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Fim de Ano Chegou o fim do ano. Na cozinha o azáfama das ajudantes, forno aceso, carnes assando, barulho de pratos e talheres. Deitado na rede escuto todo aquele falatório e com o balançar, o chiado dos ganchos me fazem adormecer e remontar ao passado, tempos de menino e mocidade. Na Rua da Laje sem calçamento o campo de futebol com aqueles portões de madeira e o Zé Miséria no portão recolhendo os ingressos. Do lado de fora carrinhos de mão cheios de laranjas, O jogo era entre Miracema e Esportivo. No morro, grande quantidade de gente para não pagar o ingresso. Ao mesmo tempo estou na Usina Santa Rosa - caminhões Ford carregados de cana, carros de boi e carroções, as esteiras levando as canas, cheiro de garapa e do vinhoto, no escritório Athaualpa Guimarães, Helio Gutterres, Noah Coelho. Na parte de baixo, a Cerâmica com Silvestre na gerência, manilhas empilhadas de todos os tipos para serem levadas por caminhões. Chego à frente da A Predileta do Marcellino P. Tostes com carroças de burro, na rua, carregadas de mercadorias. Caminhão International descarregando sal grosso e outro caminhão Dodge descarregando açúcar cristal. Neste momento ouço o som de uma orquestra: já estou na Rua do Centenário. É um baile com Severino Araújo no Aero Clube, com moças e rapazes de cada lado. Eu de terno branco S 120, sapatos vermelhos e gravata. Vou à rua Direita no baile do Polaca, chamado panela de pressão. Já não era mais o baile, era o Cineminha do José de Assis com um variado público. Em frente à Chevrolet cheia de carros novos. Carnaval, blocos de sujo, passarelas com músicos tocando marchinhas. Bar Pracinha, Bar do Vavate... Vou descendo a rua, era primeiro de Maio, dia do trabalho. Missa campal em frente a Fábrica de Tecidos. Apito do Trem de Ferro soltando fumaça, viajantes indo em direção do Hotel Assis, Hotel do José João e Hotel Braga com suas cadeiras de vime na porta. Dou a volta pela Rua das Flores, passo em frente ao Nico da cocheira, mais um pouco à frente, o cinema Quinze com as tabuletas na porta anunciando o filme: As Quatro Penas Brancas, tendo o Benjamim e Tião Baiano na portaria e Wanda na bilheteria vendendo ingressos. Volto pela rua João Rosa Damasceno - Cinema Sete, Buru na porta e Miguelzinho recebendo as entradas. Carlinhos carregando tabuletas, o poleiro cheio, (como era chamado a parte de cima, Abrão torcendo pro bandido. Na Praça Ary Parreiras não era a Prefeitura e sim um circo armado. O Bar do Vicente Dutra em frente com salão de sinuca com vários jogadores. No banheiro, em baixo do salão, estava escrito na parede: Privada do Vicente em vez de cagar nela , ela é quem caga na gente. Na Matriz, Padre Joaquim pedindo ajuda para reformar a Igreja... No Hospital os médicos Moacyr, Campanário, Leandro, Bonzinho, Silvio Freire e Acrisio conversavam animadamente. No departamento Nacional do Café homens trabalhando no terreiro com grandes rodos de madeira secando o café, outros subindo escadas com sacos na cabeça para empilhar o café já seco. Ao lado, uma várzea de arroz, uma pinguela para atravessar o Ribeirão Santo Antonio para sair na Rua da Laje. Barulho de um avião chegando: era um Teco –Teco no campo de aviação no Alto do Cruzeiro. O ruído do motor de um ônibus do Sô Pedrinho na Rua da Capivara indo para Palma, passando pela padaria da Dona Otéria e da venda do Sr. Custodio Cruz, voltando às seis ou sete horas da noite, trazendo exemplares do jornal "Diário de Noticia", "Diário Carioca", "Jornal do Brasil" e "Correio da Manhã", para serem distribuídos no dia seguinte. Água subindo: era a enchente começando. Mesas para cima, rádios, mercadorias, ruas cheias, luzes apagadas, gente correndo, animais boiando. No outro dia sol á esturricar. Na Rua Padilha, Valtinho Cabeçudo com o seu carrinho em frente ao bar do Espanhol, vendendo gelo raspado por uma plaina, dentro do copo colocava a groselha do Lucas Damasceno, rua esta que passavam carroças com sacos de arroz para serem embarcados pela estrada de ferro. Na rodagem, o baile do João Cândido com uma barraca tapada com folha de pindoba. Havia uma divisão no meio onde dançavam brancos de um lado e negros do outro; Nesse momento, meu neto Davi de 6 anos, acordou-me batendo com uma espada de plástico. Ouço os foguetes, sinos repicando, o som da Banda Sete de Setembro tocando o Hino Miracema Cidade. MEIA NOITE. Desci da rede pensando: nestes 20 minutos de cochilo percorri setenta e tantos anos no passado e penso comigo mesmo - será que valeu a pena? Será que fiz tudo direito ou deixei muito por fazer? Vou deixar que o tempo me julgue, ou você...
