Pág.8-Nº129-Ago/10


Tema: Papel.
Meus versos descem do céu,
Vem de Deus a inspiração.
Eu só passo pro papel,
O que cai no coração.

Tema: Pai.
Pai, seu nome é fortaleza,
Na vida é sempre mais ágil.
Nas afl ições a certeza:
Seu soluço o torna frágil.

Tema: Ciúme
Ninguém sabe ou imagina,
Qual é o tormento maior.
Se é o ciúme que assassina,
Ou o amor que se faz menor.

Tema: Frio
Abro a janela, que frio!
Sinto um abraço a me equentar.
Sua presença eu acaricio,
Não posso mais reclamar. 




   As agendas atuais sempre trazem mensagens e datas comemorativas. Folheando as páginas do mês de agosto, encontrei: dia dos pais, do artista, da informática, do catecismo, dos estudantes, outras e outras...
  
O interessante é como algumas datas marcam nossa vida e de repente passam a ser comerciais. Tudo bem, estamos no século XXI, as cabeças nesse tempo pensam rápido, esquecendo, às vezes,  que certas datas são muito significativas e inesquecíveis.
  
Fiquei surpresa quando vi: “Dia do Catecismo”, então, observei que a agenda é da gráfica católica São Domingos. Foi uma volta ao passado e lembrei-me da forma tradicional de ensinar religião. Aprendia-se com respeito e guardavam-se os ensinamentos com espiritualidade e fé. Hoje, porém, os meios são modernos e percebe-se que as crianças não dão valor aquilo que lhes é  transmitido. Como disse, estamos no século XXI com toda sua atualidade e não vamos ficar para trás, caminharemos com ele  procurando alertar as crianças.
  
Há pouco tempo, lendo “Descubra e utilize sua força interior” de EMMET FOX me fixei em uma de suas mensagens: “A vida é mudança”. Ela diz: “temos que ver um anjo de Deus em tudo que muda em nossa vida”. Em seu final encontrei uma das frases mais importantes: - “Veja nela o Anjo de Deus e esse anjo tornará novas todas as coisas”.
   Os ensinamentos religiosos quando são bem administrados e o berço de onde vêm as pessoas que estão sempre voltadas para Deus, são imprescindíveis à vida de cada uma.
  
Na Igreja Matriz sempre tivemos pessoas dedicadas ao plantio do conhecimento cristão e, com isso, nos tornavamos fervorosos. Assim fui preparada também para a caminhada da fé.
  
Naquela ocasião, uma das catequistas era a professora e Doutora em Direito -  Oraide Alves - (prima de meu pai), grande estudiosa e cumpridora dos ensinamentos de Deus. Começou a me mostrar a beleza contida na Bíblia através do catecismo. Seu conhecimento nessa área e sua grande fé foram-me introduzindo aos poucos na vida espiritual com a ajuda do ambiente de nossa família, católicos praticantes, pude alcançar o que Deus tanto faz por nós e nos conforta nas tristezas do dia a dia.
  
Sempre admirei o catecismo como doação. São pessoas que ficam à disposição do Senhor para transmitir seus ensinamentos às crianças e aos adultos a fim de enxergarem a vida espiritual e, assim, vivê-la bem.
  
O catecismo da Igreja Matriz há muito e muito tempo era aos domingos pela manhã, às dez horas.
  
A professora Áurea Bruno era a coordenadora do grupo de catequistas, sempre muito organizada, mantinha-nos estudando a fim de podermos passar para as crianças os ensinamentos bíblicos.
  
Todos os sábados à tarde íamos à sua casa onde  recebíamos as aulas que daríamos no domingo. Ela nos passava testes cobrando o assunto que seria dado aos alunos.
  
Nosso grupo era formado por cinco jovens que sob a orientação de D. Áurea Bruno tinha o compromisso de ensinar as crianças e prepará-las para a primeira comunhão.
  
Durante nossas reuniões aos sábados, a mãe de D. Áurea -  D. Zulmira -  sempre nos oferecia nos intervalos, docinhos de leite ou biscoitinhos de nata com café. Nessa hora voltávamos à infância, deliciando aquelas maravilhas. D. Áurea achava graça do movimento que fazíamos e ao mesmo tempo nos lembrava de um dos Pecados Capitais da Igreja: a gula. Era saudável e alegre a maneira pela qual ela nos dirigia. Sempre no final de nossas reuniões era sorteado um santinho com oração e outro para quem acertasse mais o teste. Nunca vou esquecer aquele ambiente de paz, aconchego e religiosidade com aquela catequista tão competente, dedicada e enérgica ao mesmo tempo.
  
“Tudo passa”. Sempre ouvimos essa pequena frase e realmente ele passou, deixando uma saudade enorme que foi amenizada quando meus filhos começaram a frequentar o catecismo. Na época deles, era ministrado nas escolas.
  
Outra pessoa que marcou também meus dias e a dos meus filhos foi a incansável e dedicada Professora Ruth Passos, que encaminhou meus meninos para a fé e as leis de Deus. As aulas eram dadas na Escola Dr. Ferreira da Luz e de lá saiam preparados para receberem a primeira comunhão.
  
Tudo voltou a minha memória, meus filhos de branco com um laço de gorgorão no braço esquerdo e nele a pintura de um cálice. Não esqueço o olhar apreensivo de cada um ao receber a Sagrada Hóstia. Era um dia de festa e para nós família, coube a responsabilidade de mantê-los persistentes na oração e na fé.
  
São lembranças que vieram à tona quando li: A vida é mudança. Acredito que o autor foi feliz quando escreveu que temos um anjo de Deus nos acompanhando, apenas não o vemos ou fazemos de tudo para não vê-lo. Necessário se faz olharmos não só para o lado, mas também para trás sentindo nas coisas e nas pessoas que Ele está presente.
  
Foi então que ao terminar de ler a mensagem, lembrei-me dessas catequistas maravilhosas, que dedicaram suas vidas aos ensinamentos de Deus. Elas marcaram a minha vida, a de meus filhos e de centenas de outras famílias.
  
Por isso, aplaudo o autor EMMET FOX por ter expressado tão bem seus pensamentos: “Vejo nela (mudança) o anjo de Deus e  esse anjo tornará novas todas as coisas”. Porém, eu o parafraseio dessa maneira: - Vejo nesses três anjos de Deus o símbolo das catequistas.
  
Uma doce, suave, eterna lembrança e minha gratidão.


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