Pág.8-Nº106-Set/08
                                                                          
 Tema: Visita.                               

 É bom receber visita,
 Sentir um abraço apertado.
 O meu coração palpita,
 Decreto logo: feriado.

                                         Tema: Violino

                                      Quando toco o meu violino,
                                      Sai da arcada nota essência.
                                      Lá na partitura um hino:
                                      Perfume da adolescência.

                                                                       Tema: Ana Clara

                                                                   Na seara da minha vida,
                                                                   Nasceu a mais linda flor:
                                                                   Ana Clara tão querida,
                                                                   Vi no mundo Deus amor.
                                                                   
(Aniversário de minha bisneta 
                                                                    Ana Clara -
29 de setembro)

                                                                                                                          Tema: Banda Sete.
                                                                                                                       
                                                                                                                         É aniversário, me lembro:
                                                                                                                         Com retretas e com palmas.
                                                                                                                         Banda Sete de Setembro,
                                                                                                                         É só música em nossa alma.


 Sempre tive preferência pela primavera. No mês de agosto fico ansiosa a esperá-la, pelas manhãs frescas como um finzinho de inverno e as tardes ensolaradas e amenas.
  O canteiro que envolve a centenária mangueira do meu quintal dá o sinal da proximidade da estação, nele os lírios da paz embranquecem o lugar, e, ficam às vezes salpicadas de amarelo pelas flores que caem sobre eles da velha árvore. O beija-flor vem sem cerimônia bicar a água no vidro pendurado na varanda, enquanto os pardais vêem procurar migalhas e alpistes deixados pelos periquitos e chegam a chocar com as paredes, de tão rápidos que voam.
  São manhãs cheias de vida, são artistas da natureza que fazem do lugar o palco para representarem, porque, como platéia, aplaudo aqueles momentos que antecedem o que sempre espero, a primavera. Que ela venha mais bonita este ano, para eu poder viver todos os seus dias, sempre repleta de luminosidade, trazendo alegria, encantando com as cores e enchendo os olhos de luz.
  Nesse agosto, à espera foi mais cedo e no palco do Estádio de Pequim (China), as cores dos fogos que clareavam e embeveciam todo o mundo, anunciavam o que estava por vir.
  Finalmente chegou, fazendo todos os países aplaudirem de pé, o trabalho e a tecnologia de um povo que mostrava a fantástica cultura de milênios, com regime rígido de vida, mas com vontade incalculável de sempre crescer.  
 Noites e madrugadas nesses dezessete dias, dias esses que foram oficializados desde a primeira Olimpíada na Grécia, em que tudo cessava no tempo, enquanto aconteciam às disputas, eles paravam de guerrear, só retornando as batalhas quando os jogos terminavam.
  As batidas dos dois mil e oito tambores milenares, iam de encontro ao compasso dos corações de todo o mundo que estava à espera da ave da paz pousar no seu ninho. Um emaranhado estrutural, feito pela capacidade do homem, que foi iluminado e inspirado por Deus, criando o “Ninho do pássaro”. Esse foi sendo aquecido pelo calor humano, pela cultura de uma gente que mostrou seu país em todos os aspectos e senhores das grandes invenções, encenando no grande palco do ninho a formação de um país até a tecnologia avançada que está tomando conta do mundo.
  China, significa “Centro do mundo”, é no centro do estádio, no meio do ninho, que o jovem pianista Lang Lang foi aos poucos chamando com seu talento e com a música que une todas as pessoas, a grande ave branca da paz, para que tocasse todos os povos ali representados pelos atletas e que eles dessem as mãos para um mundo melhor.
 
Quem não viu a belíssima abertura das Olimpíadas na manhã do dia oito de agosto, não viu o dia passar e perdeu por não ter aplaudido tamanha maravilha e indescritível organização de um grande país.
  Com o tempo de vida, aprendi a esperar pelos grandes momentos e saber aplaudi-los quando chegam. E foi assim, que o mês de agosto me mostrou mais uma vez como aguardar a primavera, pois ela chegou mais rápido do que eu esperava, me surpreendendo. Foi no dia quinze deste mês, no palco do Clube XV de Novembro, com uma deliciosa comédia “Um conto, antes que nunca mais!” do autor “PRÍNCIPE” Marcelino Tostes Padilha, que com grande capacidade e criatividade, deixou uma bela mensagem para os que vivem de recordações dos contos infantis e que já estão sendo esquecidos e se perdendo para os que resistem, dizendo que estão fora da época. Felizes e benditas as jovens senhoras que expandiram alegria, contagiando a platéia e vivendo naquelas horas a infância que havia passado, lembrando o que já se tornou uma frase popular, que diz: “para não deixar morrer a criança que existe dentro de cada um”. Aquele que não a conserva e não a liberta já nasceu velho e sem vontade de sorrir.
  Voltei ao tempo em que de uma caixinha de música, saia a “BAILARINA” com suavidade da dança, fazendo magia que ia tocando o coração, despertando os anseios de criança existente em cada alma.
  
  A luz em minha alma brilhou
  Quando o laço de fita vi
  Nos negros cabelos da “BRANCA DE NEVE”
  E essa história jamais esqueci.
  Naquele lugar, onde o palco ofuscava de luz, vinha a minha memória um tempo em que sonhava com os sapatinhos de cristal da “CINDERELA”, imaginando calçá-los e sair correndo pelos jardins, pelos caminhos da vida, desejando não esquecer o que vivia na infância e que o mundo nunca fosse uma abóbora, mas eternamente uma brilhante carruagem, que me levaria através dos tempos. Acredito que fui atendida, sinto a vida bem vivida.
 
 Os minutos passavam e as lembranças eram mais vivas, me vi substituindo minha mãe contando histórias do “CHAPEUZINHO VERMELHO” para meus filhos, parecia vê-los muito atentos, sempre com dó da vovozinha, ouvindo por várias vezes o mesmo conto até o sono chegar.
  VOVOZINHA de hoje é esperta
  O lobo mau não a enganou
  Ela está no século vinte e um
  E por ele se apaixonou.
  No meio de toda história, a boneca EMÍLIA marcou a peça com sua irreverência, a mania de se meter nas conversas, dar palpites, mostrando-se mais viva em suas travessuras. Ela encanta a todos até hoje. É engraçado, para ser boneca, é preciso tocar a sensibilidade e o coração, e, ali no palco ela fez despertar a saudade do tempo para muitas pessoas que a possuiu durante a infância. Ela é uma boneca sabida, que não tem tristeza e curte o faz-de-conta para alegrar crianças e adultos. Porém, a EMÍLIA do mundo do teatro é apenas uma mulher poeta, sonhadora e que brilha no decorrer da vida, ali ela lembrou sua infância passada nas terras de Palma, quando também brincou com bonecas.
  E para os sonhos pousarem, não no “Ninho do pássaro” em Pequim (China), a MENINA que visitou os personagens na casa das recordações, viu que os SONHOS não precisam de ninho para serem guardados, mas, da simplicidade da alma, de uma infância com contos infantis, com tempo das pessoas para valorizarem a literatura e passá-la adiante, a fim de que a “chama das histórias” não se apague como a “pira olímpica”, e não caia no esquecimento.
  Tivemos pouquíssimas medalhas de ouro nas Olimpíadas, porém tenho certeza de que as demais foram reservadas aos nossos artistas e autor da peça teatral: “Um conto, antes que nunca mais!” Parabéns!
  Tudo isso para mim é Primavera.
 
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