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“Escrevemos com amor o poema da adolescência. Com a música do amor, orquestramos a grande canção da existência”. Acabei de receber uma notícia cultural que me deixou entusiasmada e gratificada em poder testemunhar que Miracema se abre cada vez mais para o mundo das artes. Eis a carta que uma adolescente, aluna do Colégio Cenecista Nossa Senhora das Graças recebeu: 8º Concurso de Poesias CNEC Unidade de Capivari – SP Capivari, setembro de 2008. Prezada Marcelle, saudações cenecistas! Com grande satisfação venho informá-la de que as suas poesias “Nordeste” e “Pintores Brasileiros ou Não”, inscritas na Categoria Infanto-Juvenil Homero Dantas (11 a 14 anos), foram selecionadas para compor a coletânea comemorativa do 8º Concurso Nacional de Poesias CNEC – Unidade de Capivari/SP. Quero, em nome da Comissão Organizadora, aproveitar esta oportunidade para cumprimentá-la pelos excelentes trabalhos apresentados e agradecê-la por sua honrosa participação nesta 8ª edição do evento literário cenesista. Será um imenso prazer receber a você, seus familiares e amigos para a Cerimônia de Lançamento do Livro e Premiação dos vencedores do Concurso: Data: 26 de setembro de 2008 Horário: a partir das 20 horas Local: Casa de Cultura de Capivari/SP (Rua Saldanha Marinho, nº. 188, Centro). Os autores selecionados que por ventura não puderem estar presentes à cerimônia receberão os respectivos prêmios ( troféus, livros e dinheiro) num prazo de 30 dias, a contar da data da Cerimônia de Encerramento do Concurso (26/09/2008). Também neste período enviaremos exemplares do livro para o acervo bibliotecário das instituições participantes. Um forte abraço e, desde já, a convidamos a nos prestigiar com o seu talento no próximo ano. Atenciosamente, Osmair Moreira de Souza Presidente da Comissão Organizadora. Registro somente uma das poesias premiadas por falta de espaço desta coluna:
Nordeste
O Nordeste brasileiro É uma bela Região Apesar da seca presente O povo não descansa não! Os nove Estados retratam As belezas e o esplendor, Mas também está presente O seu lado sofredor. São homens cansados Animais sem resistência Será que o governo pensa Na questão, sobrevivência? Neste Nordeste bonito Há baianas e rendeiras Cocadas e tapiocas Que cultura brasileira! Marcelle Miranda Moreira.
O nome do Município de Miracema, tantas vezes maculado, passou com todas as honras a se posicionar no céu cultural enfeitado de estrelas. Numa delas, está registrado o nome da poetiza adolescente – Marcelle. Seus pais: Marluce de Oliveira Miranda e Lúcio Moreira. Sua idade: 11 anos. (Quando participou do Concurso). Sua Escola: Colégio Cenecista Nossa Senhora das Graças. Ano que está cursando: 6º. Sua professora de Redação: Cirlene da Rocha Amim Flores. Parabéns, Marcelle, por sua inspiração e criatividade! Não pare de escrever. Desenvolva o dom poético que Deus lhe deu. Receba do Jornal “Liberdade de Expressão” que é voltado somente para a cultura miracemense a nossa Rosa de hoje para enfeitar as suas lindas poesias. Ricarda Maria |
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EDITORIAL
No tempo em que eu estudava no antigo Colégio Miracemense, quando havia duas aulas vagas, vínhamos para a Praça Dona Ermelinda conversar. Como crianças, brincávamos de pique, passeávamos entre as árvores, respirando o ar puro e apreciando toda a beleza que nos encantava. Certo dia, Carolina que era uma das colegas de turma falou: --Vamos escolher uma árvore para fazer parte de nossa vida? Cada qual mais alegre, sentimento real da juventude, foi exclamando: - A minha é aquela palmeira, alta como os meus sonhos! Outra dizia: - Eu escolho o jambeiro, doce como o meu namorado! - Quero a jaqueira, o sonho já está em minhas mãos, segurando uma jaca madurinha! Nenhuma foi esquecida: mangueiras, eucaliptos, oitis e outras palmeiras, todas guardavam em seu porte tantas histórias escritas naquela Praça. Chegou a minha vez, contente porque ninguém havia escolhido a que eu mais gostava, pois se encontrava mais distante das outras, falei: - Eu escolho a acácia. Ela é a árvore da minha vida! Venham vê-la. Todas correram ao mesmo tempo. Lá estava ela coberta de cachos amarelos, parecia que minha árvore tinha colocado uma cabeleira dourada. O chão que a cercava pintado de amarelinho! Belos tempos! Não havíamos passado por sofrimentos, desilusões, problemas... Tudo era transformado em flores como as da minha acácia. O tempo foi passando e para minha felicidade vim residir bem em frente a ela. De vez em quando atravesso a rua e vou visitá-la e me emociono ao vê-la florida. Recordo com saudade minhas colegas. Quantas já se foram! Mas estão verdadeiramente contidas nas árvores escolhidas por elas. Sempre pensei em plantar um pé de acácia. Um dia ganhei uma muda e suas raízes foram fincadas em minha calçada. Foi adubada, cercada