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O destino de um brasileiro excluído
O mais tremendo grito de guerra é o grito da fome (Josué de Castro).
Foi numa sexta-feira, por volta das dezoito horas, hora de rezar as Ave-Marias, hora de louvor, de caridade, de fraternidade, de solidariedade total. Ele chegou numa ambulância e foi deixado na porta do Hospital, encaminhado pelo Pronto-Socorro para ser atendido. Uma alma caridosa o acompanhava. Não era um familiar, mas um vizinho, alguém que se condoeu de seu sofrimento. Nenhum parente, nenhuma história de vida, nada! Não sabíamos nem seu nome. Na papeleta que posteriormente nos chegou às mãos constava um nome José (fictício), e só! Tratava-se de um senhor negro, aparentando oitenta anos, mas tinha apenas cinquenta e oito. O sofrimento e a restrição material da pobreza davam-lhe aparência senil. Barba branquinha. Como estamos em dezembro, poderia ser um Papai Noel enviado por Deus para testar a caridade dos homens! Estava tão abatido, tão magro, verdadeiro estado de penúria orgânica. Não respondia às perguntas, nada entedia se solicitado. Quando insistentemente inquirido dizia automaticamente que estava bem. Queria sossego. Não entendia onde estava nem se interessava por isto. Queria apenas dormir. Era um companheiro humano que necessitava de auxílio e proteção urgentes! A aparência era de total desnutrição, carência protéica extrema. Constava que vivia sozinho. Ninguém dava maiores detalhes. A pele não tinha sustentação, parecia colada nos ossos, como se quisessem perfurá-la. Encolhido no leito, a musculatura totalmente atrofiada, cotovelos e joelhos flexionados e endurecidos como se estivesse se defendendo de alguma agressão. Olhos fundos, olhar vago, sem qualquer expressão. Alguém informou que vivia sozinho e que não se alimentava há uma semana! Apoiando nesta precária informação, tratamos de alimentá-lo e hidratá-lo em primeiro lugar. Com muita difi culdade foi-lhe dado um alimento leve que deglutiu algumas colheres visivelmente forçado. Morreria sozinho e em pouco tempo se continuasse naquele estado. Em seu socorro veio o Hospital de Miracema como sempre entidade caridosa, com um passado de solidariedade e atenção aos sofridos e desamparados. Imediatamente foi atendido em suas necessidades básicas: alimentação e higiene. Foi hidratado durante toda a noite associando-se vitaminas cuidadosamente administradas para que não tivesse um choque provocado por absorção rápida dos nutrientes aos quais não estava mais acostumado. Exames de laboratório foram requeridos com urgência. Começou a apresentar melhoras após seis horas de internação. Na manhã seguinte já abria os olhos e mostrava-se lúcido, em condições de informar maiores detalhes de sua vida. Á nossa frente estava um brasileiro alijado da sociedade, que vive às margens do progresso, que não tem direito nem ao alimento diário, submetido à maior humilhação: passar fome. Que trabalha na terra com o suor do rosto, roupas em frangalhos, mãos calejadas, vivendo de bediência e servidão. Ao fi nal do dia estes brasileiros retornam ao lar do mesmo jeito que saíram, sem dinheiro e sem alimento. O que será de seu “amanhã”? A humanidade por eles passa indiferente. Enquanto isso os poderosos que tomaram conta do país continuam a explorar este povo e nos fi ns de semana viajam de avião e “de graça”, lépidos e fagueiros para o ócio indigno à custa da miséria deste mesmo povo. | |
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- A verdadeira paz não é a ausência de guerra, mas a presença
de Deus. ( Gereformeerd Wickblad)
- A não violência é o primeiro artigo da minha fé;e é também
o último artigo do meu credo. (Mahatma Gandhi)(Bertrand
Russel)
- Serve e caminha. O teu caminho será de luz e paz. ( Anônimo)
- Deixo com vocês a minha paz. A minha paz lhes dou.
( João 14, 27)
Nunca houve uma boa guerra ou uma paz ruim. ( Benjamim
Franklin)
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LUCAS ALVIM |
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Acordando
Ela acorda de um sonho tentando entender . . . Mantendo o seu silêncio, silêncio de quem quer viver . . . Em frente ao espelho, tenta se curar com seu baton Em seu reflexo, busca a cura do seu coração Sua janela entreaberta, o sol convida para sair Pra algum lugar que aqueça, longe do frio da ilusão E ela não quis evitar essa luz vinda dos olhos teus E enquanto respirar, verá que o sol não se escondeu!
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