Pág.6-Nº108-Nov/08
                                                                       


       Uma Consulta Sentimental

   Quando a gente gosta, a gente cuida. Ela começava sempre assim encarando a psicóloga naquele consultório sentimental. A analista já conhecia aquela história e seus protagonistas. A cliente insistia : - será que erramos tanto em vigiar, às vezes, o que o outro faz? Não pode haver mistérios entre duas pessoas que vivem juntas e se amam. Considero dividir privacidades saber daquilo que acontece com quem, afinal, compartilhamos até a mesma cama. Mas me aborreço e me confundo quando ele foge dos problemas, mesmo os mais inocentes, e se fecha, e faz mistérios, com mentirinhas que criam dúvidas complicando mais as coisas. Discutir relação, isso nem pensar. Vivo uma eterna confusão. O que devo fazer?"
   A analista devagar se pronunciou:- "Você afirma que cuida muito e vigia, não é? Se ele corresponde aos seus cuidados, tudo bem. Mas, você pode descobrir que o objeto de seu cuidado não valoriza, ou valorizou tanto, esse seu zelo em querer tudo certinho e transparente entre os dois, e que perdeu muito com esses cuidados, destoou até, criando situações difíceis e aborrecimentos. Acontece, também, da mulher enxergar demasiado aquilo que o homem não consegue penetrar, justamente, pelo fato da cabeça ser dele - dele e não dela - moldada pelas conclusões machistas que tirou da vida, influenciada pela nossa cultura que amplia orgulho, egoísmo e amor próprio, sem medidas, dos homens para com as mulheres. Aí, então, você sofre descobrindo que ele não valoriza tanto o companheirismo, o diálogo mais profundo, considerando tudo isso relativo, não sabe ser assim, vive na dele e não se culpa por isso. É um comportamento que nos aflige gerando desconfianças e decepções."
   A analista pára um pouco para que a moça reflita. E retorna: -"E o outro pode ser um ingênuo fingidor, um enganador terno, provocador de ciúmes e conquistador de admiradores que inocente, vaidoso e carismático procura sempre agradar a todos, mesmo que desagradando a você. Como se desempenhasse um papel, estressando-se sempre que dele tenta se desvencilhar. Daí, foge das situações e se confunde. Se ele é assim, insistirá em esconder fatos, em não permitir intromissões, evitar aberturas que o façam sentir passado para trás e sua companheira dona da verdade. Tente entendê-lo melhor. Somos o que a vida nos faz ser, aquilo que conseguimos aprender. Quem poderá saber exatamente o que a vida exige ou exigiu dele, e de cada um de nós, para sermos o que somos? Será que o conhece o suficiente para compreendê-lo? Ninguém conhece ninguém completamente, nem facilmente. Mas, devagar tente penetrar mais na misteriosa ostra que parece ser seu companheiro de jornada".
   A moça chorando concordava. Só a analista falava:–"Sim? Então?...Descarte a decepção. Compreenda-o, se realmente se amam. Pensem nas razões que justificam a tolerância um do outro, na família e suas implicações. A verdade só vocês vêem e sentem. Seja perspicaz para conhecer-se e conhecê-lo melhor. Ajude-o para ser mais franco, sincero e liberto desse jogo de esconde-esconde que não faz bem a ninguém. Perto de conhecê-lo, só você está. Conhecer vai além de papos descontraídos, de amizades fugazes, encontros no trabalho, mensagens e sorrisos. Depende, na verdade, da convivência mais íntima do dia-a-dia em que se pega o outro no pulo, nas pequenas situações a dois e isso você já conseguiu muitas vezes como, também, ele em relação a você e suas fraquezas. Insistam no entendimento e no diálogo franco. E então? Sim?...Mesmo?... Ajuste o jeito misterioso dele ao seu jeito, também, cheio de peculiaridades. E sigam em frente! E tente, tente sempre transformar em direito o que em seu companheiro é um jeito avesso de ser".

   

          Grito de liberdade

   Não quero mais ficar sufocada como estou agora.
  Ninguém é dono da minha felicidade, da minha vida.
  Só eu sou dona de mim e de meus sentimentos.
  Eu quero a liberdade que me transmita calor.
  Uma liberdade completa sem dor, que me abra as portas.
  Quero viver minha vida lá fora. Quero curtir meus sonhos.
  Eu quero a liberdade que me traga só felicidade.
  Quero viver um amor cheio de verdade, sincero, puro.
  Quero fazer valer os meus direitos.
  Quero ter meus objetivos perto de minhas mãos.
  Quero vencer os preconceitos. Tenho garra.
  Quero mais respeito. Estou cheia de suas irreverências.
  Não quero segurar esta sorte até a minha morte.
  Como um pássaro preso na gaiola, quero a liberdade.
  Quero voar...voar... Ter paz na minha vida. Poder sonhar.
  A vontade de ter paz interior é minha meta de vida.
  Quero observar e seguir o vôo errante da borboleta voando com graciosidade
  Levada pelo vento. Quero diminuir o passo. Desacelerar.
  Não quero dançar depressa. O tempo é curtíssimo! A música vai acabar.
  Quero ouvir o barulho da chuva caindo lentamente.
  Fixar o olhar no crepúsculo. Ver o sol se por lentamente.
  A liberdade me ajudará a rever esses conceitos
  Quero ser livre, independente, ardente.
  Quero tirar tudo que me prende ao passado. Partir para uma nova vida.
  Sair desse seqüestro de sentimentos que me envolvi.
  Busco em meu interior a resposta que pode me acalmar.
  Busco a divindade que existe em mim para vencer, para realizar meus sonhos.
  Não quero colocar a minha felicidade cada vez mais distante.
  A vida é uma caixinha de surpresas que quero buscar.
  Ela me chama para uma nova aventura. Para um novo desafio.
  Quero encontrar minha própria existência e vivê-la sem restrições.
  Quero caminhar, cantar e aprender uma nova lição.
  Quero olhar para o alto... Sonhar alto... Desejar o melhor...
  A vida não é uma corrida ...Quero levá-la mais devagar...
  Quero ouvir a música antes que a canção que traz felicidade acabe.
  Quero confiar em mim...
  Não quero apressar meu passo...
  Quero viver cada momento como se fosse o último...


Página 1Página 2Página 3Página 4Página 5Página 6Página 7Página 8Mural de RecadosGaleria de ImagensExpediente