Pág.8-Nº109-Dez/08
                                                                           


 

Tema: Dinheiro
O que queremos compramos,
Com muito ou pouco dinheiro.
O amor nós não duvidamos,
Não há venda, se é verdadeiro.

Tema: Presépio
Façamos do coração,
Um presépio de ternura.
Nele só paz e perdão,
O amor se torna fartura.

Tema: Natal
Imensas graças se um dia,
Como anjinhos sempre puros.
Natal com muita alegria,
Sem divisões e sem muros.

Tema: Crença
Mente triste preocupada,
Que é causada por doença.
Muita tristeza, cansada,
Deus medindo nossa crença.

 

  

 “Não importa o quanto o vento sopre, a montanha nunca se curvará diante dele” – do filme Mulan. Acredito também ser assim o Natal, uma data universal que mantém seu encantamento, embora as épocas passem, os sonhos, os desejos, a crença, mas os sentimentos de criança permanecem e conseguem ultrapassar a tecnologia e por horas todos ficam à espera do Papai Noel. Ele é abençoado por Deus e não se curva à intensidade das “crises” e sempre tem algo para alegrar a todos, mesmo que seja apenas com um simples cartão. O ser humano é uma caixa de segredos ou mistério, não importa, porque nessa data ele parece se transformar voltando à infância, aguardando a noite chegar e ver o que ela vai trazer de bom para cada um. Muitas vezes vem trazendo desilusão, porém a alma infantil é forte como a montanha, não se dobra, não se abate diante dela e fica a espreita do próximo Natal.
 No Jornal “O Globo”, do dia dezessete de novembro, o cronista Joaquim Ferreira dos Santos escreveu sobre Vida Simples, relembrando coisas que fazia quando menino, como era fácil aceitar sem questionar, bastava encontrar um pequeno brinquedo na árvore de Natal para que a felicidade ficasse estampada em seu rosto, era um valorizar de tudo e o dia se tornava maravilhoso.
 Li e reli aquela crônica, fiquei um bom tempo imaginando todas as coisas simples que acontecem com cada um de nós e, de repente, pareceu-me ver Genoca o garoto que se chamava Agenor. Era magrinho, olhos claros, pernas finas e longas lembrando dois bambus e nós pontiagudos nos joelhos. Era o segundo Natal que ele vinha passar na chácara a convite dos meus avós, seus padrinhos, pois sua família havia se mudado para Além Paraíba.
 O Natal na chácara não era comemorado como hoje com árvores enormes, enfeites coloridos e muitas luzes, fazia- se com muita simplicidade. A casa tinha como decoração flores nas jarras colhidas nos poucos canteiros do quintal. Recordo-me que eles ficavam perto de uma frondosa amoreira e sob ela, também, vários vasos de plantas protegidas pela sua sombra, entre eles ficava o mais bonito, cheinho de “amor-perfeito”, que minha avó pegava para enfeitar, colocando ao lado do oratório com várias imagens e um Menino Jesus de camisola azul deitado na manjedoura de palha. Não tinha uma vez que ao passarmos por Ele, Genoca e eu, não nos benzêssemos em sinal de respeito, mas com receio de que o menino Deus não deixasse Papai Noel atender nossos pedidos. Talvez por algumas travessuras.
 Assim os dias iam passando, a expectativa da chegada do Natal trazia uma inquietação e dúvida do que iríamos ganhar porque, às vezes, Papai Noel não atendia tudo que se pedia no bilhete que lhe era destinado.
 Enquanto não chegava o dia, Genoca, Terezinha Brandão e eu inventávamos coisas para fazer. Aproveitávamos a sombra do pé de amora e brincávamos de pique, quando o Genoca perdia por não nos encontrar e aborrecido começava a cantar: “Debaixo do pé de amora / vou contar seu pai, que você namora”, então corríamos atrás dele até que nos pedisse desculpas.
 Finalmente, chegou a noite tão esperada. Fomos à Missa do Galo e quando de volta à chácara, cada um correu para o quarto a fim de dormir rápido, só que o sono não vinha e ficávamos na esperança de ouvir Papai Noel chegar – tudo em vão – ele só aparecia depois que finalmente dormíamos. Era um acreditar, um verdadeiro sonho, uma fantasia que se tornaria realidade quando amanhecesse. Naquela época, o Natal não era comemorado na noite de vinte e quatro, mas no dia seguinte com um almoço e a família toda ao redor da mesa. Antes, porém, tinha a manhã que causava alegria e curiosidade, quando íamos a procura dos sapatos atrás da porta e ver o que Papai Noel havia deixado.
 Naquele dia, o sorriso no rosto de Genoca traduzia sua felicidade, pois tinha recebido como presente um caminhão de madeira e um livro de história. Sentindo a mesma emoção corri para ver o que havia no meu sapato. Lá estava um livro de histórias, um boneco grande de celulose, dei-lhe o nome de Dick, até hoje não sei por que, e para minha surpresa, tinha também um presente embrulhado num papel de pão. Era uma boneca feita de bucha (bucha usada para banho), tinha os braços e pernas feitos de arame. Parece que ainda vejo os olhos dela, eram feitos de caroços de feijão, a boca recortada em papel de seda vermelho, assim como seu vestido e o lenço que cobria sua cabeça. No pescoço havia um colar de contas de lágrimas. A coitada era muito, muito feia. Foi então que Genoca me perguntou se eu havia gostado, pois ele tinha feito pra mim. Na hora disse que não, ri da feiúra da boneca e levei uma repreensão de meu pai que me ensinou o valor das coisas simples, como aquele brinquedo que mostrava a gratidão daquele menino por ter dado o presente, pela alegria em estar no meio de nossa família e também passar ali seu Natal.
 Pensei muito para escrever esta crônica. Não queria falar do Natal, cair na mesmice de que o ano passou rápido, que Papai Noel está chegando sobrecarregado de pedidos, como: celulares, MP4, IPod e videogames, porque as crianças do século XXI, abandonaram as cartinhas de Natal e partiram para o computador onde lêem as mensagens recebidas, passam e-mails e nem se lembram mais das bonecas, carrinhos e livros de histórias. É um dó, porque é tão gostoso por minutos poder recordar o quanto “simples coisas” podem nos fazer felizes.
 Por uma pequena frase de um desenho animado “Mulan – a menina corajosa”, é que achei minha base e me fortaleci pra deixar esta crônica a fim de que faça você ter lembranças.
 Vou lhe pedir um presente, caro leitor. Conte para seus filhos, netos, alunos, amigos, o que é sonhar e valorizar, o que é ter algo “Simples” em seu viver, para que isso marque seus dias nas páginas da história de sua vida.
 Desejo-lhe um Feliz Natal e que você seja como a montanha, não se curve ao vento do esquecimento que, às vezes, insiste em dispersar suas lembranças.
 Um doce, suave e abençoado Ano Novo.


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