo nas viagens. Ao recordar tudo isso e o dia de finados se aproximando, me entristeço pela saudade e também pela ausência de sensibilidade que está clara, com a falta de respeito aos que partiram. O que está acontecendo com as pessoas? Onde foram os vendedores de flores que coloriam as calçadas do jardim nessa época? Não apareceram. Ficou ainda mais triste o dia. No jornal O Globo, na coluna do Ancelmo Góis, uma nota me chocou. Disse ele que o cemitério Jardim da Saudade de Paciência (Rio de Janeiro), para “amenizar a dor”, foi armado ali o circo do ator Marcos Frota. Li várias e várias vezes sem acreditar no que os meus olhos viam no jornal. Meu Deus! O que está se passando? Onde andam os sentimentos e o respeito? É com muito dó que vejo certas mudanças e ouço pessoas dizerem que a visita aos falecidos já está ultrapassada. É, realmente, parece que mudaram as atitudes, porém tenho certeza de que isso não significa antiguidade ou velhice, mas educação e reconhecimento a aqueles que se foram. Isso tudo me faz usar o pensamento de Bernard M. Baruch quando escreveu; “Segundo meus cálculos a velhice tem sempre quinze anos a mais do que eu”. Então crio forças e ajo como a águia. Ela vive setenta anos, mas quando chega aos trinta e cinco começa a encurvar o bico e as garras quase não podendo se alimentar. Suas penas se endurecem e ressecam. Ela luta para mão morrer e, então, num esforço sobrenatural voa para a montanha mais alta, bate o bico e as garras numa pedra até que eles caiam e deem lugar para outros nascerem. O mesmo faz com as penas, arranca-as com o bico até sangrar, permitindo assim, que as novas apareçam. Depois de revigorada do longo sofrimento, alça voo a procura do meio para viver o resto do tempo que tem. Assim faço também. Luto e delicio com o que a vida tem ainda a me oferecer. Entre tantas lembranças e algumas decepções, ainda percebo que estou VIVA em minha Miracema. Dia desse, recebi em minha casa uma visita com um convite por sinal me fez vivenciar o pensamento de Baruch, a luta separatista de meu pai e o amor incondicional de Lauro por nossa Terra. Não foi a posição ou o cargo oferecido a mim, mas a lembrança de um miracemense que me fez ficar sensibilizada e também orgulhosa por ser considerada capaz de colaborar e lutar pelo bem comum do nosso Município. Obrigada, por ter me honrado com seu convite. É gratificante quando nos veem e nos valorizam. Só posso desejar-lhe o que lhe diria em francês, o grande Napoleão Bonaparte aos seus soldados: Bonne Chance (boa sorte). Uma doce, suave e eterna “Vie en Rose”.
|
| |
| |  | |  |
|