Pág.8-Nº124-Mar/10


 

Tema: Revolta

Meu choro não é revolta,
Mas separação ferida.
Saudade de quem não volta,
São sobras da despedida.

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Tema:Acácia

Mostrando ser companheira.
Minha acácia não deu flor
Essa foi sua maneira
De estar comigo na dor.

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Tema: Celular

Quando toca o celular,
Nosso pensamento voa.
O que iremos escutar?
Torcemos por coisas boas.

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Tema: Banquinho.

Num banquinho da varanda,
Sempre a saudade acalento,
Sua imagem como guirlanda,
Enfeita meu pensamento.



  Com a chegada de fevereiro a cidade vai mudando seu ritmo. Após o carnaval pais, jovens, crianças começam a invadir as papelarias adquirindo material escolar. Cada caderno apresenta estampas diferentes nas capas, mochilas homenageando super-heróis, artistas, etc. de acordo com o gosto de quem compra.
  Em cada rosto nota-se a curiosidade de como será o ano letivo, quais serão os professores e, também, a esperança de chegarem ao seu final com êxito. São os mestres correndo para as reuniões pedagógicas, são alunos se encontrando com seus colegas que há meses não se viam, são crianças que irão começar a vida de conhecimento e saber.
  Numa época que já vai longe, só havia o Jardim de Infância Clarinda Damasceno onde eram dados os primeiros passos para o aprendizado e o entrosamento social entre professores e alunos. Tudo era ensinado como se fosse uma brincadeira, mas era tudo verdade. Desde o chegar as normas de educação se faziam. À espera dos alunos lá estava ela, Dª. Titina Ciuffo, recebendo carinhosamente cada um e levando-o ao seu lugar. O uniforme era branco, estilo avental, com o nome do aluno bordado na pala. Os bolsos eram presos nas pregas do mesmo, tendo as iniciais JI também trabalhadas em vermelho. Na cabeça, as meninas usavam um grande laço branco e, cruzada no peito a sacola da merenda com o nome. Até hoje sinto o cheiro da laranja que sempre levava e que era colhida na chácara do meu avô, bem cedinho antes de ir para a aula. Antes de tomar o assento, a sacola (merendeira) era pendurada num cabideiro junto à pilastra que ficava na direção da mesa da turma.
  Logo após a chegada dos alunos o portão era fechado, embora algumas crianças chorassem e outras queriam que os pais ficassem. Em seguida, ficávamos de pé e a professora (na época era Lucy Lami que precedeu Maria do Carmo Soutinho), sentava-se ao piano e todos nós cantávamos: "Viva o sol / o sol da nossa terra / vem surgindo atrás da linda serra)... Nessa saudação ao sol, após anos, comecei sentir que já aprendíamos valorizar esse astro como a vida e a alegria de estar naquele ambiente e iniciando um conhecimento cultural.
  Ali as crianças eram despertadas dos sonhos infantis. Aos poucos iam mostrando a cada um como enfrentar as brincadeiras, deixando para trás o egoísmo que guardam em seu interior por serem resguardadas pela família e tão amparadas. No entanto, é necessário acontecer para que a vida continue a fim de saberem se defender, aprendendo.
  Além das aulas de tecelagem no caderno apropriado, o desenho e a musica faziam a criança acordar para um mundo diferente. Entre elas havia o recreio que acontecia debaixo de dois fícus frondosos do lado direito do Jardim da Infância. Sempre bem podados, redondos, davam a sombra desejada pelos alunos. Sob eles fazíamos a merenda e brincávamos na areia, onde os acidentes geográficos eram ensinados sem que percebêssemos. Eram montanhas, ilhas e essas eram as melhores, pois precisávamos apanhar água para cercá-las, então era uma farra. Qual criança não gosta de brincar com água? E o ribeirão Santo Antônio? Cavávamos um sulco bem longo e mais profundo para vê-lo correr. Com isso íamos adquirindo conhecimentos e aprendendo a ler na cartilha de Tomás Galhardo: "Vovó viu a ave".
  O numero de alunos crescia e a direção do Jardim de Infância alugou duas grandes salas na casa em frente, cuja proprietária era Dª. Paulina Sodré (hoje pertencente ao desembargador Marcus Faver) e ali eram as aulas de musica, teatro e os brinquedos mais bonitos ficavam lá guardados. Uma vez por semana íamos ali brincar. Era a meia hora melhor do mundo.
  O conhecimento e a cultura caminhavam de mãos dadas e de lá saímos sabendo ler toda a cartilha (alfabetizados), desenhar e fazer trabalhos manuais com exposições semestrais. Aprendíamos a falar versos e também a viver vida de artista, pois as peças teatrais sempre aconteciam ao encerrar o ano.
  O tempo foi passando e um belo dia fui levar meus filhos até o portão do Clarinda Damasceno que tantas lembranças me trazem. Todas as vezes que lá chegava parecia ver Dª.Titina solicita, alegre, porém enérgica, mas sempre acolhendo as crianças maravilhosamente. Até hoje, passo por ali e vejo o mesmo portão por onde atravessei e meus filhos também centenas de vezes, adentrando o educandário.
  Os filhos cresceram, tomaram cada um seu mundo, sua família e, de repente, eis que me vi diante do portão, não do Jardim da Infância Clarinda Damasceno, mas do Centro Educacional São José, vendo meu neto Gabriel de apenas dois anos entrando no novo "castelo do saber". Ele vai, aos poucos, descobrir que sua "vidinha" não é apenas o Parque da Praça Dª. Ermelinda, seus amiguinhos de brincadeiras, a pipoca do senhor Tarcisio, a água de coco, a carrocinha de cabrito e o pula-pula. Enfim vi mais uma vez um menino de cabelos dourados e cacheados como seu pai, começando uma historia de vida. Lá foi ele com a mochilinha nas costas, entrar no novo mundo que dará inicio ao seu futuro.
  Eram quinze horas e cheguei ao portão para apanhá-lo. Surpresa, deparei-me com uma tela pintada de todas as cores com a assinatura de Deus: dei-lhe o nome de "Inocência". Sentado no banco de espera um menino de cabelos cacheados e dourados, posicionado como um anjo, levantou-se e veio a meu encontro. Revivi décadas, quando ia apanhar meus filhos suados das brincadeiras, com as carinhas besuntadas de merenda e com o uniforme que não tinha cor de tanto lápis de cera e de outros materiais. Hoje, no primeiro dia de aula do meu neto "anjo" Gabriel, senti a alegria em vê-lo do mesmo jeito em que seu pai e tios. Meu peito apertou na saudade quando vi aquele menino tão pequeno, de braços abertos ao meu encontro, começar a deixar no livro de sua vida o prefácio de uma grande história de conhecimento e cultura. Pedi a Deus por ele e agradeci aquele momento.
 Ao observar o Gabriel de mochila nas costas como se fosse as asas de um anjo, pareceu-me vê-lo entrando num: Cantinho de céu estrelado / onde o anjo se acomodou / procurando luz do saber / Ali tudo no dia a dia / é para aprender / brincando entre sonhos e fantasia.
 Abençoado São José / onde as estrelas e astros / pela terra a caminhar...
 À procura do futuro / na lembrança de cada um / para sempre irá ficar.


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