e o meu maior sonho era vê-la florida como sua colega que continua morando na praça. Com a idade de quatro anos ela me ofereceu alguns cachinhos. Em cada tempo ela floresceu mais um pouco. Mas este ano, presenteou-me com dezenas de cachos amarelos. São lindos! Uma pena que quase ninguém olha para cima, continua fixando o olhar no chão, onde só existe cimento. Descuidando da maravilha, da beleza e das cores que o olhar está perdendo. Quando a luz do sol bate em seus cachos eles se transformam em cascatas douradas e eu digo: - Obrigada, Senhor, pela minha acácia, pelas suas flores que enfeitam cada vez mais este meu cantinho. Peço, ainda, as bênçãos para quem me presenteou com a muda que se transformou nessa majestosa árvore. Ela já é abrigo para os barulhentos pardais que ao menor barulho saem em bando empunhando a bandeira da liberdade que lhes permite ir e vir. Outros passarinhos já fixaram nela suas verdes residências e, como agradecimento, eles reservam surpresas, oferecendo-nos os seus delicados gorjeios, É também um fechado esconderijo para as cigarras que usam os seus zunidos para orquestrar a Primavera, alegrar nossa rua e proclamar que o Verão está chegando. A copa da acácia continua redesenhando sombras, protegendo e sacudindo o calor, protegendo ]os veículos que já têm suas vagas garantidas. A “nossa” acácia é abrigo para os que passam, param para conversar e sentir todo o frescor, toda a sintonia poética que ela oferece.
Ricarda Maria |
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Fragmentos de uma Juventude Feliz...
Apaixonado por esta querida terra natal, embora a tenha deixado, como residência, aos meus seis anos de idade, jamais deixei de freqüentá-la. É aqui em Miracema, que me sinto pleno de felicidade e alegria, de onde não teria saído, se isto dependesse de mim, pois aqui o meu coração pulsa acelerado diante das minhas emoções, toda vez que aqui chego. Na minha juventude, aqui me divertia, aqui praticava esportes, aqui fiz amigos, aqui deixei saudades e daqui levei paixões, que se dissiparam ao passar dos anos. No esporte, as pescarias, nas fazendas, o voleibol no Ginásio Miracemense, e o basquetebol, na quadra do “Rink”, foram os meus preferidos. Entre os companheiros do basquetebol, que jogávamos sob as vistas e a orientação técnica do saudoso Nésio, lembro-me bem dos irmãos Télio e Laurinho Lontra, do Toninho Caldas, do José Souto (que também era um grande goleiro de futebol!) e vários outros. Inesquecíveis foram os momentos românticos vividos por nós, os “casais de namorados”, nos bailes do Aero-Clube, quando, após algumas danças no salão, passávamos parte do tempo que nos restava, sob as belas noites enluaradas. Faziam parte, também, dos locais preferidos para troca de juras e promessas de amor eterno, o local “atrás do Jardim da Infância” e a – maldosa e injustamente – chamada de “a esquina do pecado”, que era uma determinada calçada (e somente aquela, por razões óbvias), na confluência da Rua Barroso de Carvalho com a Rua Deputado Luís Fernando Linhares. Porém, estes locais eram “evitados” pelas mocinhas de outrora... Deixando o romantismo à parte, impressionava-me, sobremaneira, o aspecto urbanístico e arquitetônico de nossa cidade, onde se destacam, até hoje, os jardins, as praças, os velhos sobrados e casarões (construídos no período áureo do Ciclo do Café), as pontes sobre o ribeirão Santo Antônio, a estação ferroviária da Leopoldina – atual Rodoviária de Miracema – a antiga Fábrica de Tecidos São Martino, a Igreja Matriz de Santo Antônio, a Usina Santa Rosa e a belíssima e eterna centralizadora de eventos culturais, a Praça D. Ermelinda. Naquela época, existia uma rede de auto-falantes que se espalhava por vários pontos da cidade, transmitindo, diariamente para a população, músicas, noticias e cultura: era a importante e famosa “ PM-4 – Serviço de Auto-Falantes da Prefeitura Municipal de Miracema ” que tinha em seu comando e como locutor oficial, Sebastião Couto. Estes serviços, tão úteis, prestados à cidade, foram inicialmente conduzidos e mantidos pelo progressista e saudoso comerciante miracemense, José de Assis, cuja memória me permito homenagear. A parte cultural se fazia através da transmissão de crônicas e poesias - a melhor de todas, A Crônica da Cidade – de autoria de Hélio Perbéil e narração de Sebastião Couto. Como naquela época nem se pensava na instalação de uma emissora de rádio local, as notícias importantes do Brasil e do mundo, principalmente as relativas à 2ª Guerra Mundial, chegavam até nós por meio das retransmissões, simultâneas, do famoso “Reporter Esso”, às 12:55h e da Hora do Brasil , às 20:00h. Assim, reunindo estes “fragmentos” de um passado feliz, espero ter colaborado para manter viva parte da memória miracemense.
( KK Mello é Miracemense, Advogado e Atísta Plástico ) |
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