Pag.8-Nº126-Maio/10


Tema: Cansaço

Angústia! A hora não passa.
O tempo morre no espaço.
Percebo que a fé me abraça,
Aliviando o meu cansaço.

Tema: Lágrimas

Lágrimas teimam e rolam,
Dores germinam em meu peito.
Os fatos não me consolam,
Sinto o meu mundo desfeito.


Tema: Sombras

Sobre a minha prateleira,
Vejo a sombra de uma cruz.
Ela é minha companheira,
Dentro dela está Jesus


Tema: Estrelas.

Voaram do céu duas estrelas,
Para em minha alma ficar.
Não posso mesmo esquecê-las,
São saudades em meu olhar.

Tema: Fim

Tudo me lembra suas vidas,
Se respiro estão em mim.
Sou eterna agradecida,
Sei que a morte não é o fim.





   De outras vezes, já escrevi sobre a bela estação do outono que nos faz pensar a cada ano que caminhamos também para o outono da vida. Ela sempre toca a alma com seu tom dourado das folhas, parecendo refletir a cor do sol que ao se recolher irá irradiar seu intenso calor para o outro lado do mundo, onde começa a primavera, dando cor e vida às belas cerejeiras do Japão.
  É uma época em que o dia é mais curto e a noite vai ocupando seu espaço rapidamente, deixando uma certa melancolia no ar. Entretanto, é uma linda ocasião para frequentar as grandes salas de espetáculos teatrais, admirar as obras magníficas dos museus, ouvir um inesquecível concerto, assistir a uma temporada de famosos cantores nacionais e internacionais e nunca esquecendo que, também, é o mês de Maria, mãe de Jesus.
  Numa dessas manhãs, ao abrir a janela do quarto me deparei com uma cerração fechada, mal se podia ver os hibiscos que cobrem o muro do quintal. Fiquei admirando aquela névoa tão branca e aos poucos fui me envolvendo por ela adentro, quando percebi, estava voltando no tempo. Senti que maio está se aproximando e ali o que eu via tinha uma força tão grande que me arremeteu à lembranças de época distante.
  O mês de maio sempre dedicado a Nossa Senhora era um acontecimento. A Igreja toda iluminada, o altar principal era escondido por uma grande armação cuja escadaria era toda trabalhada em cetim e flores. No centro, no alto, ficava em um nicho a imagem da mãe de Jesus. Também aconteciam as ladainhas tradicionais, a benção do Santíssimo, culminando sempre com a coroação à Virgem Maria feita por crianças em suas vestes de anjos e arcanjos. Além da coroação, havia a oferta da palma dourada colocada nas mãos da Santa. Vinha o badalar dos sinos, o incenso perfumado impregnando a paz nas almas, enquanto os outros anjos jogavam pétalas de rosas, monsenhor branco, homenageando a Mãe Santíssima.
  Naquela ocasião, o inverno parecia começar no mês de maio. O frio se fazia intenso, a neblina caia cedo e o adro da igreja ficava úmido aumentando a sensação térmica. Os anjos ficavam naquele espaço à espera de entrar após a ladainha e fazer o cortejo para acontecer a coroação. Lá fora, os anjos, inquietos, tiritavam de frio e para passar o tempo e se aquecerem, brincavam de pique até o momento de se organizarem. Uns precisavam ajeitar novamente as asas, as grinaldas tortas na cabeça, o cordão da cintura fora do lugar e o chamar de atenção das organizadoras (irmandade das Filhas de Maria) e dos familiares responsáveis, faziam todos ficarem em silêncio.
