Pag.6-Nº128-Jul/10

 

                          

Apreciar e Respeitar: " A Natureza E O Tempo"

  

   Meu papo “Natureza-Tempo” será sempre difícil de acabar. De alguma
maneira termina sempre no compromisso que temos de apreciar e cuidar.
Há tempos, declarei querer ver a cara da primavera; de outra feita, só
queria entender o outono... Agora, em que posso me agarrar? Na cara fria
do inverno com seu sussurro de vento gélido lá fora... consola. Sentir o
ar que queima de leve a pele lembrando aconchego, incitando a refl etir, ler,
buscar recolhimento, principalmente, quando tudo na hora nos sugere isso.
Inverno tem tudo a ver com sobriedade de vida e sossego de alma. Sonoridade
de ventos frios, frigidez de madrugadas aconchegantes e belezas de
manhãs frescas enfeitadas de céu claro e sol morno. Na verdade, de cada
estação aprecio seus pendores preservando e namorando o ambiente
em cada vez.
  
Sempre admirei da Natureza a fi delidade, a calma que consola. Desperta
promessas de honestidade e de respeito sem querer nunca nos decepcionar.
Se nos decepciona e prejudica podemos saber que o desrespeito foi nosso.
Ela é a pura identifi cação da realidade da existência e dos propósitos do
Tempo. Ah, novamente o Tempo! Sempre o Tempo. Eu e o Tempo. Como
falar de natureza sem lembrar do tempo? Tempo regenerador, consolador,
amenizador de dores as mais variadas, um pacifi cador das desilusões que
a vida nos impõe. Às vezes, considero-o a alma do mundo se é que isso
pode ser ousadamente considerado. Ele nos mostra a vida em toda a sua
crueza, desdobrando a pura realidade, sejam os fatos bons ou ruins, sem
deixar de nos confortar depois.
  
Em etapas, abre nossos olhos como que para limpa-los da névoa de
uma estúpida ingenuidade que descuidados podemos carregar, induzindo
ao sofrimento; espécie de ilusão que precisamos reconhecer, dosar e nos
desvencilhar ( nem sempre sabemos) para o enfrentamento das inevitáveis
decepções surgidas nos caminhos da vida. Atribuem-se pernas curtas
à mentira, mas eu, por minha pura sugestão, acho que o Senhor Tempo
caminha com pernas largas para deixar dona mentira para trás. Quanto já
falei do Tempo e quando deixarei de mencioná-lo em minha peregrinação!
Será sempre meu objeto de respeito e de aprendizagem.
   Tempo e Natureza se confundem fazendo o mundo. Através deles nos
saciamos de prodigalidade, força, presteza e maturidade. Assim, enquanto
o inverno derruba das árvores as folhas frias, amareladas e secas
num prenúncio de novas ramifi cações, sigo agradecendo e respeitando a
vida com a certeza de que às desilusões se sucederão novos tempos e novas
oportunidades- são as regras do fantástico jogo - “Natureza – Tempo”.
Jogo da verdade, jogo de Deus.

 





 

           Lembrança da COPA

 

                                                            

Bandeiras agitadas, pessoas falando.
equipes formadas. O colorido das camisas,
misturadas com pessoas lindas
nas arquibancadas, enlouquecidas, dançando.
Hino Nacional sendo cantado.
canto também. Orgulho-me de ser
o nosso hino o mais bonito de todos.
Um arrepio corre pelo meu corpo.
O vento agita o nosso pavilhão nas
mãos dos torcedores e as cores da nossa bandeira
brilham e rebrilham iluminadas pelo sol.
Os jogadores perfi lados, se unem.
Mãos dadas... Olhares... Apito do juiz...
Olho com esperança para o meu time.
Meu coração pula dentro do peito.
Ouço o som das vuvuzelas que tomam
conta do estádio numa louca agitação.
O grito de gol, tão esperado, não sai.
Esfrego as mãos com força mostrando
minha ansiedade. Goles e mais goles
de café. Sento, levanto, grito com força.
Pego a bandeira e a agito. Brigo com
a arbitragem. O juiz não marca as faltas.
Brigo com os jogadores. Quero mais ação,
mas a jabulani não entra.
Tento empurrá-los como se isso fosse possível.
O Brasil faz um gol. Grito muito.
Fico feliz, muito feliz!
Vejo o time inimigo entrar na área e fazer gols.
Ainda tenho esperanças... me agito... grito...
O relógio corre. Eu sofro. Não quero acreditar.
Minha esperança diminui. O jogo
acaba! Apito fi nal! Olho sem ver!
A ficha cai! Eu choro diante da derrota.
Por entre lágrimas, já não vejo o tremular da nossa
bandeira. Já não ouço o grito da torcida.
Já não vejo o brilho nos olhos dos jogadores
e sim, lágrimas. Choro também.
Eles, cabisbaixos, deixam o estádio.
Todos tristes... Calados... Chorando...
Choro diante dessa derrota tão inesperada, mas
sinto que tenho forças para enfrentar outras batalhas.
2014 vem aí e lá estarei novamente, enfeitando a rua,
colocando a bandeira do Brasil na janela,
torcendo e gritando com raça, mostrando
o meu orgulho de ser BRASILEIRA!

02/07/2010 – Brasil saiu da Copa eliminado pela HOLANDA por 2x1


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