Pág.4-Nº107-Out/08
                                                                         

      Só quem luta alcança vitórias

  O Lançamento do Livro “Logradouros de Miracema” foi envolvido de muita simplicidade, mas com sabor de mais uma conquista. Novamente abraçado com muito carinho pelo Lions Clube de Miracema, tudo transcorreu dentro da normalidade e nada faltou. O salão decorado com muita singeleza pelo nosso amigo de sempre – Fernandinho. Ficou maravilhoso! O Presidente do Lions Dr. Paulo Sérgio foi representado por Paulo Laeser Nogueira que promoveu o lançamento do Livro “Logradouros de Miracema”, falando sobre a importância desse documentário que registra as histórias de cada Rua de nossa cidade.
 
A novidade foi a presença do Grupo de Canto Santa Cecília da Igreja Matriz de Miracema que entoou com muito entusiasmo o hino “Logradouros de Miracema acompanhado por todos os presentes.” Letra de Ricarda Maria Leal Alvim e música de Cláudio Gonçalves Nogueira.
 
Entre os convidados, muitos amigos que realmente valorizam a cultura de Miracema estiveram presentes. Entre eles, a Secretária Municipal de Educação Cultura Esporte e Lazer Regina Titonelli Nunes representando o Senhor Prefeito Municipal Carlos Roberto Medeiros. Paulo Laeser Nogueira o Lions Clube de Miracema. José Erasmo Tostes a Maçonaria de Miracema Libertas II. June de Souza Carvalho a Academia Miracemense de Letras. Luiz Carlos Martins Pinheiro que é considerado o principal mentor desta obra juntamente com todo o mutirão que colabora constantemente para inúmeras pesquisas, dando condições para que esse trabalho seja realizado.
 
Foi uma noite alegre, agradável e envolvida de lindas músicas com a participação do Grupo de Canto Santa Cecília, da Academia do Choro e a voz de Joel Alvim. Noite em que foi vivenciado este pensamento de Castelo Branco: “É no passado que se guardam as grandes verdades. Ninguém pode viver bem se não olha para trás, se não inspeciona o que viveu.”

 


                             
O XANGÔ DE BAKER STREET:

       um romance policial às avessas ( parte II)

 

  A análise de um romance policial brasileiro como O Xangô de Baker Street, de Jô Soares, pode desencadear uma leitura bastante proveitosa, pois trata-se de um estilo literário que por muito tempo esteve duplamente à margem do cânone: por ser um texto brasileiro e por ser um romance policial.
  Os estudos comparatistas atuais dão uma demonstração clara de que a influência pode e deve funcionar como uma via de mão-dupla, do colonizador para o colonizado e vice-versa. As diferenças empreendidas sobre o texto original são, na atualidade, vistas como um acréscimo benéfico e aparecem como marca da originalidade e da identidade de escritores subalternos que agora “podem” falar.
  O trabalho com O Xangô de Baker Street dentro da linha de um processo de carnavalização leva a questionamentos das influências eurocêntricas em nossa cultura, em nossa história e em nossa literatura.
  A apropriação modificadora e carnavalizada de uma personagem como o detetive Sherlock Holmes, ainda que este não simbolize um legítimo representante do cânone inglês, pode ser vista sob a perspectiva da carnavalização de toda uma influência opressora e injusta.
  Além disso, Jô Soares emprega sua pena à dessacralização da história brasileira através das personagens históricas numa época em que cedíamos ao encanto artificial de uma Belle Époque nos trópicos.
  Hoje, os movimentos culturais de vanguarda levam a ruptura de paradigmas às últimas instâncias e promovem uma desestruturação tão imperiosa dos modelos, dos gêneros literários, inclusive, que fica-nos tão-somente a noção de texto. Ao mesmo tempo, a inteiração dialógica entre textos cria uma atmosfera ambivalente que possibilita a recusa ou a afirmação daquela realidade textual com a qual se dialoga.
  A carnavalização como procedimento literário decorrente do próprio carnaval, identifica-se pela inversão de valores, pela dessacralização e a apresentação de um mundo às avessas. O termo carnavalização foi a designação proposta pelo russo Mikhail Bakhtin para esse procedimento, como disse, no campo literário.
  De acordo com o teórico pós-formalista em sua obra Problemas da Poética de Dostoievski , a atmosfera carnavalesca “ é uma vida desviada de sua ordem habitual, em certo sentido uma ‘vida às avessas’, um ‘mundo invertido’.”
  Neste cenário carnavalesco, o homem pode superar os limites impostos diariamente a si, sejam de ordem social, política ou econômica. Em outros termos, liberado da opressão hierárquica, esse homem pode subverter a ordem instituída. Nesse sentido, o carnaval passa a funcionar como o lugar da utopia, estabelecendo-se como uma celebração da liberdade e da igualdade. No momento em que esse homem passa a se organizar em massa com os outros homens na tentativa de expurgar as tensões e opressões cotidianas passam a promover uma catarse coletiva. Esse universo carnavalesco propicia a “antropofagia” e a ruptura porque é uma força plural e significativa.
  Na contemporaneidade, uma vez que o “olhar diferente”, daquele que sempre esteve à margem, perdeu o peso da subordinação que o mantinha restrito à periferia, cumpre-nos destacar e elevar indagações pertinentes e imperiosas vindas deste contexto.

 


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