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Como JESUS criança pode participar do "meu" NATAL?
Natal! Quantas coisas lembram o Natal...O menino Jesus, a manjedoura, Maria, José, uma estrela guia, os Magos, luz, uma noite fria, os animais... Muitas outras lembranças cada um colocaria, dependendo de como foi que aprendeu em sua vida. E nós, cristãos, como vivemos o Natal? Que sentido tem esse tempo de preparação para a chegada desse dia? É um momento de festa? Que tipo de festa? O que é mais importante? Esses questionamentos fazem-me lembrar uma história: Uma pessoa entrou em uma gruta ou melhor, em uma caverna, pois alguém lhe dissera que ali havia um tesouro. Ela entrou juntamente com seu filho pequeno e grande foi sua surpresa, ficando encantada com a rara beleza de tudo ao redor. Muitos brilhantes, pedras preciosas, tudo muitíssimo maravilhoso. Ela não sabia o que pegar pois tudo reluzia de maneira que chegava a ofuscá-la todo o brilho produzido pelo imenso tesouro. Pensava nas pessoas que haviam ficado lá fora, somente ela conseguira entrar. Durante todo o tempo em que estava lá dentro ouvia algo que lhe dizia incessantemente: ao sair, “não esqueça o principal” pois a porta se fechará para sempre. E assim, aquela jovem senhora ia separando tudo que havia de mais belo porque havia um tempo determinado para ficar ali dentro. Aproximando-se o tempo final, ela correu desesperada para conseguir o máximo naqueles últimos segundos e saiu. E qual foi o seu desespero quando a porta se fechou para sempre e ela percebeu que esquecera o seu filho lá dentro E nesse momento que antecede o Natal? O que brilha mais? O que presenciamos como valor absoluto? As luzes do choping, as vitrines maravilhosas, os eletrônicos de última geração, as grifes modernas, e que outras coisas mais? Será que como cristãos sabemos unir FÉ e Vida, fazendo com que nossos olhos brilhem diante da presença do Deus Criança? Para Padre Ângelo Carlesso, do Programa Viva a Vida da Pastoral da Criança, esse é um grande desafio: fazer com que a nossa vida espelhe a fé que nós professamos e que possamos cultivar a espiritualidade necessária para distinguirmos hoje e sempre o verdadeiro sentido do Natal.
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CORDAS DE AMARRAR O TEMPO
Não que ela tenha uma corda grossa e vá concretamente amarrar o tempo para que ele diminua a sua velocidade e lhe dê mais horas. Não. Ela amarra o tempo com a corda da sua memória. Corda comprida, às vezes retorcida, às vezes com laçadas, mas sempre para ajuntar o tempo vivido. Serve para não esquecer. Serve para melhor se conhecer. Serve para ensinar o futuro. Ajuda na montagem da personalidade, cria possibilidades de mudança, mantém seguro o seu eu. Assim ela fez com sua infância onde a dança foi a presença. Assim ela fez com sua juventude onde o amor desabrochou no baile. Assim ela fez com sua maturidade onde se multiplicou e se dividiu em festas. Assim ela faz com sua velhice onde a dança, de novo presente, a mantém ligada no prazer de dominar seu corpo.
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