Pág.8- Nº127-Jun/10


Tema: Lua

O céu está todo estrelado,
A Praça namora a Lua.
Pra ela mandou recado:
Quero todas as fases sua.

Tema: Tristeza

Dentro de um peito vazio,
Ainda sobra muito espaço.
Pra servir eu anuncio:
Minha tristeza desfaço.


Tema: Escola

Lembro-me de minha Escola,
Ensino e simplicidade..
Mochila? Era uma sacola,
Hoje seu nome é saudade.

 


Tema: Mundo. 

Tudo na vida vai embora,
Com certeza a minha vai.
Sinto que o meu mundo agora,
É como sonho, se esvai.

Tema: Soluço.

Guardo um soluço no peito,
É infinito não tem fim.
É uma dor que não tem jeito,
Não sai de dentro de mim.

Tema: Biscoitinhos.

De polvilho os biscoitinhos,
Vieram de Terra distante.
Tão gostosos torradinhos,
Evaporaram num instante.



 



 

  Saudade é uma palavra que só nós, brasileiros, conhecemos. É quando sentimos falta de alguém ou de algo muito querido. Nossa lembrança, ao ser aguçada por ela, traz um aperto no peito e percebemos que os olhos enchem-se de lágrimas.
  Que palavra é essa, inventada por uma gente tão alegre como nós e de sentimentalismo tão grande? Acredito que os portugueses vindos de tão longe tenham chorado tanto ao deixar seu país, que em seus corações ficou um vazio imenso e mais tarde misturados aos que aqui nasceram, chamou esse vazio de "saudade".
  Numa dessas noites cheguei ao portão e vi a rua deserta, estava sendo banhada pela claridade da lua e recebendo o vento frio de junho. Daí uns minutos, algumas pessoas começaram a passar em direção a Igreja, lembrei-me então, que iam fazer a Trezena de Santo Antônio.
  Olhei para um lado e para o outro, de repente pareceu-me ver as calçadas povoadas. Eram crianças, adolescentes, jovens que faziam a alegria naquele momento. Os pequenos pulavam corda, brincavam de pique, uns choravam, outros resmungavam, porque não queriam atender o chamado dos pais para irem se deitar. Os adolescentes trocavam risos, confidências, sonhavam com os possíveis namorados e os jovens davam sempre uma fugidinha até a esquina da Rua Direita a fim de paquerarem os alunos do internato do Colégio Miracemense. Eles saiam as quintas-férias para darem um passeio e irem ao cinema XV de Novembro ou Sete de Setembro, dependia do filme que estivesse passando.
  No mês de junho, Miracema sempre esteve em festa. A Igreja comemorava (como até hoje) o padroeiro Santo Antônio e a Praça do Coreto ficava animada com barracas de chocolate, bolos, salgados, pescaria e também o famoso leilão. Quando a prenda era interessante a pessoa arrematava para presentear a alguém e a curiosidade aumentava para saber o porquê do presente. As lembranças veem se amontoando e me parecia ver o movimento das costureiras que ficavam ocupadíssimas nessa época. Tudo isso era para que as pessoas se enfeitassem e participassem da tradicional festa. Outra barraca que motivava os jovens era a "barraca do amor", onde os recadinhos para as paqueras davam trabalho ao "carteiro".
  O mês de junho não parava por aí, pois as festas juninas se espalhavam por várias ruas, uma das mais comentadas era a do João Cândido, lá pelos lados da Rodagem. Além das festas nas ruas, muitas famílias faziam em suas fazendas: fogueiras, "bailes" com sanfona, comidas características, fogos, tudo para comemorar os Santos do mês.
  Meu pensamento e minha saudade voltaram novamente à rua. Olhei as casas fechadas por causa do frio e algumas vazias. Quantas histórias cada uma deve guardar e quantas pessoas deixaram marcas de sua passagem por esta rua tão querida. Fui me lembrando de cada família e então parei no numero 69, residência da família Souto.
  O proprietário João Souto tinha uma fazenda chamada Retiro, entre Campelo e Paraoquena. Lá todos os anos ele comemorava São João. Quando eles se mudaram para a Rua das Flores fiz logo amizade com uma de suas filhas, Maria Aparecida. Num certo ano que já vai longe, fui juntamente com ela e os primos dos quais eu já era amiga há mais tempo, pegar o trem na Estação que ia para Campelo. Lá chegando, já nos esperava um carro de boi que nos conduziria até a fazenda. Manhã de sol de junho, o frio e a cerração eram aquecidos pelo calor de seus raios. A alegria contagiava a todos. Na ocasião éramos jovens, pensávamos apenas nos momentos que vivíamos.
  O carro ia cantando pela estrada empoeirada, os bois lentamente o puxava nos aproximando da sede. Pelo caminho, uns desciam para apanhar mexericas, laranjas, cujos pés ficavam à beira da estrada. Às vezes me pergunto: por que tudo passa tão rápido? Então, sinto que isso acontece a todos e peço perdão a Deus por muitos momentos não entender o tempo e a vida, mas também O agradeço por ter vivido esses instantes.
  Lá na fazenda, já encontrávamos tudo preparado: as bandeirinhas trançadas no terreiro, a fogueira que iria aquecer à noite e as pessoas que dançariam ao som da sanfona. Era muita alegria e muita amizade.
  Voltei a olhar a rua e na direção contrária, vi a casa entre árvores de número 174. As mesmas quatro janelas, os degraus da escada adentrando a varanda. Nela havia uma porta que dava entrada para o consultório odontológico do Dr. Marciano Souto. Em seguida, a varanda continuava com um estreito canteiro plantado de junquilhos lilases e estrela-do-mar, flores que chamavam atenção por serem muito brancas. Ele seguia até o portão de madeira que dava para o quintal, onde havia várias mangueiras e goiabeiras. Nesse pequeno pedaço de "céu", se encontrava a porta da sala que se comunicava com o restante da casa. Era como uma caixa de jóias guardando D. Zilda Souto e seus cinco filhos.
  Entre eles, minha grande amiga Dotinha (apelido), e por causa dela fiz amizade com sua prima Aparecida e família. Isso tudo veio de encontro ao meu eu e de repente me vi no quintal daquela casa, rodeada de pessoas queridas, brincando, rindo. Pedíamos ao Gladyston Souto, irmão caçula da minha amiga Dotinha, (ele hoje é médico cardiologista, um dos mais conceituados e competentes do Estado do Rio) que pegasse mangas para nós. Ele para implicar, às vezes demorava atender nossos apelos, mas, depois fazia, ficando sempre com as mais maduras. Que tempo bom meu Deus! Que felicidade ter convivido com eles, mesmo depois que se mudaram para Pádua, e até hoje, poder manter esse laço tão profundo de amizade.
  Outro dia, precisei do "médico" Dr. Gladyston, quando nos encontramos, ele abriu aquele sorriso sincero e com seus olhos expressivos de intenso carinho, me atendeu. Ele ia falando e eu via em seu rosto o menino que era a paixão de sua mãe, o maravilhoso aluno da professora Solange Moreira, o irmão amoroso e "implicante" e o AMIGO de longos e inesquecíveis anos.
  Hoje meu querido amigo Gladyston, minhas lembranças são de você, para você e sua família. Que Deus o abençoe sempre e que suas mãos sejam eternamente tocadas por Ele, para salvar vidas.
  Realmente, a saudade é um aperto no peito com os olhos marejados d’água.
  Uma doce, suave e eterna lembrança.


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