  Maio, mês em que a criançada ia à casa de parentes, amigos, vizinhos para pedir flores e homenagear a Santa. Além dos anjos, havia as Escolas, cada uma tinha seu dia de saudar Nossa Senhora e se esmeravam em suas ofertas. Recordo-me bem, era uma festa, sair pedindo flores. Na nossa rua Cel. Jose Carlos Moreira, uma das pessoas que mais colaboravam era Dª. Josefina Tostes, a Dª. Finoca, mãe de Maria Tostes). Ela morava onde hoje reside à família Souto. Desde o portão da garagem até o fundo do quintal era um canteiro só, todo plantado de monsenhor, pequeno e branco, perfumando o ambiente. Da. Finoca era uma senhora muito delicada e sempre junto dela estava Da. Jovem (apelido) sua irmã. Eram muito simpáticas, educadas e sempre dispostas a atender às crianças. Parecia até que elas plantavam o jardim para naquela data, poder servir a quem pedia. Elas viam aquelas flores serem despetaladas para cobrir a mãe de Jesus e ficavam felizes.
  Num mês de maio da vida, Magali Moreira e eu fomos apanhar as flores e me lembro bem quando Da. Finoca nos disse: - "Vou dar para a xará da minha filha Maria". Saímos dali rindo, sem saber o que significava aquela palavra. Criança é tola, não é mesmo? Quando contei em casa como ri, levei o maior pega por ter achado graça no que ela disse. Tive que ir lá para pedir desculpas, depois fiquei sabendo o que queria dizer "xará".
  Tudo isso veio à minha mente em segundos, quando abri a janela e vi a cerração. A sensação de saudade invadiu aqueles momentos até que a névoa se dissipasse e o sol aparecesse totalmente. Ele chegou frio, preguiçoso, derramando seus raios sobre meu quintal, não se importando com as plantas que ali estavam aflitas para receberem seu calor, pois a umidade causada pela cerração tinha deixado todas bem molhadas, dando-lhes a impressão de estarem em pleno inverno.
  Saí da janela e fui viver mais um dia, cuja vida me é oferecida pelas graças de Deus. Andei de lá pra cá, de cá pra lá e, passadas algumas horas, resolvi novamente olhar os hibiscos. Pareciam mais cheios de vida, mais exuberantes, expondo uma flor aqui, outra lá e ao seu redor. O chão estava como se tivesse sido lavado. Então vi que o sol havia feito sua parte, aqueceu como devia e o orvalho se desmanchou em lágrimas, banhou as plantas, aumentando seus dias.
  Então, senti que dezenas de outonos já haviam passado e as crianças daquele tempo já esperavam o inverno da vida. O perfume do monsenhor há muito desapareceu. A brincadeira dos anjos no adro da Igreja tornou-se uma linda pintura de saudade. O sorriso de Dª. Finoca ficou para trás, numa época longínqua e a xará de Maria Santíssima como dizia sua mãe, a Maria Tostes Amim, partiu ao encontro dela numa outra dimensão.
  Deixou para sempre os outonos da vida, não mais poderá lembrar da cerração que cobria as centenas de monsenhores de sua casa naquela época porque o tempo passou. Deus a envolveu, certamente, em muitas nuvens e chamou os anjos para fazer dela uma nova estrela.
  Nesta crônica de outono, deixo minhas lembranças do mês de maio a Maria Tostes Amim, cujo conhecimento e amizade entre nossas famílias foram de longos e longos anos e sua ausência, Maria, é sentida por "toda nossa Rua das Flores". Que você esteja num grande jardim, distribuindo flores aos anjos, para que eles possam transformar o outono da saudade dos que aqui ficaram em uma linda primavera.


   Ao Wilder Leal Alvim

A lua lá em cima chorou,
E, entre nuvens se escondeu,
Seu seresteiro calou
E um anjo o acolheu.
O poeta se despediu
Deixou apenas um adeus
Com saudade ele partiu
Foi fazer versos pra Deus.
Deus com amor o recebeu
E uma festa lhe preparou
Mas, Wilder se esqueceu
E seu violão não levou. .

Ao poeta, ao amante da música e ao Diretor

Do Jornal "Liberdade de Expressão, a minha despedida.


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