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Janelas Abertas
Repito em todas as manhãs, o costumeiro ritual: abro a janela e maravilho-me. Ela se transforma num altar purificado pela magia do ar da Praça. Uma liberdade gostosa invade o meu momento. Sinto mais uma vez o cenário natural fazendo parte do primeiro ato. É como se fosse um teatro, trazendo o dia para se apresentar no palco do meu dia a dia. Danço na afetividade desse espaço aberto que forma uma passarela para que o ar penetre em minha sala, em minha casa... Sempre reflito: Não se pode mais deixar portas ou janelas abertas, pois o tempo é outro, bem diferente. Não há necessidade de explicar, todos sabem dos perigos que rondam a nossa cidade, a nossa casa e o mundo. A única janela que se pode deixar aberta é a do nosso interior para que saia dela sentimentos construtores da felicidade do nosso próximo. Como é triste perceber que as janelas e portas de tantas residências estão gradeadas para evitar assaltos! Como é triste saber que as Escolas também têm que usar dessa estratégia para não serem roubadas! E nessa reflexão, penso nos jovens que continuam esperando que as janelas das oportunidades se abram, surgindo como por encanto os milagres: Escolas Profissionalizantes, Faculdades e os naipes se abrindo aumentando o universo de empregos. Quando vejo janelas fechadas, tenho vontade de abri-las. Não como curiosidade, mas para filmar com o meu olhar os moradores fascinados com a claridade presenteada pelo Sol. Ela invadirá todos os cômodos da casa festejando com o vento esse grandioso espetáculo. Cresci fascinada pelo ato de abrir as janelas. Infelizmente estou envelhecendo cercada pelo medo, pela violência, crimes e roubos. Estou inaugurando, sem querer, a era das janelas fechadas.Testemunhei no meu tempo que muitas delas se fecharam em meu interior, mas muitas outras foram abertas por Deus para que eu pudesse aceitar, com humildade, os fatos que assolaram os meus momentos. Nova manhã! Abro de novo a janela e sinto a mesma sensação libertadora que chega a cada dia com mais força e plena de esperança. Em meu pensamento, vejo no parapeito dela um vaso com uma rosa salpicada de luz. Ela é hoje oferecida a você que não deixa a janela do seu interior fechada, mas deseja abri-la sempre para não só olhar, mas contribuir para um mundo mais humano e mais fraterno. |
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Nossos Olhos.
As respostas para nossas indagações vêm conforme o nosso estado de espírito. Se ele estiver inundado de alegria, de felicidade e realizações, naturalmente, mostraremos através do olhar os fatos iluminados, vestidos de poesia e encantamento. Isso acontece com qualquer pessoa. É incrível como toda a beleza contida na natureza passa a ser esculpida em nossa alma através da câmera dos nossos olhos. Às vezes, quando passamos ou chegamos a algum lugar, ficamos admirados como conseguimos captar ao mesmo tempo tanto esplendor, tantos detalhes e cores numa paisagem. Um passeio real indescritível nos é oferecido e passamos a viver suavemente mais uma experiência de fé. O pensamento transfere para as nossas íris todas as inocentes curiosidades. Quando o milagre acontece, ficamos contagiados e fascinados diante dos espetáculos apresentados, sem truques ou disfarces. É como se os olhos, de repente, criassem asas e num içar repentino fossem buscar e trazer para nós tudo o que existe de belo e sedutor. Em nosso olhar cabe todo o deslumbramento que desejamos. Basta um sopro dentro do nosso pensamento e tudo se concretiza através das nossas retinas. Elas nos presenteiam com a vibração contida em todas as partes, sob qualquer ângulo ou distância e a emoção nos contamina de forma indescritível. Existe uma bebida oferecida à nossa vida, através dos nossos olhos que se chama leitura. Se ingerida, promove o milagre da sabedoria que vem de Deus, premiando-nos com a Sua Palavra. A leitura nos transporta aos acontecimentos reais ou à fantasia da ficção. Viajamos além das fronteiras que abrem as portas dos textos em prosas ou poesias. E através deles vem uma aragem feliz que provoca um sorriso livre e aconchegante que fica para acordar os nossos sonhos. A boa leitura é felicidade e ajuda certa. As palavras escritas falam e os nossos olhos nos presenteiam com as essências que colhemos das mensagens. Entretanto, é importante não abrir um livro, revista ou jornal quando eles nos oferecem textos perniciosos, obscenos e cheios de maldade. Deve ser como gotas de um colírio que clareia os olhos e a alma dos leitores. Torna-se uma leitura que agrada e anima, envolvida de poesia, ternura e transparência. Ela deverá transmitir sempre uma força renovadora envolvida de pureza e sinceridade.
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Memória é a lembrança que alguém deixa de si, quando ausente ou após sua morte. Reminiscência é a imagem lembrada do passado ou fragmento que resta de algo extinto "(Houaiss)
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DIA DE SÃO JOÃO "Chegou a hora da fogueira É noite de São João O céu fica todo iluminado Fica o céu todo estrelado Pintadinho de balão..."
A Turma da Matoso Maia se reúne para buscar lenha na mata do Morro da Poeira, de preferência extraída da pita, madeira de fácil combustão. A fogueira deve ser montada sem demora. As bandeirinhas e os balões coloridos precisam estar arrumados e tudo deve estar pronto até às 16,00 horas, porque a festa é de criança e não pode ir até tarde. Na minha infância, no dia de São João, o quintal da casa do Seu Felício e da Dona Júlia, na Rua Direita, era palco da tradicional festa junina, organizada pela Turma da Rua Matoso Maia, da qual eu participava. A Turma congregava meninos de várias ruas, mas a denominação era indispensável para diferenciá-la das existentes na cidade, como as das Ruas do Café e da Laje e outras menos concorridas. O “Zé da Margarida”, empregado do Tio Chicralla, nosso vizinho, ajudava a Turma. A Marta, doce empregada da minha mãe, preparava o milho verde e a batata doce para assar na fogueira, além da pipoca e do amendoim torradinho. Embora organizada pela Turma da Matoso Maia, ao folguedo compareciam diversas crianças, numa confraternização própria do mundo infantil, onde não há lugar para discriminação. Os confrontos entre as Turmas ficavam para outras ocasiões. Chegava a hora da fogueira e a meninada em volta, na expectativa de apanhar um milho assado ou uma batata doce, já ardendo na brasa viva. De repente, os estouros das bombas, as estrelas dos fogos e o busca-pé. À distância, assistindo a brincadeira e a alegria das crianças, lá estavam meus pais, meus irmãos mais velhos, primos e alguns adultos curiosos. Hoje, nas noites de São João, lembro-me da fogueira no quintal da minha casa de Miracema, que a chama da memória não deixa apagar. |
| José Geraldo Antonio |
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