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A DAMA e SEU castelo
Caminhando lentamente, mãos nas cadeiras, passos cadenciados, lá vinha ela diariamente, sozinha ou acompanhada. Cumprimentava todos com um leve aceno da cabeça e um ligeiro tremor nos lábios numa cordialidade sutil que podia ser humildade ou gênio rude. O andar compassado, face inexpressiva, os olhos bem separados, grandes, de um azul-acinzentado profundo, os cabelos pintados de uma cor amarelo-palha e mal arrumados, emprestavam-lhe uma fisionomia bizarra, diferente, peculiar. De baixa estatura, os pés bem separados ao caminhar davam-lhe um aspecto senil. Bonita não era e nem tinha traços de que já tivesse sido. Sempre acompanhada pelo marido, um homem educado e simpático. Caminhavam separados, ela um pouco na frente, trocando poucas palavras. Passavam sempre numa mesma direção e demoravam voltar. Para onde caminhava aquela senhora? Para onde ia e por que? Até que um dia eu a vi passar sozinha e por curiosidade a segui. De repente ela parou em frente a uma casa já bem velha, admirando-a com emoção. Velha para todo mundo, menos para ela. Aquela casa era o seu "Castelo". Olhou-a com indisfarçável orgulho. Seus velhos olhos sorriram de satisfação. Empurrou a porta que rangeu na dobradiça enferrujada e entrou. Não havia moradores, as janelas estragadas pelo passar do tempo e as paredes com enormes buracos tapados com bolos de jornais inclinavam-se perigosamente na direção da calçada. A porta da frente sem fechadura poderia muito bem servir de esconderijo para marginais. Entrou sem medo, confiando que ninguém teria a ousadia de invadir a sua propriedade. Procurei saber de quem seria aquela casa. Tinha sido há longos anos a casa de seus pais, a casa onde passara sua meninice, seus primeiros folguedos infantis, suas brincadeiras e disputas com os irmãos. Possivelmente nascera ali e ali tivera a primeira boneca, o primeiro uniforme do jardim de infância, os primeiros sonhos de moça, o primeiro namorado. Era um ambiente que lhe trazia muita saudade, recordações de sua juventude, de seus irmãos, de seus velhos pais já há muito falecidos. Uma ocasião eu a vi entrar na sala com um leve e simples empurrão na porta, caminhar lentamente até o meio do cômodo desabitado, sempre com as mãos nas cadeiras, e ficar olhando ao seu redor, observando cada canto, cada porta, cada palmo de assoalho já bem velho e gasto pelo uso prolongado. Estava revivendo todos os momentos da história da velha casa. Ás vezes falava sozinha com um interlocutor invisível que escutava suas confidências. Talvez ainda ecoasse em seus ouvidos as vozes antigas de seus entes queridos, o chamado da mãe para o banho, as algazarras de seus irmãos hoje já idosos e, quem sabe, alguns já inclusive mortos. Nas suas visitas revivia algum segredo escondido a sete chaves, uma coisa só sua. Fechava os olhos e recordava... Buscava em cada canto, em cada palmo de assoalho, em cada quarto um motivo de sonho, de lembranças agradáveis. Deixava-se ficar em seus devaneios e era tomada de uma felicidade sem par. Seus olhos riam de satisfação, seu corpo tremia de emoção. E assim o tempo foi passando e ela continuou a visitar seu "Castelo" com impressionante regularidade, sonhando e vivendo, vivendo e sonhando... Hoje, nem ela nem seu castelo existem mais. No local só ficaram fantasmas, recordações e muita saudade. ____________________________________________________________________________________________________
Ao amigo Sr. Joffre Geraldo Salim deixo aqui todo o meu respeito e minha admiração. Carinhosamente se reconhece que o tempo para ele só fez aprimorar-lhe o respeito e a dignidade. Parabéns! | |
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Os Mais Belos Pensamentos de todos os Tempos
Descubra a verdade e siga-a; tal é o resumo de todas as obrigações humanas. (Thomas H. Huxley)
"Conhecer a verdade e amá-las são duas coisas diferentes". (Confúcio)
"A vida é uma caixa de surpresas". (Emerson)
"A vida: um rápido vislumbre entre duas eternidades, sem termos outra chance, nunca, nunca mais". (Tomas Carlyle).
"Grandes oportunidades iniciam, muitas vezes, em pequenos empreendimentos". (Demóstenes).
"A esperança é a capacidade de manter o ânimo em circunstâncias que sabemos serem desesperadoras".(Chesterton) | |
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Meu Manacá
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Na minha mocidade, eu gostava muito de dormir. Às vezes, num certo dia, teria que dormir um pouco mais para me recuperar de alguma perda dos dias anteriores. Era natural que isso incomodasse ao meu pai que dizia ansioso: "Levanta, para ver o dia"! Nem por isso eu discrepava dessa minha tendência sonhadora desde os velhos tempos. Também, tudo isso é natural posso concluir. Na mocidade, tudo é propício ao bem estar. Nem precisa ter nenhum projeto excepcional, nada que escape à natureza humana para se sentir viva, forte e esperançosa. Nessa época, parece ser mais fácil compreender o milagre do existir, porque inserida num fácil ou difícil viver existe a coragem e a força naturais à idade. Hoje é diferente. As poucas horas que durmo, muitas vezes tenho pesadelos, acordo no meio da noite para sonhar. Como num sonambulismo, mas não é, dirijo-me ao local da caneta e do papel para escrever. Será isso próprio dos velhos, sonhadores ou loucos? Não importa. Um pouco de tudo isso quem não tem terá, quem não foi será. Mas nada como uma noite bem dormida para acordarmos dispostos, consequentemente bem humorados para apreciarmos a beleza das coisas simples que estão à nossa volta. |
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Manacá
Quando meu manacá está colorido e perfumado Eu que o conheci agreste nascido por acaso Sinto-me viva e exuberante E entre sonhos me entrego me desfaço. Salto do dia a dia cheio de tropeços À metáforas primaveris risonhas Cheia de encanto orgulhosa me enlaço. Meu pensamento vadiando mira Toda beleza flutuante leve Tudo ao redor como se fosse fácil, Eu e ele unidos pelas origens Não a negamos, pois elas são belas Florindo sempre em qualquer espaço |
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90 anos
Ao grande homem, colega colunista que tão bem sabe casar as palavras escritas ou faladas, rendo minha homenagem aos seus 90 anos. Acolhida por Miracema desde que aqui cheguei, aprendi a admirar os ilustres homens que fizeram sua história com entusiasmo e dedicação como o Joffre. Parabéns, por hoje e sempre! Obrigada pela oportunidade de me fazer sua amiga.
Neide |
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