Pág.3-Nº108-Nov/08
                                                                          

             Um Sujeitinho Atrevido!

 De tanto sentir picada
 E zoada nos ouvidos,
 Passar a noite acordado
  amanhecer mal dormido,
 Eu resolvi dar um basta!
 E enfrentar o inimigo,
 Fui à casa do mosquito
 Que gritou assim comigo:
 
 - Não venhas me aborrecer,
 Não quero ser agredido!
 Tu bem sabes, sou malandro,
 E não transijo contigo,
 De dia estou descansando
 Odeio ser perseguido.
 
 - Seu Aedes, com licença,
 Abra a porta, quero entrar,
 Não aceito indiferença,
 Se não me ouvir, vou brigar
 Quero pedir sem tardança
 Pra nossas casas deixar
 Meu povo já não descansa
 De tanto você picar!
 
 - Não entra, não dou licença!
 Sai daqui, “vai te catar”!
 Se fizeres desavença
 A coisa vai piorar!
 Eu não tenho outro destino
 Minha vida é só picar.
 Vou te dar muita picada
 Não me venhas reclamar! 
 
 - Mas, seu Aedes, escute:
 
 - O ribeirão Santo Antônio,
 Foi limpinho em tempos idos
 Muito peixe se pescava
 Todo mundo bem servido,
 Hoje está tão maltratado,
 Corre lento, abandonado,
 E você, bicho safado,
 Dele fez esconderijo
 
 - Pra que tu queres o peixe?
 Deixa o bichinho nadar!
 Se já tens outras comidas
 Pra tua fome matar,
 Eu não persigo ninguém
 Só quem tem sangue pra dar
 Eu sei que tens muito sangue
 Por isso vou te chupar...
 
 - Vira pra lá este bico
 Não quero sua presença,
 Dengue e Malária, cruz credo
 Não venha trazer doença,
 E antes que eu me aborreça
 Pra evitar malquerença,
 Vou reclamar no governo
 Suma daqui dá licença!

- Mas que conversa idiota,
 Não é hora, agora não!
Autoridade não importa
 Só vem aqui na eleição,
 E pra encurtar a conversa
 Te mando lamber sabão!

 Se meu pedir valeu nada
 Meu povo vou convocar
 Pra expulsar esta praga
 E a sujeira acabar,
 Que cada miracemense
 Trabalhe sem descansar,
 Evitando jogar lixo
 Pro ribeirão carregar.



  - Se nunca foste à caça, e nunca amaste.
  Se o perfume das flores nunca te atinou,
 
E a música, nunca te comoveu,
  Então és homem somente na aparência. (Adágio Árabe)

  - Com os terríveis fardos que me sobrecarregam dia e noite, se não soubesse rir, morreria. (Abraham Lincoln)

  - Não chamo alegria o que provoca o riso, mas aquele charme ou aquele tom agradável que pode dar graça a qualquer assunto, mesmo o mais sério. (La Fontaine)

  - Teu riso cristalino
 
É de uma candura tal,
 
Que nos faz lembrar o sino
  Numa noite de Natal. (Luiz Otávio)

  - O homem é a única criatura dotada do poder do riso. (Grêville)

  - Uma boa risada é um raio de Sol numa casa. (William Thacke)

  - A vida paga um prêmio àqueles que aprendem que o riso é parte vital de viver. É um dos mais ricos presentes de Deus. Deus gosta de pessoas alegres. O mundo também. (Edwin Davis)

                               

           Amanhecer

   Do branco ao meu redor, minhas paredes se abrem a uma janela para o tempo. Ao me postar na mesma, vejo apenas algumas pequenas flores e um muro meio cinza meio branco conjugando num cenário repetitivo, que me faz longe do mundo colorido, mas tão necessário para o meu repouso.
   Pela cortina transparente percebo um novo dia. Antes de abrí-la, porém, assisto ao amanhecer: do lado esquerdo além dos periquitos em algazarra, um lindo belga que trinava em sofisticados acordes, desapareceu e deu lugar à sabiá do vizinho que toda animada despertava sempre cantando repetidamente algumas notas interessantes.
   Do lado direito, sinto cheiro do pão fresco, aguçando o sentido do paladar, marcando minha hora de pé no chão.
   Antes de fazer o café da manhã, ao piano, eu tento repetir mais concretamente o canto da sabiá. Não sei se começava por dó, sol, si... Insisto algum tempo, não consegui, mas tentei.
  Em seguida são abertas todas as janelas, o Sol penetra, às vezes não, o meu dia começa a correr dando-me mais uma oportunidade. Saio assim que posso apressada atrás de um conhecedor das notas musicais e o encontrei na Escola Municipal de Música (Antônio Júnior) um craque em harmonia que no estilo suingado repetiu para mim: dó, dó, sol, fá, dó, dó, sol, sol, sol, sol. Ah! Se os cantores da natureza fizessem um coral! Eu me inscreveria mais uma vez para tal. Com a sabiá, eu já fazia dupla há tempos.
  Esse cenário matinal era tudo que eu poderia lhe mostrar para que você sentisse, ouvisse, apreciasse com alguma intensidade minhas manhãs. Disse poderia, porque hoje não posso mais. O canário belga morreu, os periquitos estão meio acanhados e a sabiá que tanto me encantou, emudeceu um pouco antes do falecimento de seu dono, o saudoso e querido vizinho Luís Delco.
  Assim a vida vai se transformando e, também, nossas manhãs.

 
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