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O VULTOS DE NOSSA PÁTRIA : BETINHO
"Metade da humanidade não come e a outra metade não dorme com medo da que não come" (Josué de Castro.) A nossa história tem sido carregada de enormes sacrifícios. Desde a colonização tivemos que conviver com a exploração, a covardia e a rapina- gem, o morticínio impiedoso dos nossos índios e dos que tentaram a nossa independência, além da vergonha de termos sido a última nação do continente a abolir a escravidão negra. Nossa história está repleta de guerras e revoltas contra a opressão dos inimigos internos e externos. Por isto não podemos es- quecer os brasileiros ilustres que lutaram pela pátria e seu povo. No passado fomos impiedosamente explorados por Portugueses, Fran- ceses, Holandeses e Espanhóis. Como lobos famintos desembarcaram em nos- sas praias com a cruz de Cristo em um das mãos e uma arma na outra, assal- tando, roubando, escravizando e trucidando todos aqueles que se opunham às suas conquistas. Agora querem nos ensinar uma série de direitos humanos que eles não cumprem, destroem nossas fl orestas, o nosso meio ambiente. Além de todas estas desgraças ainda temos que sustentar Brasília, reduto de polí- ticos profi ssionais que ocupam indefi nidamente os cargos mais importantes da nação usando e abusando das verbas públicas em proveito próprio. Contra este tipo de domínio uma voz se levantava em favor dos pobres e excluídos: Herbert de Souza, o Betinho. Betinho foi a fi gura revivida na esperança de liberdade de Tiraden- tes, Ganga Zumba, Zumbi dos Palmares e dos índios da Confederação dos Tamoios: Cunhambebe, Pindobuçu, Aimbirê, Araraí, Jagoanharó, Tibiriçá e muitos outros, que foram os primeiros heróis brasileiros na luta contra a opressão, o assassinato e o roubo no nosso país. Ele foi acima de tudo um brasileiro preocupado com seu povo, com o destino de seu país, um fi lho de quem o Brasil se orgulhava. Betinho foi a coragem de Tiradentes, a valentia de Caxias, a ciência de Oswaldo Cruz e Carlos Chagas, a lucidez de Rio Branco, a dignidade de Patrocínio, o amor à pátria de Pedro II, a simpatia de Ulisses Guimarães, Tancredo Neves e Juscelino Kubitschek. Betinho foi o grito de liberdade sufocado na garganta de seu povo, foi a voz dos excluídos, foi o suor e o sacrifício do homem brasileiro para alcançar um mínimo de dignidade para sobreviver. Betinho está presente em cada verso do nosso hino nacional, em cada rima, em cada estrofe; foi o lábaro e o fl orão da pátria; representava a luz que iluminava o nosso povo nos seus períodos de afl ição e dor, e com seu exemplo de coragem, determinação e ousadia foi uma reconfortante men- sagem de fé e confi ança no povo brasileiro, no grande destino do nosso país. Por seu amor ao Brasil Herbert de Souza será para sempre o nosso Betinho, um homem que mesmo condenado à morte por doença vil colocou o trabalho de toda sua vida em favor dos seus semelhantes, lutando em prol do bem-estar da nossa população carente e desvalida até o último suspiro. Com a morte de Betinho morreu o homem público que galgou a gló- ria e a fama por seus próprios meios, por seu enorme valor pessoal. Calou-se para sempre a voz que trazia conforto, ânimo e esperança ao povo brasileiro. Formou com Euclides da Cunha, Rodolfo Teófi lo e Josué de Castro os pilares da sociologia da fome em nosso país. Ainda não temos um substituto.
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- Nunca agradecemos com tanto fervor como quando esperamos um novo favor. (Marquês de Maricá). - Quem não é grato pelas coisas que possui, não será grato pelas coisas que deseja. - Se a glória só chega depois da morte, não tenho pressa. (Marcial). -A glória é como a rosa: aroma e espinhos. (Araújo Porto Alegre). - Sem menosprezar a glória, prefi ro viver dois dias no mundo a viver mil anos na história. (Moliéri). - Os soldados lutam e os reis são proclamados herói. (Provérbio Hebraico). | |
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FUNDO DE PALCO Neide Freitas Gutterres
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Acolhida pela Princesa |
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Enquanto bombava uma linda festa de emancipação de Miracema, eu revi- rava no útero de minha mãe aguardando a minha hora de vir ao mundo. Portanto, agora festejamos com a mesma idade nossos aniversários. Esta cidade, outrora princesa não chegou à rainha, mas é amada por seus fi lhos e cantada em versos pelos seus poetas. Eu tive a honra de aqui fi ncar meu pé e apesar da mineirice escancarada, já me naturalizei miracemense. Constatei logo nossa afi nidade ao saber de nossos ancestrais: Miracema – Dona Ermelinda. Palma – Firmo de Araújo (seu neto) Ao ser assassinado em Palma o Coronel Firmo de Araújo, José Barbosa de Castro Júnior assumiu a liderança política da cidade em 1912. Seguindo, a Câmara de Vereadores decidiria seu Presidente e Agente Executi- vo através do voto entre eles. Como houve empate, o Senhor Barbosa de Castro, simplesmente mandou eliminar um dos vereadores da oposição, que poderia ter sido meu pai, salvo por sorte ou engano, não sei. José Barbosa de Castro Júnior que perdera seu prestígio político, sua moral, sua fortuna num paradoxo entre coronelarismo autoritário e o terror seria tio de minha mãe. Que mistura desastrosa! Pelo jeito, até aí, não houve grandes mudan- ças no sistema. Por volta de 1946, eu ainda ouvia essa história de medos, angústias, fracassos e sentia-me feliz por não fazer parte desse tempo nada bom. Isso seria um passa- do acumulado de desavenças, sustos e desmedidas inseguranças. Não quero mais falar do que foi melhor ou pior no passado. Valeu a dissidên- cia dos Barbosas, valeram as histórias sinistras que se misturavam nas cabeças das crianças. Através da história poderemos ou não, nos descobrirmos, nos entendermos e se forem boas nos transformarmos. Nos anos 50 me aportei em Miracema. Você se lembra daquela luta travada entre o Doutor Campanário e a “Força e Luz”? Do vinhoto ardendo mal cheiroso, infestado de mosquitos? (Pernilongo). Isto para mim, como se dizia na gíria: “Era pinto”. Eu vivi na época em que para se atravessar um córrego teria que se equilibrar sobre pinguelas, ou simplesmente num salto fazer a travessia e do outro lado da margem tomar o seu rumo. Coisas piores já iam longe do meu pensar. Foi essa a recepção que tive (nada auspiciosa) que logo passou quando conheci o amor. Nada melhor que viajarmos nos sonhos cheios de quimeras e erguermos a dois um castelo sob o respaldo da princesa que me mostrou o caminho do bem viver. Nessa época eu conheci o Ney que havia “tomado beco” para ver qual seria o “rap” e depois de idas e vindas fi nalmente nos estabelecemos. Assim continuamos até hoje: eu facilitando a sua corrida para o “rap” e ele meio cansado sacolejando no “batidão” do Hospital de Miracema. Ainda bem. Ah! História coisas que às vezes me confunde. Concreta, abstrata, real ou ima- ginária, nunca se garante. Depende da interpretação do historiador.
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