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Tema: Caneta
Minha caneta tão cansada, De escrever meus pensamentos. Mas está sempre acordada, Quando sonho os meus momentos.
Tema: Certeza
Quantas propostas, Para acabar com a tristeza. Só na fé tenho resposta, Deus é luz, Deus é certeza.
Tema: Aceno
Sua doce imagem ficou, Gravada naquele aceno, Quanta dor você deixou, Naquele gesto pequeno.
Tema: Universidade.
A vida é a universidade, Todos têm o seu valor. Quem doa felicidade, É diplomado no amor. |
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Nas águas rasas do Ribeirão Santo Antônio, uma garça bicava procurando algo para se alimentar, enquanto outras permaneciam estáticas, apoiando-se em apenas uma perna, observavam o que vinha na água abaixo e esperavam tranqüilas até alcançarem o que lhes interessavam... depois voaram. Fiquei por instantes a olhá-las e então lembrei-me de Castro Alves, quando em sua poesia, disse: “Eu sou como a garça triste / que mora à beira do rio / as orvalhadas da noite / me fazem tremer de frio”... Então, pareceu-me vê-las tristes, porém, elegantes, cortejando a natureza como um conjunto de bailarinas adentrando ao salão do espaço, dando inicio ao grande baile. O vento soprava aquecido pelo sol do entardecer e as garças voavam num vôo musical como se fosse ao som da linda partitura “Song to the moon”, de A. DVORAK, executada ao violino por André Rieu, parecendo invocar a lua para iluminá-las durante o fim do dia. Quando à tarde já ia alta, o azul do céu começou a ser pintado de branco pelo bando delas, que procuravam pouso nas paineiras e ali aconchegadas ficaram a espera das estrelas que vão acordando, enquanto à noite vai descendo e empurrando o sol para o outro lado da terra. Mais um tempo por ali permaneci com a nítida impressão de estar ouvindo o farfalhar de suas asas ao tomarem os ramos das árvores e ali pipilarem até à noite pedir silêncio. Imaginei-as umas encostadas às outras, molhadas pelo orvalho, que aumenta pela madrugada, tornando-o mais frio. De repente, meu pensamento viajou, foi para bem distante. Uma tarde, num trapiche de um restaurante no Mangal das Garças, bem à beira da Baia do Guajará – Belém do Pará – onde naquela manhã ele havia sido mais uma vez abençoado pela Virgem de Nazaré por sua passagem na procissão fluvial. Fiquei a viver momentos de rara beleza. O ruído das águas chegava bem próximo de onde me encontrava e trazia uma melodia que embalava as garças que bicavam o areal que aparecia com a vazante. A noite aos poucos foi chegando, o sol começou a descambar para o poente, parecendo ser engolido pelas águas do rio Guamá, era como uma bola de fogo se afundando, deixando apenas sua claridade retida nos olhos de quem o viu naqueles momentos se despedindo daquela parte do mundo. Assim são as belezas naturais da cidade de Belém, as quais são valorizadas não só pelos turistas como também pelo povo, especialmente pelos jovens que vão para a beira da baia apreciar o que de mais belo Deus colocou naquele lugar, e com isso, me fez lembrar o que disse um escriba grego, sobre as SETE maravilhas do mundo antigo: “O que é visto com o olhar da mente, nunca, poderá ser destruído”. E, então, é o que se pode ver e sentir em Belém. É a natureza que é musical e que fica guardada nas entranhas da alma. Enfim, a noite se fez total. A lua surgiu enfeitando o céu como uma medalha de prata no seu regaço, refletida nas águas da baía, fazendo trêmulo rastro de luz com as marolas formadas pelo vento, trazendo perfume dos frutos da terra e os sons da floresta misteriosa e cheia de vida. Tudo isso eu sentia como se estivesse ouvindo e fazendo parte de um poema que era preciso terminá-lo, e então, percebi que levei quinze anos para que isso acontecesse. Senti que com o propósito de encerrá-lo, a lua precisava de mais uma estrela a brilhar no firmamento. Deus em sua sabedoria fez nascê-la na terra sob as bênçãos de Nossa Senhora de Nazaré, afim de que com sua luz radiante ajudasse a lua iluminar um grande caminho para que LUIZA – minha neta – pudesse passar por ele para sempre. A poesia ia se completando e Belém colaborou também com seu clima: lá chove muito, porém naquela noite de festa houve uma trégua, permitindo que todas as estrelas viessem ao encontro da menina-moça. Entre as luzes do salão e a música “Luiza” de Tom Jobim, minha neta surgiu suave, lembrando a tranqüilidade das garças. Foi chegando de leve e parecia caminhar nas nuvens, não no chão, com sorriso de menina, olhos atentos nas coisas do mundo, no tempo em que estava vivendo naquele momento encarando o que dali pra frente seria modificado, voando no espaço que a vida lhe oferecia para dias cada vez melhores. Ali estava a estrela que a lua usou para ajudá-la a iluminar a terra. Ali estava o anjo de luz que veio para finalizar a poesia que comecei a fazer a quinze anos atrás, quando Deus a colocou pra nascer e compartilhar daquela beleza infinda de Belém, onde as garças voam, sempre num vôo de paz. Quinze anos June Carvalho
Anjo de cabelos castanhos e olhos castanhos de mel, que refletem a luz da vida e às vezes, o aveludado céu. Traz no sorriso os raios de sol que ofusca a dor e irradia alegria, ilumina e aquece a todos no dia-a-dia. Os anos foram passando e fizeram o anjo sonhar e os sonhos então sonhados saíram de onde estavam guardados como num passe de magia. O anjo não percebeu que as asas ele perdeu e numa menina se transformou. A menina veio voando, na cauda do vento que empurrava o tempo, que corria, corria, e dela uma moça fazia.
À minha neta Luiza pelos seus quinze anos. Uma doce, suave e para sempre uma viva lembrança. |